Por MOISÉS STORCH

Coordenador dos Amigos Brasileiros do PAZ AGORA


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Cerca ou Muro – Israel, Palestina e PAZ AGORA*

 

A Folha de S. Paulo publicou em 26/10, em sua coluna Tendências/Debates, uma matéria expondo posições dos representantes diplomáticos de Israel e Autoridade Palestina sobre a polêmica questão.

Com todo respeito pelas opiniões dos embaixadores, deve-se ter em mente que ambos, como representantes de governos litigantes, são obrigados pelo cargo a formulá-las de maneira menos construtiva para o fim do litígio do que para defender a atuação de seus governos no mesmo.

Penso nos caber extrair do discurso de cada um o que de fato contribui para a tão ansiada PAZ.

O embaixador israelense Daniel Gazit está certo quando diz ser "função de qualquer governo proteger a vida de seus cidadãos" e que "negar a Israel o direito de empregar uma ferramenta de prevenção tão importante como a cerca de segurança é negar a Israel seu direito de autodefesa".

A proposta de uma separação física ao longo das fronteiras anteriores a 1967 era uma antiga reivindicação da oposição ao governo Sharon, e visava não só evitar a infiltração terrorista como devolver ao povo árabe-palestino a esperança de realizar seus justos anseios pela auto-determinação num Estado palestino viável ao lado do Estado judeu, mediante a delimitação de fronteiras.

Mas o "Muro de Sharon", em lugar de oferecer uma legítima proteção contra o terrorismo, semeia o ódio ao adentrar profundamente na Cisjordânia, ampliando a ocupação de terras palestinas, e tornando ainda mais insuportável a vida de dezenas de milhares de pessoas. Privadas de condições mínimas para uma vida digna, estas se tornarão novas presas do caldo de cultura do terrorismo.

Por outro lado, Musa Odeh, representante da Autoridade Palestina no Brasil também tem razão, quando preconiza que se deve "Construir a paz, e não muros". Mas isto não se faz ao apenas magnificar as culpas do outro lado.

Não se pode ignorar a responsabilidade de palestinos e governos árabes que negam a legitimidade dos anseios nacionais do povo judeu, pregando a destruição de Israel. A violência palestina contra civis têm sido o principal cabo eleitoral da direita israelense, ao semear o medo e realimentar a falácia sharonista de "não haver interlocutor palestino confiável".

Palestinos e israelenses têm sido vítimas de seus próprios dirigentes, os quais vem atendendo muito mais às pressões belicistas de minorias extremistas do que aos legítimos interesses nacionais.

Os governantes de Israel e da AP bem melhor serviriam a seus povos, se atendessem os anseios das grandes maiorias, dos dois lados, por uma vida normal em PAZ.

Para isto, ambos os governos deveriam, AGORA:

  • implementar, incondicionalmente, seus compromissos com o "road map".
  • negociar sem nenhuma condição prévia.
  • cessar a guerra de propaganda que demoniza o outro lado.
  • investir na educação de seus povos para a inevitável aceitação de concessões que assegurará uma paz definitiva e justa, com Dois Estados, Israel e Palestina, convivendo lado-a-lado.

Redigido em conjunto por expressivas lideranças israelenses e palestinas, será oficialmente divulgado nos próximos dias na Suíça, que patrocinou sua realização, um documento oferecendo em detalhe soluções para os aspectos mais críticos do conflito.

Os "Acordos de Genebra" mostram claramente a luz no final do túnel. Falta apenas que cada lado deixe de ser refém da violência e retome o caminho do entendimento.

O Brasil, respeitado pelos dois lados, pode ter um papel determinante dentro de um esforço internacional urgente para cessar a matança.

A PAZ é necessária e POSSÍVEL!

Vamos buscá-la, AGORA !

O PAZ AGORA e a CERCA DE SEGURANÇA
[posição do PAZ AGORA - 08/06/03 ]

 - traduzida pela Lista PAZ AGORA/BR -

O PAZ AGORA defende uma cerca na Linha Verde!

A cerca do governo Sharon é perigosa e destrói qualquer chance para um acordo político!

1. O PAZ AGORA reconhece a obrigação e a necessidade de Israel defender seus cidadãos ao longo de suas fronteiras, nomeadamente as fronteiras de junho de 1967, incluindo a construção de obstáculos como a cerca de segurança.

2. O governo de Sharon está construindo uma cerca profundamente dentro do território palestino.

Mesmo que declare que a cerca objetiva assegurar a segurança dos cidadãos israelenses, de fato seu propósito é a anexação de territórios e a perpetuação dos assentamentos.

O governo usa a cerca para criar fatos consumados, visando impedir qualquer chance de acordo político com o povo palestino.

3. O governo de Sharon está construindo um muro projetado para aprisionar milhões de palestinos em enclaves, de forma a destruir suas fontes de sustento e livre movimento, empurrando-os para fora de suas terras.

O governo está anexando, em vários lugares, aldeias palestinas e seus campos, e em outros suas fontes de subsistência.

4. Advertimos que a política do governo de Sharon está alimentando ódio e hostilidade, estimulando a continuação da violência e o aumento do derramamento de sangue.

SAIAMOS DOS TERRITÓRIOS !
RETORNEMOS PARA NÓS MESMOS !
PAZ AGORA

Fonte: Lista PAZ AGORA/BR - http://groups.yahoo.com/group/pazagorabr
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Publicado parcialmente em 29/10/03 na Folha de S.Paulo - Pg.A-3 - Painel do Leitor



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