(Palavras-chave:
sustentabilidade, educação, conflitos, práticas
sociais, sociologia)
A
abordagem das mediações constitui-se um aspecto
fundamental no procedimento da pesquisa em educação
tendo como referência a noção de sustentabilidade
em relação ao meio ambiente. Os comentários
que seguem tiveram como propósito oferecer algumas
contribuições ao debate visando a preparação
da Conferência Nacional do Meio Ambiente. Este
evento consagra a confluência das questões ambientais
no ano de 2003 uma vez que o evento nacional
é precedido por conclaves regionais e estaduais,
congregando ambientalistas, ONGs, educadores
e a esfera estatal.
A definição de uma política ambiental com certeza há de amparar-se
na investigação em curso, uma vez que a busca
de alternativas para os problemas ambientais
apresenta-se uma temática emergente. O procedimento
da pesquisa como referencial educativo, como
releitura da realidade circundante e como agir
conseqüente criam rupturas a partir de sujeitos
sociais como autores e construtores de seu momento
histórico. Por vezes as soluções propostas ultrapassam
a boa vontade e o conhecimento dos sujeitos
sociais, pois nem tudo depende da tomada de
consciência. Existe, ocasionalmente, uma distância
entre informação, percepção, conhecimento e
tomada de decisão na prática política.
Cabe reconhecer que se multiplicam as abordagens e os prospectos
ideológicos a respeito da educação ambiental
e entre as quais não existe consenso quanto
aos rumos a seguir. A construção da abordagem
metodológica visa estabelecer relacionamentos
entre o pensamento ambientalista e as novas
tendências epistemológicas trazidas pela educação
ambiental No contexto das relações conflituosas
aborda-se a vitalidade do diálogo entre sociedade
de risco e sustentabilidade, entre educadores
e pesquisadores, entre educadores e educandos,
que problematizando o cotidiano e as relações
sociais, despertam para as questões ambientais
contemporâneas.
A sustentabilidade tem-se firmado como um novo paradigma
para o desenvolvimento humano, entretanto também
esta retórica necessita apresentar as mediações
adequadas aos objetivos vislumbrados. Os países
signatários dos documentos e declarações resultantes
das conferências mundiais ocorridas na década
de 90, assumiram o compromisso e o desafio de
implementar, em suas políticas públicas, as
noções de desenvolvimento sustentável ou de
sustentabilidade. Desenvolvimento sustentável
é aquele que atende às necessidades do presente
sem comprometer a possibilidade de as gerações
futuras atenderem as suas. (Nosso Futuro Comum
- Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento).
Por mais que esta abordagem genérica possa ser
criticada como insuficiente, ainda assim guarda
contribuições como forma de solidariedade entre
gerações, reúne um egoísmo saudável. A crítica
fundamental é de que as necessidades sempre
se definem a partir de condicionamentos históricos
bem específicos e não de uma perspectiva universal.
Isto impede de fato que se afirme aqui e agora
um limite geral do que seriam as nossas necessidades,
uma vez que cada ambiente e sociedade vai delinear
de forma diversa as suas demandas.
A idéia de sustentabilidade propugnada aqui é entendida como
um senso profundamente ético, de igualdade e
justiça social, de preservação da diversidade
cultural, de autodeterminação das comunidades
e de integridade ecológica. A sustentabilidade
nos põe o seguinte desafio: a nossa questão
fundamental não é mais viver melhor amanhã,
mas viver de modo diferente hoje, aqui e agora
e, para que isso aconteça, exige profundas mudanças
na forma de pensar, viver, produzir e consumir.
O imperativo de ampliar o espectro da educação ambiental
muitas vezes tem motivado a tolerância diante
das diferenças e das divergências, ou seja,
verifica-se uma tendência em admitir modos de
pensar, de agir e de sentir o ambiente desconsiderando
a diversidade política, a desconformidade estratégica
e a disparidade ideológica. A educação ambiental
pode se constituir num espaço revigorado da
vida escolar e da prática pedagógica, reavivando
o debate dentro e fora da escola, permitindo
uma maior conexão com a realidade dos educandos,
possibilitando uma ação consciente e transformadora
das posturas em relação ao mundo e aos semelhantes.
De uma maneira geral, o uso adequado de mediações aproxima
os estudantes dos conteúdos programáticos, pois
leva-os a perceber a proximidade da teoria com
a realidade, bem como a riqueza de sua mútua
fecundação. Entre as mudanças que desafiam a
educação formal, encontra-se a capacidade de
inserir as questões ambientais de maneira interdisciplinar
no currículo. Com isso, usar a Educação Ambiental
como um viés interdisciplinar que ligue as diferentes
disciplinas, dentro do processo histórico, às
atuais estruturas sobre as quais está assente
a sociedade moderna. Isto poderá conduzir a
um relacionamento mais concreto entre as escolas,
as comunidades locais e o meio ambiente onde
estão inseridas.
A educação ambiental pretende construir uma postura eco-política,
de forma que, a partir da conscientização possa
ser expressa uma atuação política que encaminha
os interesses em termos de reivindicações coletivas.
Destacar a importância da educação ambiental
ocorre num momento em que as relações sociais,
a relações entre os seres humanos e com o mundo
precisam ser transformadas. Estas novas relações,
porque baseadas em nova ética, devem distanciar-se
do atual sistema para a criação de um novo momento
para um fecundo nexo entre os elementos que
compõem o ambiente.
A mediação adequada entre meio ambiente, educação e sustentabilidade
implica em destacar a diversidade cultural,
a participação, o envolvimento subjetivo e a
cidadania ativa. Por este caminho, passam a
redescoberta da solidariedade entre os homens
como agentes sociais e, destes, com referência
à sobriedade quanto ao uso dos bens naturais.
Daí a necessidade de que os homens e as mulheres
vislumbrem e desenhem os pilares de uma nova
sociedade, portanto, construindo e reconstruindo
sua própria história. Este caminho também transporta
uma nova visão do mundo e suas relações com
a natureza, vinda das relações entre os que
compartilham um novo pensar dissonante com a
tradição de domínio sobre a natureza pela ótica
do antropocentrismo.
A prática pedagógica será mais abrangente se considerar as
mais diversas representações sociais, pois pode
ser delas o ponto de partida para o trabalho
em educação ambiental. A educação ambiental
permite uma objetivação das ações específicas
em prol de mudanças e de reivindicações em relação
a direitos que impliquem em qualidade de vida.
Permite, através da releitura da realidade uma conscientização
mais imediata e profunda da interferência dos
homens e mulheres no mundo e na história.
A educação ambiental transcende a sala de aula como o locus do aprendizado e, necessariamente,
aproxima o professor dos estudantes e suas realidades,
possibilitando desafios a ambos em relação ao
aprendizado contínuo, onde o meio ambiente consolida-se
como um parceiro fundamental.
A educação, como leitura da palavra,
é leitura do mundo e, por sua vez, uma leitura
da natureza. Ao mesmo tempo, o relacionamento
com a natureza implica num determinado relacionamento
entre os indivíduos na sociedade.
Por mais que ainda estejamos nos primórdios da reflexão sobre
o quando, como, onde e por que da metodologia
em educação ambiental tudo nos leva a crer no
seu sucesso. As mediações para implementar a
educação ambiental podem caminhar neste sentido,
pois que passam a avaliar, não somente a ação
antropocêntrica sobre a natureza, mas também
a divisão de interesses que permeiam essa ação.
Estabelecer uma consciência ambiental que não
ande num sentido restrito, mas
que compreenda, investigue,
pesquise, de forma intensa, nos campos
formal e informal da educação, as melhores
condições para sua
prática de ensino.
O trabalho no campo da educação ambiental, põe a questão
da mudança ideológica e cultural, da prática
interdisciplinar, da alteração dos padrões díspares
de consumo e desperdício, e da busca de alternativas
para o campo da produção. No entendimento do
autor, a noção básica da educação ambiental
consiste em forjar cidadãos capazes de compreenderem
o mundo e, com suas ações, forjar as mudanças
desejadas, engendrando uma formação permanente,
alicerçada num processo de ação e reflexão.
Uma perspectiva para a educação ambiental com
certeza há de contemplar as respectivas mediações
para uma crítica da sociedade atual e proporá
a ótica da sustentabilidade.