Por ESTHER KUPERMAN
Historiadora


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ASA - Gênese e trajetória da esquerda judaica não sionista carioca

 

“Seja a Tua casa um lar de reunião de sábios, não subestimes a mais singela das suas idéias; e sedento de saber, bebe as suas palavras.

Esteja a Tua casa amplamente aberta, e sejam os pobres os filhos da tua casa”.

Pirkei Avot

Perek Rishon

 

ASA - Ógão Informativo, nº 84, set./out. 2003Este trabalho busca resgatar as origens da ASA – Associação Scholem Aleichem, fundada no início dos anos 20, principal espaço de reunião da esquerda judaica carioca desde o começo de sua existência. Surgida a partir da BIBSA, Biblioteca Israelita Scholem Aleichem, fundada por imigrantes judeus, faz parte de um conjunto de instituições que possuem orientações políticas semelhantes, dentre as quais enumeramos, além da BIBSA, a Biblioteca David Frishman, em Niterói, o Colégio Israelita Brasileiro Scholem Aleichem, a escola Israelita Brasileira Eliezer Steinbarg, o Colégio Hebreu Brasileiro, a Cozinha Popular da Praça Onze – a Árbeter Kich (Cozinha do Trabalhador), o Socorro Vermelho Judaico (BRAZCOR), o Centro Obreiro Brasileiro Morris Wintschevsky e a Sociedade Beneficiente das Damas Israelitas Froien Farain.

Seu primeiro endereço conhecido foi a rua São Leopoldo, atualmente Rua do Carmo, na região central do Rio de Janeiro. Mais tarde a BIBSA foi transferida para a Rua Senador Euzébio, na famosa Praça Onze, região onde se localizavam muitos judeus recém chegados da Europa e onde, segundo Abraham Schneider, floresceu um pequeno “shtetl” no Rio de Janeiro. Lá, segundo Schneider, concentrava-se a maioria do comércio judeu do Rio de Janeiro, com suas barbearias, pensões, alfaiatarias e açougues onde só se vendiam produtos kasher. [1]

A organização de instituições que agrupassem os judeus ligados ao campo socialista pode ser vista como uma necessidade que se colocava para além da construção de laços de solidariedade e sociabilidade, pois estas poderiam ser perfeitamente solucionadas pelas demais instituições criadas pela comunidade carioca. Muito mais importante do que a construção de uma rede de solidariedade seria a existência de referenciais políticos comuns entre seus membros,  Bem como a necessidade de difundir e discutir idéias, mas também a criação, por força de uma resolução do PCB, de um Setor Judeu no Partido Comunista Brasileiro, que se manteve ligado ao Setor de Finanças do Partido até meados da década de 1940. Cabia a este setor garantir, inclusive, a segurança de seus militantes, visto haver sempre a possibilidade de extradição, caso algum judeu comunista fosse preso pela polícia política de Vargas. E era também sua atribuição contribuir para as campanhas de arrecadação de fundos para o Partido. [2] Um outro motivo para a criação do Setor Judeu foi, segundo depoimento de Luís Mendel Goldberg, a tentativa de “evitar denunciantes” [3] . Mas, apesar desta tentativa, a existência de delatores entre as fileiras dos militantes da BIBSA era reconhecida por todos, segundo relato de Schneider:

“A partir de 1937 passamos a viver o tormento da ditadura de Vargas. A BIBSA era extremamente visada pelo DOPS, a polícia de Felinto Muller, que, entre outras restrições às liberdades individuais, impedia-nos de falar ídish. Para isso, enviava às nossas reuniões um indivíduo, Nicolau Zimerman, de origem romena, delator responsável pela prisão e assassinato de inúmeros companheiros nossos, operários, alfaiates, sapateiros, carpinteiros, ferreiros, vendedores, todos jovens, sedentos de uma sociedade mais justa.” [4]

O vínculo orgânico entre a BIBSA e o PCB datava dos primeiros anos de existência do Partido e da própria Biblioteca, e pode ser confirmado pela realização de uma Conferência do PCB na sede da BIBSA, segundo o relato de um dos dirigentes do PCB à época, Octávio Brandão:

“O Estado de sítio continuava. A polícia estava preocupada com o Carnaval. Aproveitando o momento, em fevereiro de 1925, no Rio de Janeiro, na sede de um centro cultural israelita, num sobrado à rua Senador Euzébio, hoje Avenida Vargas, perto da Praça Onze, realizou-se ilegalmente a Conferência de Delegados de células e núcleos (frações sindicais) comunistas do Rio de Janeiro e Niterói, em conjunto com a Comissão Central Executiva do PCB. Esta Conferência lançou os fundamentos da reorganização do PCB sobre a base de células.” [5]

A Conferência realizada na sede da BIBSA teve ainda por objetivo a organização do II Congresso Nacional, ocorrido em maio de 1925, o que revela sua importância para o Partido e seu estreito vínculo com o Setor Judaico.

Além do Setor Judaico, que após a década de 1940 foi incorporado ao Setor de Massas do Partido, havia também aqueles judeus que se envolveram diretamente nas outras estruturas do Partido e que participavam das chamadas “lutas gerais”, como Olga Benário Prestes, Paulo Gruber, Salomão Malina, Jacob Gorender, Maurício Grabois, Elise Ewert, Arthur Ewert e Victor Baron, Leôncio Basbaum, sendo que após o levante comunista de 1935, a repressão que se abateu sobre os comunistas levou à prisão e deportação de Olga Benário Prestes, Geny Gleizer, Moishe Lipes, Elise Ewert e ao fechamento da BRAZCOR e da Árbeter Kich. Muitos membros da BIBSA foram presos, torturados e fichados, alguns enviados para a Ilha Grande, outros libertados. Um dos últimos presos foi  Tobias Warszawki, que, segundo o relato de Schneider, foi morto no segundo dia de prisão. [6]

Em 27/11/1935 quando a polícia política invade e fecha o BRAZCOR a sede da Biblioteca é mencionada pelos investigadores do DOPS como sendo Senador Euzébio n0 59, sobrado, em cima da Farmácia Normal. Samuel Malamud, em seu depoimento,  menciona os dois números.. [7]

Mas apesar da invasão e do intenso controle por parte da polícia política a BIBSA continuou funcionando e mantendo atividades culturais.intensas e diversificadas e, com a saída de Felinto Muller da chefia de Polícia, o uso do ídisch já não era tão restrito.

A Biblioteca permitia que os sócios retirassem livros, a maioria em idisch, para ler em sua residência. Promovia debates literários, conferências, noites de perguntas e respostas e discussões sobre assuntos políticos, utilizando sempre o idisch. [8]

Para os membros da BIBSA, a utilização do idisch nos eventos e reuniões era fundamental, tanto pelo fato de ser a língua comum a todos os imigrantes judeus, como também por ser uma língua emblemática, pois desde a Conferência de Czernowicz, em 1908, foi considerada a língua nacional judaica. Neste sentido, a proibição de seu uso pela polícia política não tinha apenas o objetivo de garantir o entendimento, por parte dos investigadores, de tudo o que era dito ou escrito pelos membros das organizações judaicas, mas também teria sido uma forma de esgarçar os laços entre os membros da comunidade.

Em meados dos anos 40, o prédio da Rua Senador Eusébio já não comportava mais o número de freqüentadores das atividades, mas só em 1956 foi possível adquirir uma outra sede, em plena Cinelândia, bem em frente à Biblioteca Nacional.

A freqüência às atividades da BIBSA não estava condicionada, a princípio, a linhas ideológicas. Mas os dados disponíveis indicam que no seu interior já era latente, na década de vinte, o confronto idiomático entre hebraístas e idishistas - o mesmo conflito que se manifestara na Conferência de Czernowicz, bem como o ideológico: pró ou contra o comunismo. Em 1927 o confronto direto ainda não se potencializara, o que garantiu a Samuel Malamud tornar-se secretário da instituição.

O vínculo entre a BIBSA e o PCB pode ser entendido também em virtude da  maioria dos membros da BIBSA ter pertencido aos quadros do Partido e a própria Biblioteca, na verdade, representava muito mais do que uma simples instituição cultural e recreativa, mas, principalmente um espaço político que agregava os judeus de esquerda,  onde era possível debater temas ligados à sua militância.

Mas, a manutenção da hegemonia dos idishistas e socialistas nas instituições judaicas cariocas encontrava resistências por parte da corrente hebraísta: desde 1925 o apoio dado pela I.C.A. à formação de uma rede escolar judaica provocara um confronto entre sionistas/hebraístas e anti-sionistas/idischistas, o que torna evidente que diferenças políticas/linguísticas/ideológicas já eram latentes dentro da comunidade naquele ano. [9]

Ainda durante o Estado Novo, Moishe Goldfarb, ativista da BIBSA e membro do ICUF fundou a escola I.L. Peretz em Madureira. O crescimento da escola e a entrada de crianças de famílias sionistas gerou uma disputa pelo controle da nova instituição. Segundo Schneider, sionistas e progressistas levaram o confronto às últimas conseqüências:

“Uns não suportando os outros, acabaram convocando uma assembléia geral (...) para decidir com qual dos dois ficaria a escola. Os sionistas obtiveram a maioria dos votos, mas, de repente, levantou-se Moishe Goldfarb. Com toda calma, disse que eles estavam enganados se pensavam que ficariam com o que os progressistas haviam construído com tanto suor. Foi a deixa para começar a pancadaria. Briga feia mesmo. Precisou até chamar o delegado de Polícia.” [10]

Portanto, o conflito não se resumia à questão do uso de uma das línguas judaicas, mas a divergência expressava o embate entre duas perspectivas políticas distintas. A batalha se realizava em todos os campos. Um exemplo disto foi a reunião convocada para definir a participação na recepção por ocasião da vinda de Einstein ao Brasil, em 1925. O Rabino Raffalovich, já tendo criado uma entidade denominada Comunidade Israelita Brasileira com sede na Rua do Lavradio 198 viu-se frente à falta adesão das instituições já existentes quando tentou convocá-las a se apresentarem  na recepção preparada para Einstein. A reunião foi conturbada pela exigência de Schneider de ser o representante dos ashkenazim a partir de sua liderança na Federação Sionista.

Na reunião Gabriel Kohn liderava os sefaradim de origem marroquina, Jacob Schneider a Federação Sionista e a Biblioteca Scholem Aleichem era representada por Nathan Becker e Aron Schenker [11] . Nathan Becker em 1920 fizera parte da diretoria do Clube Juventude Israelita e em 1928 tomou parte na fundação do partido Poalei Tzion e Aron Schenker é apresentado por Malamud como militante da ala progressista já na década de 20. No final, os representantes da Biblioteca abandonaram a reunião, por não se sentirem contemplados.

Outra questão importante para os membros da BIBSA era a preocupação com a construção e consolidação de escolas que constituíssem um espaço para o campo socialista na área de educação, o que levou à fundação de uma outra instituição, o Colégio Israelita Brasileiro Scholem Aleichem. O vínculo do Colégio Scholem com a BIBSA fica explícito no depoimento de Moisés Genes – militante do PCB - a respeito de sua admissão como diretor do colégio:

“Quando obtive autorização do Ministério da Educação para o funcionamento do curso ginasial no Colégio Israelita Brasileiro Scholem Aleichem, na rua Ribeiro Guimarães 178 (não era Colégio, e sim escola primária), em fins de 1949, o Conselho de Pais designou dois de seus componentes para me entrevistar. Tinham por incumbência avaliar a minha capacidade de assumir a função de diretor do novo curso. (...) Uma das condições era possuir o registro de docente do MEC. Fui entrevistado pelos srs. Abram Szyman Wierzba e Abram Joseph Schnaider, ambos alfaiates artesãos, cultos imigrantes da Polônia e destacadas figuras da comunidade progressista judaica. O encontro ocorreu na antiga sede da Biblioteca Scholem Aleichem (BIBSA), na praça Onze, em cima do cinema centenário.” [12]

Durante toda a sua existência o Colégio Scholem caracterizou-se por ministrar um ensino laico, transmitindo uma visão de judaísmo universalista. Era conhecido na comunidade como o “Colégio de esquerda”. Em sua grade curricular o ídish era mais importante do que o hebraico e mesmo as aulas de História Judaica eram chamadas de “Ídishe Gueshichte”. Com a saída do Prof. Genes, em julho de 1973, o Colégio entrou em franca decadência, encerrando suas atividades em 1995.

A saída do Prof. Genes da diretoria do Colégio, sempre foi identificada como motivada por desentendimentos com a Diretoria de Pais. Mas, em seu depoimento, o Prof. Genes deixa entrever uma nova versão para o fato:

“(...) Os dois membros da intervenção branca tiveram a ousadia, a petulância de afirmar, com o maior cinismo, numa reunião, de que ‘o nível do Colégio estava caindo’. Cumpriam as ordens partidárias de encontrar algum pretexto negativo.” [13]

Não se tratava, portanto, de um desentendimento de ordem pedagógica ou administrativa, mas de uma questão partidária, uma divergência entre membros do PCB que atuavam na direção do Colégio.

Com o encerramento das atividades do Scholem, a responsabilidade sobre seu patrimônio foi entregue ao Colégio A. Liessin cujo Conselho tratou de promover imediatamente a venda da sede. Havia, ainda, no Colégio Scholem uma interessante biblioteca com obras em idisch, enviada, por um dos membros do Conselho Diretor, Sr. Niskier, ainda antes do seu fechamento, para os EUA, a pretexto de que lá “estariam sendo bem guardadas e conservadas”. Toda a documentação produzida por esta instituição encontra-se, neste momento, em poder do Colégio A.Liessin, mas a consulta a este acervo, segundo o mesmo depoimento do Prof. Genes, não tem sido facultada pelos atuais dirigentes deste Colégio.

O Colégio Scholem, durante toda a sua existência cumpriu o papel de difusor da cultura judaica de caráter idishista possuindo um projeto pedagógico que se destacava dentre as demais escolas judaicas. Nos anos 60 era considerado um dos melhores colégios do Rio de Janeiro. Seu vínculo com a BIBSA era explícito, mas a interferência do PCB no Colégio ainda não pode ser fundamentada através de documentos, apesar de ter sido dirigido, em grande parte da sua existência, por um membro do Partido.

Mas a BIBSA não era o local dominado pelos progressistas no início dos anos 20. Somente a partir de 1928 ficou sob hegemonia dos judeus comunistas, sendo a primeira instituição da comunidade a ter esta característica.

A conjuntura em que se deu a conquista desta hegemonia não diz respeito apenas à correlação de forças dentro da comunidade ou ao que Malamud descreve como uma  estratégica mobilização nas assembléias gerais das instituições para “provocar conflitos, estabelecer confusão e apoderar-se das diretorias”. [14]

A hegemonia dos setores progressistas vai ser resultado de questões mais amplas:

Na URSS em 1925  foi fundado O OZET, sociedade destinada a promover colonização dos trabalhadores judeus Ucrânia  na Rússia Branca e Criméia e a seção judaica Gezert.

Em 1929 O presidente do Soviet Supremo Michail Kalinim sugeriu um território judaico na URSS, sendo designada Birubidjan como região Autônoma Judaica destinada ao povo judeu.

Durante a década de 1930, Stalin acenou para os judeus soviéticos com a possibilidade de criar um centro de vida judaica em uma das repúblicas soviéticas, o que vinha de encontro aos anseios dos sionistas. Um país do tamanho da Bélgica, parte da antiga União Soviética, concentrou, durante algum tempo as esperanças entre os judeus da região de verem realizado o seu sonho de um lar nacional judaico – um local onde poderiam cultivar as tradições de seus antepassados e seguir sua religião abertamente.

Birobidjan foi o lugar escolhido por Stalin, em 1934, para criar a Região Autônoma Judaica. Mais do que preservar o judaísmo, Stalin estava interessado em povoar a região, ao longo da fronteira com a Manchúria, então ocupada pelo Japão, além de criar uma classe camponesa judaica que tivesse uma profunda ligação com aquele território. Para isso pretendia que o ídish servisse como elo fundamental para a formação de uma comunidade e de uma cultura judaico-soviética.

No entanto, a realidade mostrou-se diferente, e o sonho da população judaica desvaneceu-se diante da política autoritária de Stálin, logo após as primeiras migrações para a região autônoma. A área, contudo, ainda possui fortes traços de influência judaica até os nossos dias e atualmente passa por um processo de reflorescimento comum a quase todas as antigas repúblicas soviéticas.

A falência deste projeto e de outros congêneres fortaleceu as posições dos judeus ligados ao campo não sionista, enfraquecendo, conseqüentemente, os sionistas. Tal processo também teve seus reflexos nas disputas existentes entre estes dois campos nas demais comunidades judaicas, inclusive nas comunidades judaicas que viviam no Brasil, dando maior peso político ao campo não sionista representado pela BIBSA no Rio de Janeiro.

Mas os problemas enfrentados pelos membros da BIBSA não se resumiam às disputas políticas no interior da comunidade judaica. Havia também a constante vigilância do Estado sobre a comunidade e, em especial, sobre as instituições que reuniam a esquerda judaica.

No Brasil, durante o governo Washington Luís o relatório secreto de Carlos Reis elaborado em 1926 espalhava “provas” da infiltração e financiamento da agitação comunista através de países estrangeiros. Este relatório deu origem ao anteprojeto  de Aníbal Toledo aprovado e transformado no Decreto n0 5.221 de 12 de agosto de 1927 também denominado de Lei Celerada.

Complementava o acirramento do surto repressivo o Decreto n0 5.373 de 12 de dezembro de 1927 que aumentava o tempo de prisão para “colocadores e fabricantes de bombas”. [15]

Desde 10 de agosto de 1927 a polícia política varejava sindicatos, jornais e casas, apreendendo documentação, fechando jornais e entidades, prendendo operários, militantes anarquistas e comunistas e deportando estrangeiros. Instituiu-se “um novo regime de terror”. [16]

A partir da Lei Celerada pessoas físicas ficavam mais sujeitas à prisões arbitrárias (o caso de Leôncio Basbaum) [17] e as pessoas jurídicas entidades, clubes, etc, poderiam ser interditadas ou fechadas definitivamente. Este fato levou algumas atividades sociais e políticas a atuar numa espécie de semi-clandestinidade ou para a clandestinidade absoluta. O que determinaria esta diferença seria a tolerância das autoridades para agirem, permitindo ou impedindo o funcionamento das instituições, sendo que seu fechamento era feito mediante resolução do Ministro da Justiça frente à solicitação do Chefe de Polícia do Distrito Federal.

Após o episódio do fechamento da organização BRAZCOR em dezembro de 1935, segundo a DESPS, a freqüência à Biblioteca diminuiu, porque seus sócios temiam a ação da polícia, conforme afirmação de Mozek Niskier, memorialista judeu nascido na Polônia em 1916 em Ostrowiec, no Brasil desde os 20 anos em 8 de novembro de 1936:

“No início, durante o Estado Novo, a Biblioteca Sholem Aleichem tinha pouca freqüência. Eu, Lewis Feingold, Elias Zeitel e Herschel Mendt (?) fazíamos todas as atividades ainda na Praça Onze”. [18]

Niskier lembra que Sadia Lozinski como presidente da BISA enfrentava as restrições impostas pelo Estado Novo aos judeus como a de terem sido proibidas as reuniões em idisch e a presença do investigador de polícia judeu Nicolau Zimmerman que em 1935 teria denunciado a Cozinha Brascor [19] .

O próprio Niskier foi enquadrado pela polícia a partir de 1944:

“Moszek Niskier - Figura aqui registrado um cidadão de nome idêntico, sem qualificação entre os militantes comunistas desta Capital que, em 1944, mantinham ligações políticas com partidários do mesmo credo residentes em diversos Estados.

Aos poucos porém ela teria começado a funcionar mas com a ausência dos mais exaltados adeptos do comunismo” [20] .

A DESPS, em 1942, reportava a situação da Biblioteca:

"- Trata-se de mais uma das agremiações que foi autorizada a funcionar como “brasileira”, pelo Ministério a Justiça Cumpre salientar que a maioria dos seus associados é estrangeira. A Diretoria é Constituída, e isto por imposição desta Seção, de brasileiros naturalizados (não brasileiros natos):

Fato digno de nota é o de , aproximadamente três quartos dos livros que constituem a Biblioteca serem redigidos em idioma Ídisch”, sendo bastante reduzida a literatura vernácula..

As conferencias feitas em português (por imposição desta secçao, uma vez que se trata de agremiação brasileira), versam quase sempre sobre temas israelitas. Nas reuniões litero-musicais, são executadas, cantadas ou recitadas composições israelitas, entremeadas, as vezes, com números de compositores brasileiros. Esta agremiação, ultimamente, tem procurado atrair a juventude para o seu meio havendo, para realizar tal objetivo criado uma seção juvenil. [21]

Em 5 de outubro daquele ano, com o Brasil alinhando-se definitivamente contra o nazi-fascismo a Biblioteca realizou no Instituto Nacional de Música uma noite lítero-musical em benefício das vítimas dos torpedeamentos dos navios nacionais. Abriu a sessão Saadia Lozinsky seu presidente. A polícia política descreve o evento da seguinte forma:

“(...) falou sobre a cooperação dos judeus na luta contra Hitler não só no Brasil como também nos exércitos russos onde eles perfazem um total de cinco milhões de homens. [22]

As polícias políticas possuíam informações detalhadas a respeito do desenvolvimento de todas as reuniões que se realizavam na BIBSA:

“Em seguida usou da palavra Sr. Jacob Vainstock representante do Grêmio Hebreu Brasileiro que reafirmou a solidariedade hipotecada ao Governo do Brasil pelo aludido Grêmio quando do rompimento com os países do “Eixo”. [23]

Para driblar a vigilância da polícia política, após a guerra, os membros da BIBSA invocaram o temário anti-semita fundando Comitês de Combate ao Fascismo e ao Anti-Semitismo no Brasil. Foram criados comitês e associações de caráter legal que serviriam como fachada para as atividades políticas: Comitê de Socorro aos Israelitas Vítimas da Guerra, Comitê de Auxílio aos Imigrantes Judeus Yugoslavos, Comitê de Socorro aos Israelitas da Bessarábia, Comitê de SOS aos Israelitas Sobreviventes de Ostrowiecz, Comitê dos Bessarabianos do Rio de Janeiro, Comitê dos Israelitas da Bessarábia, Comitê dos Judeus de Ostrowiz, Sociedade dos Israelitas da Polônia, Sociedade dos Israelitas de Ostrowiecz.

A partir da ilegalidade do PCB estes órgãos, criados após a guerra, passaram a ser essenciais para manter a atividade da militância, pois eram as plataformas legais de ação de um partido colocado na clandestinidade.

Mas a polícia política detectava estes atalhos. A DESPS através da 11a Seção monitorava o Comitê Russo de Socorros às Vítimas da Guerra e a  Sociedade para Auxílios às Vítimas da Guerra assinalando na segunda a “presença de ricos contribuintes judeus russos” e “muitos colaboradores judeus conhecidos como simpatizantes do comunismo desde suas atividades como sócios da Biblioteca Israelita Scholem Aleichem”. Principalmente o “elemento feminino que colabora na arrecadação de donativos e nos serviços de bar nas festas”. [24]

A DPS, em 8 de julho de 1946, assim reportou esta novidade:

“Fundado no Rio de janeiro. Este comitê proclamou em todo o país, uma campanha sob o título “Campanha Pró Imprensa Progressista”. Tomam parte nesse comitê, as seguintes pessoas, no Rio de Janeiro: Leôncio Basbaum, Sacha Kransa, Leon Stumberg, David Silberstein, Bernardo Landa, Philipe Peretzman, Carlota Lachtermacher.

Diversas pessoas anti-sionistas (sic) pernambucanas receberam diretrizes especiais para angariar dinheiro para essa campanha” [25]

David Zilbersztajn diretor da Biblioteca Scholem Aleichem e Felipe Pereltzman  que escrevia na imprensa idisch progressista aparecem citados no relatório. Leon Steimberg era reportado pela DPS como um dos membros, em 1946, do “Comitê de Combate ao Fascismo e ao Anti-semitismo no Brasil, conforme carta enviada de Recife ao Comitê Central de israelitas Vítimas da Guerra. [26]

Outros procedimentos eram utilizados pelos membros da BIBSA para garantir a sobrevivência da entidade, como, por exemplo, a utilização das mulheres militantes para garantir a manutenção da BIBSA. A militância comunista feminina e a participação das mulheres na coleta de fundos para a Biblioteca é confirmada por Schneider:

“Conheci poucas pessoas capazes de demonstrar tanta garra na defesa de seus idéias socialistas como nossa companheira Doba Zonenschain. Diretora da BIBSA e, mais tarde, da ASA, Doba não media esforços visando à tão almejada sociedade igualitária, objetivo que sempre moveu nossos corações. Líder por natureza, nos tempos escuros da ditadura getulista Doba arriscava-se e, apesar da repressão violenta contra os movimentos de esquerda, dirigia-se às casas dos nossos associados para pedir contribuições destinadas ao pagamento do aluguel da Biblioteca.” [27]

A 4a Seção da DESPS monitorava especificamente as agremiações judaicas. Especialmente a BIBSA. A Biblioteca estava registrada como uma sociedade brasileira, mas a DESPS considerava a maioria de seus associados estrangeiros, embora a diretoria fosse constituída de brasileiros naturalizados, o que demonstra claramente que o status de cidadão brasileiro não dava aos judeus o reconhecimento desta condição, por parte do Estado.

Saadia Lozinsky que assumiu a presidência da BIBSA em 1935 e nela permaneceu até 1945 era descrito como um elemento de tendência conservadora mas de certa idade e “portanto impotente no seio da diretoria que é inclinada ao esquerdismo embora não se manifeste, talvez pela fiscalização incessante desta Seção”. [28]

Mesmo após a 2a Guerra Mundial, a BIBSA ainda era estreitamente vigiada. Os relatórios da DESPS mencionam suas atividades, o fato de serem simpáticos ao “credo vermelho” [29] e que editavam um boletim denominado Gazetilha Mural. Tal vigilância, por parte do Estado brasileiro deve ser compreendida no contexto em que se insere: a Guerra Fria, onde os campos ideológicos eram bastante delimitados e polarizados, bem como pelo alinhamento do Brasil ao bloco político liderado pelos EUA.

Após a Segunda Guerra foi também criado na BIBSA o Departamento Juvenil (a cargo do Sr. Luiz Mendel Goldberg) e o de Ensaios Dramáticos (sob a direção do Sr. José Lando). [30] Este último ficou, mais tarde, sob a direção de Zygmund Turkov.

Luiz Goldberg espelha talvez a primeira troca de gerações nas instituições judaicas pois não sendo imigrante aceita ter sido influenciado por aquela geração, no seu caso dando ênfase às bases político-sociais de esquerda. Por ela, segundo seu depoimento, forjou-se sua maneira de encarar a vida e viver politicamente. Galgou todos os degraus dentro da Associação desde jovem, ainda na Biblioteca Sholem Aleichem. [31]

Em 1943, apesar da intervenção da DESPS, motivada, segundo seus investigadores,  por uma palestra que “exaltava as vantagens do sistema proletário”, organizou-se um Corpo Coral e Círculo Dramático (Dram Craiz) onde destacavam-se: Aída Kamenetzky da direção do Colégio Scholem Aleichem, Dina Varantz, Cile Goifman (os dois sendo coristas do Teatro Municipal), Sara Tacsir, Misha Levovitch, José  ou Lebowitz, Moishe Ravet, David Berman e sua esposa Riva Berman (os dois Drama e Coro), Aron Hun e Mendel Kestembaum, dirigidos por Hershl Blanc, nascido da Polônia e que imigrou para o Brasil em fevereiro de 1935, com apresentações no Teatro Recreio, ABI, Escola de Música da UFRJ atual na rua do Passeio Foi criada, ainda a  Gueséishaft Fraint Far Idisch Teáter (Sociedade dos Amigos do Teatro Idisch), para manter a atividade teatral.

Com todos estes esforços e, apesar da intensa vigilância policial, a BIBSA mantinha suas atividades e crescia em número de membros. Em 1946, com o final da guerra, foi convocada uma assembléia geral em que pela primeira vez concorreu mais de uma chapa sendo a vencedora a liderada por David Zilbersztajn, nascido em Lodz na Polônia. [32]

Mais um empreendimento da BIBSA foi a criação de um jornal com periodicidade semanal. Abraham Josef Schneider atribui a criação do jornal Undzer Shtime (com endereço na rua Ribeiro Lima 596 São Paulo), fundado em 3 de abril de 1947, depois da guerra a ativistas da biblioteca. [33] . Este semanário, editado em português e ídish por Israel Fetbrot, de acordo com Malamud, foi criado depois da II Guerra Mundial por Hersch Scherter seu redator principal em São Paulo” e impresso na Tipografia do Franckental, com uma sucursal no Rio dirigida por Rafael Perecmanis e com colaboração de Sucher Lederman, Sara Tacsir e Josef Landa No núcleo paulista trabalhavam nele: Horácio Schechter, Jacob Schwartzburd, Jaime Schnaider, Josef Sendacz, Isaac Gochnarg, Luzer Goldbaum e eLeib Kaftal. Em Porto Alegre colaboravam Simão Nicolaiewsky e Rotemberg. Nilman em Salvador. [34]

Ainda Abraham Josef Schneider refere-se à criação, neste período, de outros periódicos, como a revista ICUF, sigla de Ídisher Cultur Farband e da revista literária Funken em idisch, assim como a revista mensal Reflexo em português. Estas publicações contavam com a colaboração de judeus residentes no Rio de Janeiro e São Paulo como Aron e Hersh Schenker, José Lipski, Eliezer Farber e Jacob Schwartzbrot. Josef Lipsky, militante do PCB era comerciante era redator do jornal Unzer Stime, escrevia para a revista ICUF, sigla de Ídisher Cultur Farband e da revista literária Funken em idisch ligadas de uma forma ou outra à Biblioteca Scholem Aleichem.

Paradoxalmente, atestando encontros e desencontros na facetada comunidade judaica a Biblioteca Scholem Aleichem em 17 de outubro de 1946, na visão da DPS recebia esta descrição:

“Esta sociedade foi criada originariamente, com fins culturais e assistência social, mas, agora, quase exclusivamente, entregue ao mister de lutar pelo estabelecimento do Estado Judaico na Palestina”. [35]

No entanto, a ficha preenchida também faz a observação de que faziam parte  da entidade “diversos elementos esquerdistas da colônia judaica desta capital.” [36]

Nas anotações do DPS, constam também a recepção do jornalista americano Aron Kurtz e as conferências de Moisés Merkin e José Apataxu, em 1947. [37]

No ano de 1949 parece haver-se exarcebado a vigilância sobre a biblioteca.Anota-se que a mesma recebeu em mala postal procedente de Varsóvia escritos em polonês editados pela Agência Judaica  endereçados à Biblioteca. [38]

Em 1949 o escritor Sch. Almazov da imprensa idischista comunista dos Estados Unidos (Der Hammer-1934) principalmente Freiheit esteve na Biblioteca encarregados de provar a falsidade do suposto desaparecimento de pessoas e entidades judaicas na URSS deixou depoimento sobre sua visita ao Brasil acusando os sionistas de tumultuar seu trabalho. [39]

Tais fatos  demonstram que, apesar das condições adversas, os conflitos entre os sionistas e não sionistas não cessaram, existindo apenas um clima de cooperação desconfiada entre os judeus de esquerda e os demais setores da comunidade, que pode também ser atribuído à chamada cooperação aliada.

Em 1956, a BIBSA mudou-se para nova sede na rua Álvaro Alvim. Mas, mesmo durante os anos 50, considerados pela historiografia tradicional como sendo um interregno democrático, a BIBSA continuava a ser acompanhada pela polícia política, sempre sob a afirmação de que ”tal agremiação é de tendência comunista”. [40]

Por outro lado, a divulgação dos crimes de Stálin levou a um questionamento dos membros da BIBSA a respeito de sua vinculação com o PCURSS:

“Antes mesmo de ser divulgado o relatório de Krushev, recebemos, no Partido, um jornal do Partido polonês publicado em idisch com um artigo em que se dizia, com toda a nitidez, a verdade: tinham ocorrido terríveis crimes e injustiças na URSS, contra ativistas culturais judeus. Era muito difícil entender. A União Soviética tinha mobilizado o mundo inteiro contra o nazismo, sacrificou-se contra o inimigo poderosíssimo, salvou a humanidade. Como, então era possível terem sido cometidos tais crimes, tais ilegalidades? O impacto foi enorme, especialmente se for levado em conta o fato de todos os executados terem sido um exemplo de progressismo, comunismo e idealismo.” [41]

Como em todo campo da esquerda, as revelações do Relatório Krushev provocaram enorme impacto, gerando fissuras no movimento comunista, afastamento de muitos membros importantes de Partidos ligados ao PCURSS e representam, no nosso entendimento, um marco no movimento comunista mundial. Não poderia ter sido diferente para os membros da BIBSA, profundamente comprometido com os ideais socialistas.

No entanto, muitos dos ativistas da BIBSA ainda mantiveram-se filiados ao PCB. A fidelidade aos ideais socialistas e à construção de uma sociedade mais justa contribuiu para que a BIBSA continuasse em atividade até os dias de hoje. Sua transformação na Associação Scholem Aleichem mantém em funcionamento as atividades culturais desenvolvidas pela antiga Biblioteca e representa, dentro da comunidade judaica, o espaço destinado a todos os judeus cariocas que encontram sua referência no chamado campo progressista.

Neste sentido, pretendemos, nos próximos trabalhos, dar continuação a esta pesquisa, através da qual poderemos construir um entendimento sobre este importante setor da comunidade judaica carioca, estendendo nossas reflexões aos momentos mais próximos do presente, enfocando a ASA, Associação Scholem Aleichem, que surgiu como um desdobramento da BIBSA, expressão de uma corrente dissonante entre os judeus cariocas e que não detém a hegemonia dentre o conjunto das instituições judaicas sediadas no Rio de Janeiro, mas mantém a coerência com os princípios que a nortearam desde o seu surgimento.



[1] SCHNEIDER, Abraham Josef. Histórias da BIBSA. Rio de Janeiro: ASA, 2000. Pág 41.
[2] AQUINO, Rubim S.L et alli. PCB 80 anos de luta. Rio de Janeiro, Fundação Dinarco Reis, 2002. pág. 153.
[3] GHERMAN, Michel. Ecos do Progressismo. História e Memória da Esquerda Judaica no Rio de Janeiro dos anos 30 e 40. Rio de Janeiro, IFCS, 2000. pág. 72, 73.
[4] SCHNEIDER, Abraham Josef. Op. Cit. Pág 24.
[5] BRANDÃO, Octávio. Combates e Batalhas – Memórias – 1o Volume. São Paulo: Alfa-Omega, 1978. Pág. 304.
[6] SCHNEIDER, Abraham Josef. Op. Cit. Pág 26.
[7] MALAMUD, Samuel - Recordando a Praça Onze. Rio de Janeiro: Livraria Kosmos Editora; 1988; pp. 25 e 67.
[8] MALAMUD, Samuel - Recordando a Praça Onze. Rio de Janeiro: Livraria Kosmos Editora; 1988; pp.59.
[9] LESSER, Jeffrey - O Brasil e a Questão Judaica: imigração, diplomacia e preconceito; Rio de Janeiro; Imago Ed.; 1995; p.80 e 93 nota 115; 190 e 212 nota 161.
[10] SCHNEIDER, Abraham Josef. Op. Cit. Pág 55.
[11] TOLMASQUIM, Alfredo Tiomno - “Ëinstein no Rio” In ASA n0 50; janeiro/fevereiro de 1998; pp.3-5
[12] GENES, Moisés. O 11o Mandamento – reencontros. Rio de Janeiro: Garamond, 2002. Pág. 87.
[13] Idem. Pág. 105.
[14] Malamud, Samuel - Do Arquivo e da Memória; Rio de Janeiro; Bloch;1983; pp. 31-32.
[15] Colleção das Leis da República dos Estados Unidos do Brasil  referente ao ano de 1927;Volume I - Op. cit.; p. 210.
[16] Dulles, John Foster - Op. cit.; pp. 272-276.
[17] Idem, Ibidem - p. 279 nota 115.
[18] NISKIER, Mozek - Entrevistas para Heranças e Lembranças; 28/07/1988
[19] NISKIER, Mozek - Entrevistas para Heranças e Lembranças; 28/07/1988.
[20]   APERJ; Fundo DGIE; Série Diversos; Prontuário 553/49 – 93 – 14.1.49
[21] APERJ; Fundo DGIE; Série Administração; Pasta n0 1/H - Relatório Anual referente à 1942 - Apresentado ao Major Olindo Dennis Delegado Especial de Segurança Política e Social pelo Chefe da Seção de Segurança Social Serafim Braga.
[22] APERJ; Fundo DGIE; Série Diversos; Pasta n0 39; Dossier n0 2: “Biblioteca Israelita Scholem Aleichem.; p.1.
[23] APERJ; Fundo DGIE; Série Diversos; Pasta n0 39; Dossier n0 2: “Biblioteca Israelita Scholem Aleichem.; p.1
[24] APERJ; Fundo DGIE; Caixa n0 59 - Relatório Anual - 1943 - Apresentado ao Major Olindo Dennis Delegado Especial de Segurança Política e Social pelo Chefe da Seção de Segurança Social Serafim Braga. p. 34.
[25] APERJ; Fundo DGIE; Série Diversos. Pasta n0 4
[26] APERJ; Fundo DGIE; Série Informações; Pasta n0 13. Fls. 149;  04601 - R. Pr. 6350/54 - 29.5.54.
[27] SCHNEIDER, Abraham Josef. Op. Cit. Pág 37.
[28] APERJ; Fundo DGIE; Caixa n0 59 - Relatório Anual - 1943 - Apresentado ao Major Olindo Dennis Delegado Especial de Segurança Política e Social pelo Chefe da Seção de Segurança Social Serafim Braga. p. 45.
[29] APERJ; Fundo DGIE; Caixa n0 59 - Relatório Anual - 1943 - Apresentado ao Major Olindo Dennis Delegado Especial de Segurança Política e Social pelo Chefe da Seção de Segurança Social Serafim Braga. p. 46.
[30] APERJ; Fundo DGIE; Série Diversos; Pasta n0 39; Dossier n0 2: “Biblioteca Israelita Scholem Aleichem.; p.2.
[31] Goldberg, Luiz - Entrevistas para Heranças e Lembranças; 17/09/87.
[32] Schneider, Abraham Josef - “Histórias da Bibsa 4” - In: Asa - Judaísmo e Progressismo Ano IX; n0 53; julho/agosto 1998; p.8.
[33] Schneider, Abraham Josef - “Histórias da Bibsa 4” - In: Asa - Judaísmo e Progressismo Ano IX; n0 53; julho/agosto 1998; p.8.
[34] Goldberg, Luiz Mendel - “ Nossa Voz - Undzer Shtime (1947-1964); Fetbrot, Luiz Izrael “Elegia Saudosa para Undzer Shtime- Nossa Voz” In: Asa - Judaísmo e Progressismo Ano VI; n0 35 maio/junho 1995; pp. 5-7.
[35] APERJ; Fundo DGIE; Série Fichas Verdes não remissíveis; Boletim Reservado n0 237; Setor Trabalhista; Em 17/10/.46.
[36] APERJ; Fundo DGIE; Série Fichas Verdes não remissíveis; Boletim Reservado n0 237; Setor Trabalhista; Em 17.10.46. e APERJ; Fundo DGIE; Série Fichas Verdes não remissíveis; Boletim Reservado n0 240; Setor Trabalhista; Em 21.10.46.
[37] APERJ; Fundo DGIE; Série Fichas Verdes não remissíveis; Boletim Reservado n0120; Setor Trabalhista; Em 30.05.47.
[38] APERJ; Fundo DGIE; Série Fichas Verdes não remissíveis; Boletim Reservado n0137; Setor Trabalhista; Em 08.08.49.
[39] Golgher, Isaías - A Tragédia do Comunismo Judeu; Belo Horizonte; Editora Minerva Ltda.; s/d; pp.; 252-253
[40] APERJ; Fundo DGIE; Série Informações; Pasta n0 22; Ofício n0 3296 referente ao prot. N0 7.826/1958; Det. N0 244; 29/05/58
[41] LERNER, Davis, Entrevista concedida a Jacques Gruman e Marcos Chor Maio. Boletim ASA n. , Rio de Janeiro, junho, 1990. Apud. AQUINO, Rubim S.L et alli. PCB 80 anos de luta. Rio de Janeiro, Fundação Dinarco Reis, 2002. pág. 159.

 

ESTHER KUPERMAN

     

 

Referências Bibliográficas

Fontes Secundárias:

AQUINO, Rubim S.L et alli. PCB 80 anos de luta. Rio de Janeiro, Fundação Dinarco Reis, 2002

BRANDÃO, Octávio. Combates e Batalhas – Memórias – 1o Volume. São Paulo: Alfa-Omega, 1978.

DULLES, John W. Anarquistas e comunistas no Brasil 1900-1935. Rio de Janeiro. Nova Fronteira, 1977. </