ESPAÇO DO LEITOR

1) Paulo Giardullo

2) Virginia Machado 

3) Sandra Fernandes

4) Enrique Ortega

5) Diva Maria Ferlin Lopes

6) Alexandre Neves

 

 

ARTIGO: Óleo de Lorenzo e Pacht Adams: A arrogância titulada (Antonio Ozaí da Silva)

COMENTÁRIO: Paulo Giardullo

Mais uma vez, você toca num assunto importante, com uma lucidez sincera. Além do outro dilema, de um intelectual de esquerda que questiona a própria esquerda, como você abordou e corre o risco de ser interpretado de muitas formas, inclusive tratado de direitista conservador, assim também, vivo esse dilema, como aprendiz de intelectual, de procurar me aprofundar mais e mais dentro da leitura e pesquisa dos pensadores que se manifestaram sobre o tema da verdadeira igualdade, liberdade, justamente para alcançar estas duas metas, mas tenho medo de perder pelo caminho, me fechando nos guetos ou tribos dos "letrados", dos "cultos". Enquanto meus objetivos são os de criticar a desigualdade e a opressão ao indivíduo, por isso busco o conhecimento, como se diz nos meios acadêmicos, para justificar e embasar minha crítica, mas temo que este aperfeiçoamento, crescimento saia pela culatra e eu acabe me perdendo entre a elitização e a competição  retórica. Por isso, não me interessa ganhar debates com os conservadores, ser reconhecido, se isto não resultar em prol do fim último do conhecimento que é libertar, dar igualdade.

ARTIGO: Fome não se acaba com agricultura "forte" (Antonio Inácio Andrioli)

COMENTÁRIO: Virginia Machado

Andrioli, gostei de seu artigo. Bem objetivo e traduz o que pensamos, mas não dizemos. E precisamos dizer, mesmo que 500 mil vezes.

Você indica muito bem o histórico e a tendência cíclica do padrão brasileiro de desenvolvimento. É típico do desenvolvimentista o pensamento macro e megalomaníaco (não por acaso) dos governos brasileiros, é da cultura administrativa brasileira, sustentada pela opinião pública do imediatismo, deixando para cine dia a questão da infra-estrutura. Mesmo quando se fala em infra a visão é sempre macrolóide, soterrando as especificidades regionais, etc e mesmo o grande tabu que é uma política de constituição familiar (o tal do controle de natalidade) séria. Afinal, o que faz o pobre ter tantos filhos: é o descaso/conhecimento ou o instinto de prole?

A referência que fazes aa necessidade de investimento no micro (famílias agricultoras) remete aa necessidade de produção de outra cultura nacional, que implica em uma mudança de mentalidade - do individualismo para o associativismo (para não entrarmos na ambigüidade do socialismo)-, porque tb. sabemos que uma família só não faz verão. Paradoxalmente esta cultura parece ter sua produção vinculada à uma nova cultura do trabalho, o trabalho como criação.

Felizmente o homem do campo é mais lúcido que o da cidade e pelo que tenho tomado conhecimento ele tem muito a nos ensinar - nós da cidade e da universidade.

No entanto, como bem enfatizas a questão toda não é técnica (exclusivamente), mas política, e eu diria também ética (já que falo em cultura). Acabamos sempre na mesma questão: reforma agrária e tudo que isto implica: terra, educação, assistência técnica, organização dos produtores, financiamento, mercado, etc.

Acharia interessante se você nomeasse algumas das iniciativas bem-sucedidas das experiências alternativas como o caso das ligadas aa Economia Solidária. Pelo menos foi nelas que pensei quando você mencionou as positividades ligadas às famílias produtoras.

Desejo boa produção pra ti.

Saudações
Virginia Machado (Educação e Trabalho)
professora universitária FURG - Rio Grande RS 

ARTIGO: Fome não se acaba com agricultura "forte" (Antonio Inácio Andrioli)

COMENTÁRIO: Sandra Fernandes

Olá!

Gostei muito de seu texto "Fome não se acaba com agricultura forte".

Sou professora de um Curso de agronomia e aqui na região circulou durante muito tempo um adesivo da FARSUL  "Fome se acaba com agricultura forte".

Isso sempre me incomodou muito especialmente porque os via afixados nos carros de nossos alunos... Certamente vou colocar sua a matéria no mural do Curso.

Infelizmente a nova máxima é "Fome Zero 100% transgênico", outro slogan que faz o maior sucesso. É um longo caminho de discussões para formar opiniões mais realistas.

Saudações,

Sandra Fernandes
Departamento de Estudos Agrários
UNIJUÍ Ijuí RS

 

ARTIGO: Fome não se acaba com agricultura "forte" (Antonio Inácio Andrioli)

COMENTÁRIO: Enrique Ortega

Prezado Antonio,
Recebi seu texto sobre a fome e a agricultura. 

Concordo em quase tudo com você, porém há uma questão em que divergimos.

Hoje não há problema em sustentar muitas pessoas porque se usam os derivados do petróleo na agricultura (fertilizantes, pesticidas, combustível, etc). Porém sem eles a capacidade de suporte humana cai muito e nessa situação Malthus, Harris, Pimentel, Forrester e outros cientistas estão certos. Talvez a capacidade sustentável este entre 2-6 bilhões de pessoas, dependendo do padrão de vida. Existem limites e como o crescimento populacional é exponencial eles podem ser atingidos em pouco tempo. O que significaria fome no futuro e portanto cuidados redobrados no presente.

Abraço
Enrique.

 

ARTIGO: Um país sem passado (Walter Praxedes)

COMENTÁRIO: Diva Maria Ferlin Lopes

Companheiro Praxedes

Se você fosse um psicólogo eu lhe perguntaria: e como faço para, também eu, esquecer essas coisas?

Pensando bem, talvez seja bom continuar lembrando desse passado que, pelo jeito, alguns esqueceram mesmo.

a.. Lembrar do Araguaia e dos que lá morreram para salvar a vida de quem, hoje, em alto cargo, se ocupa e se esforça para que seja esquecido de vez.

b.. Lembrar, também, das bandeiras que defendiam até se elegerem e que hoje estão absolutamente esquecidas.

c.. Lembrar, portanto, para não elegê-los novamente.

Mas, como dói... E dói mais por ter lutado tanto, esperado tanto e perder a esperança em tão pouco tempo.

Ainda assim, continue se lembrando que pretendo fazer o mesmo.

Um abraço

Diva Maria Ferlin Lopes

ARTIGO: Óleo de Lorenzo e Pacht Adams: A arrogância titulada (Antonio Ozaí da Silva) COMENTÁRIO: Alexandre Neves

Caro Ozaí,

acabei de ler seu artigo na REA 28 e tenho uma só consideração a fazer a seu respeito: SU-PRE-MO!!!

Conheço ambos os filmes de vê-los mais de uma vez e, recentemente, "submeti" minha pequena filha ao Patch Adams. Acredito que ambos os filmes deveriam fazer parte oficial da grade curricular das graduações de medicina, enfermagem e fisioterapia, pelo menos.

Infelizmente você está certo em sua análise. Quando a vaidade e a institucionalização do saber não comunicam com vidas alheias ainda se pode suportar a arrogância dos doutos. Mas, quando elas implicam diretamente na qualidade e sobrevida de semelhantes, são inaceitáveis.

Meus parabéns pela lucidez com que tratou o assunto. Pena que muitos do que o lerem não terão o bom senso de se reconhecerem nele.

Atenciosamente,

Alexandre Neves

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