Por ANA MARIA DE OLIVEIRA
Professora – Ensino Fundamental e Médio e Educação de Jovens e Adultos/Mestre em Literatura Comparada - UFSM


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A moralidade como instrumento de censura: Álbum de Família de Nelson Rodrigues e sua reelaboração da Triologia Tibetana

 

Desde os tempos mais remotos a humanidade procurou organizar-se em grupos com o intuito de proteger a espécie, buscar a sobrevivência e dominar a natureza. Por isso, agrupou-se em famílias, clãs ou tribos e foi estabelecendo normas de convivência que objetivavam o bem da coletividade. No entanto, o desejo de satisfazer alguns impulsos contidos impeliu o ser humano a romper com a ordem estabelecida e manifestar sua insatisfação.

Nelson Rodrigues desde a sua primeira peça A mulher sem pecado [1] , até a última A Serpente [2] , suscitou as mais diferentes reações a sua produção – elogios, críticas, vaias, aplausos, apoio e censura. Por abordar e expor os traumas morais e sexuais da classe média, quase que exclusivamente a carioca, o autor tornou-se uma figura polêmica e a censura, do Estado e da sociedade, condenou seus textos a um julgamento moral e não estético. Assim, é objetivo deste texto propor caminhos para a investigação das manifestações de censura moral, utilizadas para condenar ao silêncio alguns textos teatrais de Nelson Rodrigues. Para tal, a proposta é cruzar a peça Álbum de Família com textos clássicos da Tragédia Grega, especificamente a Trilogia tebana, mostrando que os temas abordados na composição rodrigueana – traição, adultério, homossexualismo, morte violenta, incesto - acompanham a humanidade desde os seus primórdios.

Engels, em seu livro A origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado, elabora considerações a respeito da formação destes três elementos sociais a partir dos estudos de L. H. Morgan, mostrando que a estrutura familiar passou por várias transformações até chegar à chamada família monogâmica. Por se tratar da estrutura fundamental que o texto rodrigueano aborda torna-se imprescindível uma rápida incursão pelos estágios passados por ela.

A tradição judaico-cristã apresenta a família como uma instituição alicerçada nos laços de sangue e na relação harmônica entre pai, mãe e filhos. Entretanto, as mudanças ocorridas ao passar dos séculos provam que este é um padrão que já não se sustenta mais, uma vez que há distintas formas de se formar um núcleo familiar (pais separados e sozinhos, pais separados e com outros/as companheiros/as, casais homossexuais).Os tipos de família apresentados por Engels são quatro: consangüínea, punaluana, sindiásmica e monogâmica.  Na primeira, todos os homens e todas as mulheres de uma tribo eram maridos e mulheres em comum, sem divisão de laços sangüíneos; no segundo tipo, eram maridos e mulheres em comum, excetuando-se os irmãos e irmãs; na família sindiásmica introduziu-se um elemento novo: junto à verdadeira mãe foi posto o verdadeiro pai, o matrimônio não era indissolúvel, mas pressupunha a fidelidade; por fim, a família monogâmica surgiu a partir  do casamento sindiásmico e, ao contrário do que se possa imaginar, a mudança não se efetuou por exigências morais, mas econômicas e fortemente alicerçada em uma estruturação repressora. 

Assim, se a sociedade é repressora, automaticamente a família também o será. Torna-se óbvio que qualquer relação existente fora dos padrões consentidos será objeto de condenação. Quando Nelson Rodrigues expõe as mazelas sexuais da classe média, o faz através de um ângulo grotesco e trabalha os indivíduos cheios de cotidiano, linguagem coloquial e vida interior agressiva. A escolha desta opção estética fez com que a obra, e o próprio autor, sofressem a censura imposta pela sociedade e pelo Estado. Procedamos, então, à identificação de algumas das causas que levaram a sociedade e o Estado a censurar Álbum de Família pelo período de 22 anos. 

Michel Foucault, em seu livro Verdade e Poder, elabora considerações a respeito do macropoder e dos micropoderes, escrevendo que para o macropoder se perpetuar é necessário que as suas características sejam reproduzidas em micropoderes na rotina da vida social. Dentre esses, está incluída a família com seus traços marcadamente reprodutores do contexto cultural e social. Na obra rodrigueana a presença constante de temas controlados pela força moral cria um efeito estético de impacto e desencadeia a reação da sociedade e do Estado, principalmente porque o autor faz da família seu alvo de ataque.

As peças rodrigueanas são registros estéticos da face desagradável que os seres humanos querem esquecer, pois estão aí para lembrar a efemeridade humana e mostrar uma visão em negativo da mesma. Ao contrário da visão clássica da dramaturgia, que exaltava a razão, o exemplar, o heroísmo e a santidade, o autor revela o contraditório do ser humano: o amor e o ódio, a carne e a alma, a morte e a vida. Em Álbum de Família o relacionamento das personagens é sempre pautado em emoções fortes e extremadas, os membros da família nutrem entre si sentimentos antagônicos de raiva, desprezo, ódio, amor e paixão. Os laços que unem Jonas, Senhorinha e sua descendência não são aqueles esperados pela sociedade, eles escondem segredos que dificilmente seriam aceitos com naturalidade. Além disso, a peça apresenta uma tensão dramática inspirada na atmosfera do incesto e, por isso, foge ao controle dos códigos estabelecidos.

O imbricamento dos textos clássicos da Trilogia Tebana e de um texto moderno – Álbum de Família, faz surgir características que proporcionam a análise de aspectos narrados em obras do mesmo gênero, em tempos distantes entre si, mas que conservam em suas estruturas elementos atemporais. Neste caso específico, os contribuintes para o processo de discussão fazem parte do universo do ser humano, mas, mesmo assim, são tidos como agressivos e fora dos padrões. A referência é direcionada à morte violenta, ao lesbianismo, à traição e, principalmente, ao incesto.

Álbum de Família ficou censurada durante 22 anos, mesmo trabalhando com temas que acompanham a humanidade desde tempos muito remotos, tratados na clássica Tragédia Grega. Passemos, então, a exemplificar tal afirmação.

A marca trágica da morte

A morte, fenômeno natural inerente ao ser humano, é uma das poucas certezas que a humanidade possui. Entretanto, faz parte do seu imaginário e da sua esperança prolongar o máximo de tempo possível a existência sobre a Terra. Assim como faz parte da perspectiva humana morrer de forma natural e com idade avançada, pois lembrar constantemente a efemeridade e a mortalidade é um processo agressivo por representar a imagem do desconhecido.

Elaborada esteticamente de maneiras distintas nos diferentes contextos de produção, a morte foi trabalhada por Sófocles e por Nelson Rodrigues como o alívio contra todos os pesadelos da vida. Sófocles trabalhou a morte na perspectiva de solução aos erros cometidos pelos mortais, contra seus iguais e contra os deuses, como forma de pagar pela desobediência e rebeldia. Ela surge como a grande redentora dos males praticados pelos humanos porque não é representada apenas pelos mortos, mas por todos os que sofrem. Suas penas são diferentes tipos de morte e elas aparecem fartamente tanto no texto de Sófocles quanto no de Nelson Rodrigues. Assim, além das mortes físicas temos várias outras representadas pelos castigos sofridos pelas personagens. Na trilogia tebana, a cegueira de Édipo, o vagar de Antígona acompanhando o pai/irmão, o desespero de Creonte após a morte do filho e da esposa. Em Álbum de Família, a loucura de Nonô, a autocastração de Guilherme, as violações praticadas por Jonas, a solidão e o desprezo que acompanham Rute, a impotência de Edmundo, a humilhação sofrida por D. Senhorinha e os sentimentos incestuosos que têm uns pelos outros.

A morte e o castigo, que é uma forma de morrer, são os meios através dos quais as personagens expiam suas culpas, não como um recurso para dar o fim inevitável à vida, mas como instrumento de vingança e penalidade, quase sempre de forma horrível e grotesca. Carrega, portanto, em si a tragédia e são fartos os exemplos de castigos e mortes que acontecem na trilogia tebana e em Álbum de Família. Nos textos de Sófocles Laio é assassinado pelo próprio filho, supostamente em conseqüência da maldição lançada por Pélops por ter tido seu filho, Crisipo, raptado por Laio que nutria uma paixão mórbida pelo rapaz; Etéocles e Polinice matam-se na disputa pelo poder; Antígona é condenada a morrer trancada em uma caverna; Hêmon e Eurídice suicidam-se. No texto de Nelson Rodrigues Nonô enlouquece após ter mantido contato sexual com a mãe; Edmundo não consegue relacionar-se sexualmente com a esposa, Heloísa, porque ama D. Senhorinha e suicida-se ao tomar conhecimento do que ocorrera entre ela e Nonô; Guilherme mutila-se, mata Glória e suicida-se; D. Senhorinha mata Jonas e vai ao encontro de Nonô.

Por exercer, simultaneamente, fascínio e medo, repulsa e atração, e trazer em si uma aura de mistério, a morte é um componente essencial da tragédia. As composições de Sófocles e de Nelson Rodrigues souberam trabalhar com tal tema e, por isso, os autores receberam o reconhecimento do público. Com recepções distintas, obviamente, mas sempre lembrados.

A traição

O ato de trair nas suas diferentes formas de se manifestar: traição pelo poder, pelo dinheiro, por vingança ou amorosa, condenado pela sociedade, é, entretanto, representado esteticamente há muito tempo, a exemplo da traição bíblica de Adão e Eva. O mundo literário está farto de criações estéticas que retratam traições famosas: Oréstia, Ésquilo; Otelo, Shakespeare; Teresa Raquin, Zola e tantas outras. Os textos literários que abordamos também elaboram a traição de maneiras distintas. Na Trilogia Tebana as traições se manifestam mais na disputa pelo poder, sem rodeios, de forma clara e objetiva; em Álbum de Família sua manifestação é subjetiva e dissimulada.

O autor grego aborda a disputa pelo poder como algo propenso ao castigo: Etéocles e Polinice matam-se; Antígona perde a vida; Creonte perde o filho e a esposa. Para os gregos a justiça sintetiza o valor moral supremo, e agir de maneira correta, ou seja, moralmente, significa respeitar a medida de cada um (metron) e seguir a lei da sociedade (polis). Os filhos de Édipo, após abandonarem o pai à própria sorte, ao atingirem a maioridade, fazem um acordo de alternância no trono. Mas Etéocles se recusou a deixar o trono e entregá-lo a seu irmão Polinice. Este uniu-se com o sogro Adrasto e marchou contra Tebas. Dupla traição: Etéocles não respeitou o acordo feito com o irmão e Polinice marchou contra seu próprio povo. Em Nelson Rodrigues as traições são mais de cunho sensual. Entretanto, se considerarmos o destronamento simbólico do poder patriarcal, podemos afirmar que os filhos homens de Álbum de Família buscam constantemente eliminar a figura do pai. Assim, Edmundo e Nonô querem eliminar o pai para receber as atenções da mãe, por quem nutrem um amor incestuoso; e Guilherme, para obter a atenção da irmã, pela qual é apaixonado. Não deixa de ser a manifestação do desejo da morte do pai, uma forma de usurpar o seu lugar. A única posição destoante deste quadro é a de Glória que reverencia o pai, vendo nele uma imagem sacralizada:

GLÓRIA (transportada) – Papai, não. Quando eu era menina, não gostava de estudar catecismo... Só comecei a gostar – me lembro perfeitamente – quando vi, pela primeira vez, um retrato de Nosso Senhor... Aquele que está ali, só que menor – claro! (desfigurada pela emoção) Fiquei tão impressionada com a SEMELHANÇA! (RODRIGUES, 1981: 92)

À semelhança de Antígona, que foi a única a auxiliar e acompanhar Édipo desde o início do seu exílio, Glória é a única a defender o pai, contrariando todas as argumentações apresentadas por Guilherme. Para ela não importava o que o pai tinha feito, seu ódio era dedicado à mãe.

Em relação às traições de cunho amoroso, na trilogia tebana há somente dois momentos que podem ser considerados casos de traição por amor, e não propriamente amorosa: o primeiro quando Antígona abandona Tebas, sua pátria, para acompanhar o pai/irmão; o segundo, ao desobedecer às ordens de Creonte e fazer os ritos funerais do irmão, Polinice. No texto rodrigueano, entretanto, as traições possuem um cunho mais sensual, respondem aos apelos do corpo e transcorrem dentro de um grupo fechado, uma família reduzida aos seus membros e uma ou outra pessoa de fora. Neste cenário, as personagens de Álbum de Família cometem traições dentro do gueto familiar – D. Senhorinha trai o marido, Jonas, com o filho Nonô; Jonas trai a esposa, D. Senhorinha, com Rute, irmã da primeira; Jonas comete o adultério dentro da própria casa, com meninas de 12 a 16 anos, auxiliado pela cunhada Rute.

Como podemos constatar, o tema da traição foi abordado por dois autores que tinham entre si mais de um milênio de distância porque sua elaboração estética existe em função da existência humana. De vida longa, portanto.

Homossexualismo/lesbianismo

Abordar as relações homossexuais em obras literárias tem sido uma constante e tal escolha proporcionou composições trágicas que foram na contramão da nossa civilização, cuja tendência é valorizar o alto, a cabeça, a superioridade racional.

A maldição dos Labdácidas teve origem principal no rapto de Crisipo, filho do rei Pélops, praticado por Laio que nutria pelo rapaz um amor contra naturam. Este ato inaugurou na Grécia, ao menos mitologicamente, a pederastia, fazendo com que Laio fosse amaldiçoada por Pélops e a partir daí iniciasse toda a trajetória de desgraças da geração de Lábdaco, pai de Laio.

A apresentação de personagens de aparente normalidade, mas que nos desvãos da sociedade deixam emergir os instintos e cometem uma série de crimes vinculas ao comportamento sexual, fez com Nelson Rodrigues trabalhasse com os impulsos incontroláveis da sexualidade, valorizando o baixo, o corpo. Os envolvimentos amorosos, na obra rodrigueana, fogem aos padrões de “normalidade” estabelecidos pelas regras sociais. Desta forma, em Álbum de Família a relação lésbica entre Glória e Teresa aparece logo no início da peça, quase como um prólogo, e tem como finalidade precipitar os acontecimentos. Ao ser descoberta a relação entre as duas, ambas são expulsas do internato e Glória volta para casa impulsionando a revelação dos segredos da família.

Abordar as relações sexuais entre seres do mesmo sexo em obras literárias tem sido uma constante. Entretanto, a forma de trabalhar e a recepção que tal tema recebe são determinadas pelo contexto do qual fazem parte. Em certos momentos, as relações homossexuais puderam (podem) ser narradas sem maiores sobressaltos. Porém, não é o caso das obras de Sófocles e de Nelson Rodrigues. A própria maldição dos Labdácidas é determinada pela amizade Contra naturam que Laio tinha por Crisipo. Ou, mais precisamente, pelo sentimento contrário ao que a natureza determinava, no entender da sociedade grega. Quando Laio desrespeitou a hospitalidade de Pélops, ofendeu Zeus e Hera, guardiã severa dos amores legítimos, e precipitou a própria desgraça e de toda a sua geração.

Em Álbum de Família, a relação amorosa entre dois seres do mesmo sexo é demarcada, ainda, pelo ambiente (internato religioso) e por envolver duas mulheres, pois ao que nos parece, os casos narrados literariamente sempre foram em sua maioria envolvendo o gênero masculino. Apresentar uma complicação e desmistificar rompe com a tradição que está convencionada, provocando as mais diversas reações.

A aura desagradável do incesto

Engels (2000), em seu livro A origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado, aborda a formação da instituição familiar e faz uma constituição retrospectiva da história da família afirmando que “...existiu uma época primitiva em que imperava no seio da tribo, o comércio sexual promíscuo, de modo que cada mulher pertencia igualmente a todos os homens e cada homem a todas as mulheres”. Desta forma, é possível afirmarmos que as relações sexuais primitivas eram regidas pela promiscuidade e que laços sangüíneos não tinham a menor importância, uma vez que as palavras “pai”, “mãe”, “irmã” e “irmão”, entre outros graus de parentesco como os conhecemos, possuíam valor diverso daquele que lhes é atribuído atualmente.

As obras literárias que trazem em si indagações a respeito das relações familiares, comumente se transformam em ameaças porque trabalham com o desmonte da imagem tradicional da constituição familiar, alicerçada nos laços de sangue. O incesto, praticado livre e consentidamente na família consangüínea (primitiva), a partir dos primeiros indícios de monogamia e patriarcado, passou a ser motivo de vergonha e condenação. Este posicionamento é decorrente das relações estabelecidas como permitidas ou proibidas, de acordo com aquilo que é incorporado como “belo” ou “feio”. No caso do incesto, objeto passível de tratamento poético-dramatúrgico, o incesto por sua natureza coercitiva é, ainda hoje, objeto de tratamento dramático, como o foi entre os gregos.

Consideremos, contudo, que na situação mágico-mítica ateniense o castigo do herói infrator era desígnio divino e na obra em questão – Álbum de Família – as personagens que imitam ações de incesto não são julgadas. Isto acontece porque na narrativa de Sófocles o destino (Moira) se encarrega de traçar o caminho das personagens, sem que elas tenham oportunidade de modificar seus desígnios, causando impacto através do trágico que marca o fim de suas vidas. A platéia fica condoída com o desenrolar dos fatos e sensibiliza-se com o castigo recebido pelo herói, porque ele não sabe que cometeu um erro. Em Nelson Rodrigues, a platéia convive numa situação de proibição de incesto e sente-se agredida em suas crenças e estereótipos de convivência social, porque acredita ser boa em conseqüência da observação das normas exogâmicas, enquanto as personagens vivem regidas pela endogamia. O grande diferencial é que na obra sofocleana os erros são cometidos de maneira inconsciente, enquanto que na rodrigueana os envolvidos têm plena consciência dos seus laços sangüíneos.

É por isto que o texto de Nelson Rodrigues resultou em um teatro considerado como grosseiro, povoado de incestos perpetrados ou idealizados, agressivo e recheado de cenas de crueldade, fazendo com que a crítica e a censura fossem impiedosas.

O fato da platéia, da crítica e da censura ter conhecimento do parentesco de sangue das personagens, fez com que houvesse uma tendência natural de nivelar o plano estético com o ético-político. Neste caso, conforme escreveu Mário Guidarini (1980), “A única atitude coerente do público seria de gostar ou não gostar da peça. Se gostar, apesar do conteúdo desagradável, então o público percebe a obra esteticamente e não ético-politicamente”.

Esta breve elaboração do imbricamento dos textos de Sófocles e Nelson Rodrigues fez uma rápida incursão pelas forças inerentes ao ser humano: ódio, amor, morte, incesto, humilhação e crueldade. E foi ao analisarmos a demonstração destas forças que pudemos concluir que a censura se posicionou de maneira implacavelmente moral no que se refere a Álbum de Família, porque as manifestações do desejo são naturais, mas trabalhar dialeticamente com a descrição do prazer e da náusea implica em admitir o corpo como suporte indesejável para a manifestação da vida.


Notas:

1- Teatro Completo de Nelson Rodrigues, v. 01

2 - Idem, v.04

BIBLIOGRAFIA

ENGELS, Friedrich. A origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado. Rio de Janeiro: Bertrand, 2000.

FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. Rio de Janeiro: Graal, 2000.

GUIDARINI, Mário. Esboços do Projeto Dramatúrgico de Nelson Rodrigues. Ensaios de Filosofia da Arte. UFSC, 1980.

RODRIGUES, Nelson. Teatro completo - v.02 (Organização e introdução de Sábato Magaldi). Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981.

SÓFOCLES. A trilogia tebana (Tradução e apresentação Mário da Gama Kury). Rio de Janeiro: Zahar, 2001.


ANA MARIA DE OLIVEIRA

     

 


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