Palestinos:
O Dia da Terra
Maurício
Tragtenberg
Amanhã, dia 30, o povo palestino
comemora o “Dia da Terra”, que surgiu
como lembrança histórica da resistência
que em 1976, os vários palestinos da Galiléia
(território ocupado em 1948) manifestaram
contra a invasão e ocupação de suas terras
pelo Estado em Israel.
Como acontece nessas ocasiões houve
repressão e violência por parte das autoridades
militares de ocupação, onde foram indiscriminadamente
atingidos homens, mulheres, velhos e crianças.
É impossível destruir um povo que por
mais de trinta séculos construiu sua cultura,
suas obras materiais e espirituais.
Enquadrada no plano da destruição
da cultura e identidade do povo palestino
estão as universidades palestinas construídas
nas ‘zonas ocupadas’ pelo Estado em Israel.
Através da Ordenança Militar 854,
uma das 1.080 ordenações militares que
modificam a legislação jordaniana, em
vigor na Cisjordânia, o Estado detém em
suas mãos a permissão de funcionamento
de qualquer instituição educacional, que
implica no controle pelas autoridades
do pessoal acadêmico, dos programas e
manuais de ensino.
Uma das iniciativas que afetou
gravemente o funcionamento das universidades
palestinas nas ‘zonas ocupadas’ foi que
a partir de 1983 os professores estrangeiros
–na realidade palestinos com passaportes
de diversas nacionalidades estrangeiras
– tenham que assinar uma declaração, segundo
a qual, comprometem-se a não dar apoio
algum à OLP nem a qualquer organização
terrorista. Ante a recusa unânime
do corpo de professores em assinar tal
ignominioso papel, a repressão foi terrível.
A Universidade d’An-Najah
teve dezoito professores expulsos, enquanto
outros três que estavam no Exterior foram
proibidos de ingressar na Cisjordânia.
Bir-Zeit perdeu cinco e a Universidade
de Bethléem perdeu doze de seus professores.
É o que também pensamos. O “Dia
da Terra” é a reafirmação de um povo que
pode ser expropriado, espezinhado, torturado,
caluniado;vencido nunca.