Todas
as pessoas querem viver
E
o pior modo de viver é guerreando.
Algumas
vezes a guerra é inevitável
Mas
nunca é bom.
Bom
mesmo é viver em paz.
Nada
melhor que acordar, olhar a manhã e dizer para si
mesmo:
“Não
há nada a temer. A vida é bela”.
Nada
pior do que estar na vida
Como
num pesadelo
Em
que a cada instante a morte gargalha.
O
mais baixo dos sentimentos humanos é o ódio.
Não
cria nada.
Não
traz felicidade, mas desgraça.
Matar
o filho do outro
Não
faz reviver o teu filho
Matar
o irmão do outro
Não
faz reviver o teu irmão
Apenas
gera mais ódio e fúria
E
mais luto em tua própria casa.
A
inteligência existe para tornar o homem melhor
Para
fazê-lo compreensivo e cordato
Para
que se entenda com os outros homens.
Com
a inteligência distinguimos o justo do injusto.
A
inteligência nos ensina
Que
todos os homens têm direito a seu chão,
À
sua pátria
E
à liberdade de governar a sua vida.
Nenhuma
força é capaz de apagar a injustiça
E
domar o injustiçado
O
caminho da paz é o entendimento,
Jamais
a imposição e o terror.
Quem
de fato desejaria um futuro de desgraças e morticínio?
Só
a besta fera.
O
homem sonha com um futuro de paz e felicidade
Que
não nasce da violência
Mas
do diálogo.
Todos
os que se odeiam e se matam
Alegam
razões para isto.
E
ninguém os convencerá do contrário.
Só
chegarão a um acordo
Quando
se sentarem à mesa e disserem:
“Esqueçamos
as ofensas passadas”.
Poema
escrito especialmente por
Ferreira Gullar, em julho de 2003, para
a Exposição de Arte "ISRAEL E PALESTINA - DOIS
ESTADOS PARA DOIS POVOS"