O Hamas e a Jihad, os principais grupos fundamentalistas
precisam manter o terrorismo por que acreditam que
desta forma poderão obter o poder político num futuro
Estado Palestino. Com uma população praticamente
vivendo da ajuda que recebem (até para comer), estes
grupos cumprem a função que seria do estado, de
prover alimentação e saúde para o povo. Misturam
religião e política e são muitas vezes, as únicas
fontes de ajuda para muitas famílias. Em troca,
exigem o sacrifício de alguns pela causa. O suicídio
é saudado como um ato de “martirização” e a família
é bem recompensada.
Iasser Arafat e os grupos ligados a Al Fatah também precisam
manter o terror como forma de se contrapor aos fundamentalistas.
Arafat precisa mostrar ao povo palestino que a luta
continua, e que ele não os abandonou. O terrorismo
que ele praticou por toda sua vida continua sendo
uma forma de se manter no poder. Impossibilitado
de combater os grupos radicais sem causar uma guerra
civil, não lhe resta alternativa senão usar da mesma
tática. Ainda assim, Arafat apesar do descrédito
que possui junto aos EUA e ao atual governo de Israel,
continua sendo a chave para o sucesso de qualquer
acordo de paz.
Ariel Sharon também tem interesse em manter as coisas como
estão. Mesmo tendo sido eleito prometendo paz e
segurança, ele continua fazendo do combate ao terrorismo
seu maior trunfo para se manter no poder. Com a
economia do país fazendo água, não lhe resta alternativa
já que ardilosamente colocou na pasta de economia
seu maior rival político. Sharon sabe que enquanto
o terror continuar não será pressionado a desmantelar
as colônias ou entregar território, o que poderia
ameaçar a coalizão que o mantém como primeiro-ministro.
Desta forma ele alimenta o terror, e se alimenta
dele.
Os colonos israelenses também têm interesse direto no terrorismo
e não disfarçam isso. Sabem que enquanto ele continuar,
têm garantido sua permanência nos territórios. Enquanto
isso, um muro é construído para que ocupem mais
terras e impossibilite a criação de um Estado Palestino
viável. Os vilões tentam passar como heróis que
fazem a linha de frente daqueles que ainda sonham
com a Grande Israel.
Qualquer um sabe que não se combate violência com mais violência.
Só o fazem assim os desprovidos de qualquer propósito
lógico, ou os que desejam viver se alimentando dela.
Empregar força bruta pode até abortar algumas ações
de curto prazo mas são a fonte de inspiração para
o planejamento de outras a médio e longo prazo.
Toneladas de bombas foram jogadas no Afeganistão
e nem assim o terrorismo foi contido. Os EUA já
perderam mais soldados depois da guerra do que durante
as batalhas para a conquista do Iraque.
A única forma de se combater o terrorismo é atacando as suas
causas. No conflito israelense-palestino elas são
bastante claras e conhecidas: a ocupação dos territórios
que poderia ser resolvida com a retirada de Israel
para a linha de 1967, com a criação de um Estado
Palestino na Cisjordânia e Gaza, a entrega dos bairros
árabes de Jerusalém para transformá-la na capital
de dois estados, e uma solução justa para o problema
dos refugiados. Isto faria com que tivesse inicio
uma imediata recuperação das duas economias, e um
processo de reconciliação que permitisse acordos
bilaterais em todas as áreas do desenvolvimento.
As pessoas empregadas e livres para prosperarem,
deixariam de ser reféns dos grupos radicais. Ninguém
nasce terrorista.
O terrorismo é raro e praticamente não existe mais em países
desenvolvidos onde a democracia está bem assentada.
A prosperidade e o conforto de um futuro sem guerras
são a chave para acabar com as desavenças e permitir
aos dois povos viverem em paz. Esta é a única fórmula
viável para se acabar com o terrorismo e o sofrimento
dos dois povos.
Uma vez conhecidas às causas e a solução, ainda cabe aqui
uma última pergunta: a quem interessa a paz e a
reconciliação?