Por TÂNIA BRAGA GUIMARÃES
Graduada em Letras Português/Inglês (UEM), especialista em Pesquisa Educacional (UEM - Departamento de Educação). Mestranda em Lingüística Aplicada da UEM e bolsista da Capes


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XAVIER, Antonio Carlos; CORTEZ, Suzana. Conversas com lingüistas: Virtudes e controvérsias. São Paulo: Parábola Editorial, 2003, 199p.

 

Diálogos imperdíveis

 

O livro Conversa com lingüistas, virtudes e controvérsias, organizado por Antonio Carlos Xavier e Suzana Cortez, e lançado pela editora Parábola, é composto por uma série de entrevistas com lingüistas de diferentes linhas teóricas.

A primeira exigência feita, quando da seleção dos entrevistados, foi a de que aceitassem conceder a entrevista oralmente. Essa exigência foi no intento de captar, segundo os organizadores, as reais convicções sobre os tópicos abordados, ou seja, para que não fosse permitido um tempo maior de elaboração da resposta.

Os escolhidos deveriam ter ainda mais de vinte anos de experiência como professores e pesquisadores. Não há detalhamento na explicação desse critério,  certamente pensado a fim de que as respostas trouxessem uma visão mais ampla dessa ciência que, sabemos, ainda é muito nova. Ou ciência-bebê, como a denominou um dos entrevistados. 

O resultado dessa seleção e das respostas é fascinante por permitir ao leitor um passeio por divergentes formas de encarar um mesmo fenômeno devido à diferentes linhas de pesquisa.

Foram selecionados pesquisadores de vários centros universitários, sem privilegiar uma ou outra região. Os escolhidos deveriam gozar de prestígio perante seus pares e indicar quem seria o próximo a ser entrevistado.  São eles: Maria Bernadete Marques Abaurre; Eleonora Cavalcanti Albano; José Borges Neto; Ataliba de Castilho; Carlos Alberto Faraco; José Luiz Fiorin; João Wanderley Geraldi; Francisco C. Gomes de Matos; Rodolfo Ilari; Mary Kato; Ingedore Grunfeld Villaça Koch; Luiz Antonio Marcuschi; Maria Cecília Mollica; Diana Luz Pessoa de Barros; Sírio Possenti; Kanavilill Rajagopalan; Maria Martins Margarida Salomão e Carlos Vogt.  

Foram feitas dez perguntas: Que é língua?; Qual a relação entre língua, linguagem e sociedade?; Há vínculos necessários entre língua, pensamento e cultura?; A linguagem tem sujeito?; Que é lingüística?; A lingüística é ciência?; Para que serve a lingüística?; A lingüística teria algum compromisso necessário com a educação?; Como a lingüística se insere na pós-modernidade?; Quais os desafios para a lingüística no século XXI?

Não se trata de uma espécie de introdução à lingüística. Os textos apresentam um grau de complexidade que certamente será melhor apreendido por pessoas já apresentadas aos estudos lingüisticos e aos seus objetos, métodos e resultados. A teoria de Chomsky, a pós-modernidade, semiótica, lingüística textual, análise do discurso. Enfim, quem não tiver uma noção sobre cada campo poderá não perceber a importância do somatório resultante da fala de cada pesquisador.

Ao mesmo tempo que pode ser de difícil leitura para iniciantes, o livro é altamente recomendável e imperdível para todos aqueles que estão no momento de reflexão e repensar sobre os resultados alcançados pela lingüística e o que se pode fazer diante das novas demandas sociais, as quais acabam por determinar também novas demandas dos estudos lingüísticos.

TÂNIA BRAGA GUIMARÃES

     

 


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