Por ALTAMIRO BORGES
Jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB, editor da revista Debate Sindical e autor, junto com Marcio Pochmann, do livro “Era FHC – A regressão do trabalho” (Editora Anita Garibaldi).


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O governo Lula e a "tática" do PSTU (II)

 

Se na caracterização da natureza do governo Lula há uma grande distância entre as posições sectárias do PSTU e as da esmagadora maioria das forças de esquerda no país, conforme analisado no artigo anterior, não é menor o fosso que os separa na avaliação da atual correlação de forças no mundo e no Brasil. Neste ponto nevrálgico, essencial para definir a estratégica e a tática das correntes de esquerda, as divergências são bem antigas e têm se avolumado no último período. Na essência, a postura deste partido, de oposição frontal ao governo Lula, decorre da leitura voluntarista que ele faz sobre o estágio atual da luta de classes.

Em pelo menos três pontos o grosso das forças de esquerda se aproxima na análise da conjuntura mundial, o que moldura suas posições diante do quadro nacional. Em primeiro lugar, elas concordam que o sistema capitalista atravessa a mais grave crise da sua história, expressa nas taxas declinantes de crescimento da economia, no parasitismo financeiro, na explosão do desemprego, entre outras chagas. Seria uma crise prolongada, crônica e sistêmica, atingindo a periferia e o coração do sistema. O segundo consenso é sobre a resposta regressiva e destrutiva imposta pelo capital para enfrentar a crise, com a aplicação do perverso modelo neoliberal, a ofensiva de recolonização do planeta e a agressiva onda militarista, fascistizante.

Por último, elas observam, animadas, o aumento dos sintomas de resistência dos povos, com o avanço da luta contra o imperialismo, os crescentes levantes populares e, em especial no nosso subcontinente, com as vitórias eleitorais dos setores de centro-esquerda e de esquerda. Estes êxitos confirmariam a tendência de esgotamento do neoliberalismo. No entanto, estas mesmas forças de esquerda ponderam que ainda não se forjou uma alternativa de superação deste projeto, que continua hegemônico no mundo. O movimento operário e popular, duramente atingindo por décadas de neoliberalismo, ainda se encontraria fragmentado, disperso e na defensiva. Ainda viveria uma fase de resistência e de acumulação de forças.

Na avaliação da 9a Conferência do PCdoB, realizada em junho, “no exame do quadro geral perdura um balanço de forças adverso à mudança do sistema de poder capitalista-imperialista dominante. A crise do socialismo do final do século passado, a derrocada da URSS e dos países do Leste da Europa provocaram uma derrota estratégica de grande monta para o movimento revolucionário e de libertação dos povos, que ainda não reúnem condições para uma ofensiva em busca do êxito de novo empreendimento socialista. Hoje, a realidade de grave crise, agravada com a política belicista do imperialismo, cria situação propícia ao crescimento da luta dos povos e ao acúmulo de forças de sentido antiimperialista, mas, de modo geral, não inverte a tendência dominante da ordem imperialista atual e da situação contra-revolucionária”. [1]

“Otimismo Voluntarista”

Bem diferente é a visão do PSTU e da sua matriz mundial, a Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT), fundada em janeiro de 1982 pelo trotskista argentino Nahuel Moreno. Para a corrente “morenista”, que parece sofrer do mal crônico do “otimismo voluntarista”, segundo a corrosiva ironia de uma importante seção que rompeu com a LIT nos anos 90 [2] , a revolução socialista estaria sempre à espreita na próxima esquina. O menor sinal de resistência popular é encarado com “um vírus revolucionário”. [3] Esta visão idealista, que coloca a vontade acima da realidade concreta, contagia toda e qualquer avaliação da correlação de forças – no mundo e no Brasil, no passado, presente e futuro - efetuada por esta corrente.

Esta concepção subjetivista parece decorrer da leitura mecânica de uma das obras mais famosas de Leon Trotsky, o Programa de Transição, base para a criação da IV Internacional em 1938. Neste texto, seguido como bíblia pela “ortodoxia trotskista”, o autor diz de forma peremptória: “Os falatórios de toda espécie, segundo os quais as condições históricas não estariam ‘maduras’ para o socialismo, são apenas produto da ignorância ou de um engano consciente. As premissas objetivas da revolução proletária não estão somente maduras: elas começam a apodrecer... Tudo depende do proletariado, ou seja, antes de mais nada, da sua vanguarda revolucionária. A crise histórica da humanidade se reduz à crise da direção revolucionária”.

Destas assertivas, a corrente “morenista” retirou três conclusões cabais: a do fim próximo do capitalismo, a da iminência da revolução e a da culpabilidade das direções! Para esta visão simplista é “baboseira dizer que não é possível romper com o imperialismo pela adversidade da correlação de força”, como repetiu há dias o jornal do PSTU. [4] Só que a história é mais complexa e costuma se vingar dos que subestimam a realidade. No caso da crise do capitalismo, ela comprova que este sistema não morrerá de forma natural e que a interpretação fatalista sobre seu colapso final pode resultar em graves equívocos políticos, em ações voluntaristas que lançam na aventura a luta dos trabalhadores. Hoje o capitalismo se encontra na sua mais grave e prolongada crise; mas a sua superação dependerá da ação conseqüente das forças revolucionárias. Do contrário, ele continuará conduzindo a humanidade à barbárie e não à revolução socialista!

Já no que se refere ao clichê da “crise da direção revolucionária”, repetida mil vezes por alguns sábios, a pergunta que não quer calar é porque esta corrente nunca conseguiu hegemonizar o movimento operário mundial, curando-o desta sua doença crônica? Se a revolução é obra de milhões e as condições objetivas já estão mais do que maduras para a sua eclosão, porque as massas não abandonam as “direções traidoras” e engrossam aos borbotões a LIT e as suas filiais? Porque os aparatos burocráticos não são implodidos? Porque a juventude, tão avessa à rotina, não adere em massa a esta corrente? Por último, uma pergunta ainda mais incomoda: Porque os poucos sindicatos ou grêmios dirigidos por esta “vanguarda” não são um exemplo de vitalidade revolucionária? Não será porque as condições objetivas são adversas, fruto da fase de defensiva estratégica, o que exige a justa combinação de firmeza de princípios e flexibilidade tática?

Num balanço mais rigoroso da sua trajetória histórica, o PSTU, que hoje é tratado como “partido-mãe” da LIT, deveria tirar férteis lições das suas trágicas experiências. O “otimismo voluntarista” já conduziu esta organização mundial a diversos becos sem saída, a graves erros políticos. Alguns casos são emblemáticos neste sentido. Eles só confirmam que a avaliação incorreta da real correlação de forças pode resultar em graves derrotas e duros retrocessos do movimento operário. Como ensinava V.I.Lênin, o segredo da tática revolucionária é a analise concreta da realidade concreta. É ilustrativo lembrar alguns destes episódios.

Trágicas experiências

Um que ficou famoso, gerando irônicos comentários na esquerda mundial, se deu na Nicarágua em 1979. Em pleno processo revolucionário nesta nação centro-americana, a corrente morenista decidiu organizar a Brigada Simon Bolívar e enviar militantes de vários países para engrossar a guerrilha contra a ditadura de Somoza. Após a vitória da revolução sandinista, entretanto, esta brigada passou a fazer oposição aberta ao novo governo de reconstrução nacional, taxando-o de “burguês e pró-imperialista”. Acusando o grupo de “provocador trotskista” e de fazer o jogo da reação e do imperialismo, a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) decidiu, em agosto de 79, expulsar os seus membros não nicaragüenses do país. [5]

O Secretariado Unificado da IV Internacional, que na época ainda conseguia reunir o grosso das correntes trotskistas, enviou então uma delegação a Manágua para averiguar o caso. Esta declara, em 3 de setembro, que “todas as atividades que busquem hoje em dia criar divisões entre as massas mobilizadas e a FSLN são contrárias aos interesses da revolução. Este é o caso, em especial, da Brigada Simon Bolívar. Numa situação política e econômica que exige a maior unidade na luta possível, a FSLN teve razão em exigir que os membros não nicaragüenses deste grupo saiam do país” (Intercontinental Press, 24 de setembro de 1979). O deprimente episódio ocasionou mais uma fratricida divisão no trotskismo mundial.

Outro momento dramático na história da LIT – e das esquerdas em geral – se deu com a desintegração da URSS e do bloco soviético, a partir do final dos anos 80. Na clássica tese trotskista, estes regimes seriam “estados operários degenerados”, que demandariam “revoluções políticas” para retomar o curso socialista.  Moreno, porém, tratou de “atualizar o Programa de Transição”, prevendo duas etapas nesta estratégica: a “revolução de fevereiro”, democrática, seguida da “revolução de outubro”, socialista. Com este esquema unilateral, que não levava em conta o complexo jogo de interesses no Leste Europeu, a LIT e suas filiais saudaram, eufóricas, os tristes episódios que resultaram na restauração da barbárie capitalista na região.

Em 1990, após seu III Congresso, a LIT esbanjava otimismo. “Do mesmo modo em que os últimos meses significaram uma virada histórica para a humanidade, eles foram para a LIT o salto para ganhar influência em setores de massas... O trotskismo está vivo porque a revolução mundial matou o stalinismo e colocou em marcha a grandiosa luta de massas.... Esta se abrindo a hora do socialismo com democracia” (Correio Internacional, julho de 1990). Tamanho erro de cálculo custou caro. Como repisa uma seita rival “antes da destruição dos estados operários, o morenismo apoiou todos os movimentos que serviram de ponta de lança do imperialismo contra a URSS, como a reacionária guerrilha islâmica impulsionada pela CIA no Afeganistão... Na Polônia, reivindicou um governo de Lech Walessa e ‘todo poder ao Solidariedade’”. [6]

A própria historiografia oficial da LIT reconhece que este foi um dos piores equívocos da sua trajetória. Como desculpa, alega que a morte de Nahuel Moreno, em fevereiro de 1987, debilitou a organização. “A nova direção dá respostas equivocadas aos processos do Leste de 1989-90. Define corretamente estes processos como revolucionários, mas não vê as suas contradições, fazendo assim uma caracterização unilateral. Surge então para o Leste e todos os países uma atitude autoproclamatória e uma política com traços oportunistas de capitulação à reação democrática... Chega-se quase a dissolução da LIT-QI”. [7]

Mais recentemente, esta corrente entrou novamente em parafuso com os rápidos e turbulentos episódios da Venezuela. Seus seguidores se fragmentaram em vários pedaços. A maior referência do “morenismo” neste país, o ex-deputado constituinte Alberto Franceschi, é hoje um dos principais porta-vozes da direita; foi um dos líderes da tentativa frustrada de golpe em abril 2002; tornou-se um próspero produtor agrícola e um poderoso empresário do ramo de transporte. Na década de 80, como líder do MIR da Venezuela, Franceschi foi peça chave na fundação da LIT e, junto com Nahuel Moreno, escreveu as “Teses sobre guerrilherismo” (1986), um texto de polêmica com os revolucionários cubanos.

Já o seu sucessor na internacional “morenista”, o Partido Socialista dos Trabalhadores (PST), esbarrou no sectarismo da LIT. Isto porque apóia o governo Hugo Chávez, mesmo mantendo a linha das “denúncias e exigências”, outra invenção de Moreno. Esta postura gerou a ira de várias seitas trotskistas. “A posição do PST é tão vergonhosa que o seu próprio partido-irmão, o PSTU, denunciou que ‘o conjunto da esquerda apoiou Chávez... e o fez sem denunciar o caráter populista e demagógico de seu programa’”. [8] Devido a estas fraturas, a LIT sucumbiu no país. Em documento recente, garante que Chávez “quer negociar com a direita e o imperialismo” e que “hoje não existe na Venezuela uma organização nacional no campo do proletariado com uma política revolucionária e classista, em oposição ao governo pela esquerda”. [9]

Equívocos grosseiros

Outro trauma antigo desta corrente emana da Argentina, que agora volta à cena com as suas explosões populares. Neste caso, a ferida é profunda e nunca cicatrizou. Afinal, o “morenismo” nasceu neste país. Foi aí que teve início da militância de Hugo Miguel Bressano como assessor dos Sindicatos dos Têxteis (AOT) e dos Trabalhadores em Frigoríficos Anglo-Ciabasa. Convertido ao trotskismo na década de 40, ele se projetaria com o nome de Nahuel Moreno. Sua militância foi marcada por inúmeros ziguezagues, tanto que muitos o taxam de “camaleão político”. [10] Na sua trajetória, organizou vários partidos e foi o construtor da “maior força de esquerda” da Argentina nos anos 80, o Movimento ao Socialismo (MAS).

Impregnado até a medula do “otimismo voluntarista”, Moreno tentou várias vezes apressar artificialmente os fatos políticos, desprezando a correlação de forças. Com o fim da ditadura e a vitória de Raul Alfonsin, profetizou o imediato trânsito ao socialismo. “Estão dados todos elementos para que triunfe a Revolução de Outubro”, afirmou. Os equívocos aventureiros acabaram por implodir o MAS, o “partido-mãe” da LIT. Após quase uma dezena de fraturas internas, a direção da LIT, agora sob influência do PSTU, preconizou a expulsão do MAS. “A exclusão se consumou, através de manipulações estatutárias, numa reunião do ‘comitê executivo internacional’, que ocorreu em maio de 1998”, relata um texto crítico do MAS. [11]

Hoje a corrente “morenista” está reduzida a frangalhos, tendo a minúscula Frente Operária e Socialista (FOS) como filiada da LIT e quase uma dezena de seitas trotskistas. Mesmo após os memoráveis levantes populares de 2001/02 esquerda foi incapaz de unir forças para intervir na recente sucessão presidencial. Apesar disto, a LIT permanece com sua cegueira voluntarista. “Em nosso país se iniciou uma verdadeira revolução... que deixou em ruína o regime democrático-burguês. Nos termos da nossa corrente morenista, tratou-se de uma ‘revolução de fevereiro’... A revolução continua, a tarefa agora é desenvolver o processo até o seu segundo estágio: a luta pelo poder operário e popular e o triunfo da revolução socialista”. [12]

Por último, neste breve balanço dos grosseiros erros da corrente “morenista”, uma pitada de Cuba. Após um rápido namoro com a revolução cubana, Nahuel Moreno passou a tratar a “ditadura de Fidel Castro” como um feroz inimigo. Resoluções da LIT recomendavam incentivar a “revolução política” no país. Um renomado trotskista brasileiro chegou a dizer que “apoiaremos uma revolução que consideramos iminente contra o regime burocrático de Fidel... Achamos que é necessário lutar contra o Partido Comunista”. [13] Agora, quando os EUA conspiram febrilmente contra ilha, a LIT volta à tona com os seus devaneios.

Mesmo com o governo cubano reconhecendo que faz concessões para manter as conquistas da revolução, ela insiste em desconhecer a correlação de forças. Enquanto a maioria da esquerda reafirma o seu apoio a ilha, a LIT condena suas recentes decisões judiciais. “As medidas repressivas do regime cubano merecem o repúdio, porque não são mais que medidas dirigidas a amordaçar os trabalhadores e o povo, enquanto as medidas econômicas abrem as portas do país ao imperialismo europeu... Devemos dizer claramente que os socialistas não se confundem com o regime repressivo de Castro”. [14] Aplausos de George W. Bush!

Revezes históricos

Apesar dos duros revezes históricos, que reduziram a LIT a uma internacional regional e bastante frágil, esta corrente insiste na mesma linha voluntarista. No seu último congresso mundial, em julho de 2001, que reuniu seções de apenas 13 países, sendo oito do continente americano e a esmagadora maioria de pouca expressão de massa, a LIT orientou as filiadas nacionais a aproveitarem “o processo revolucionário aberto no subcontinente na tarefa de avançar na construção de uma alternativa de direção revolucionária”. No trecho da resolução dedicado à América Latina, intitulado “revolução ou colônia”, ela ainda esbraveja:

“A crise de direção é a grande trava a que estes processos avancem mais rápido no caminho da revolução operária e socialista. Com a ofensiva imperialista sendo respondida pelo ascenso e provocando crises graves dos regimes, o que impede que os levantes e insurreições visem mais diretamente a questão do poder operário é a ação dos aparatos e a ausência de direções revolucionárias... As direções com influência de massa, como os partidos do Fórum São Paulo ou as direções guerrilheiras, ajudam a desviar o ascenso e a recompor o regime sustentando projetos de colaboração de classes. Essa é a grande falência que adoece o processo de lutas latino-americanas”. [15] O papel, realmente, admite todo tido de bravata!



[1] “O novo tempo para o Partido – buscar o êxito do governo Lula na consecução de um projeto democrático, nacional-desenvolvimentista”. Resolução da 9a Conferência Nacional do PCdoB, realizada de 26 a 29 de junho de 2003 em Brasília.
[2] Jean Philippe Dives. “Elementos para balanço da LIT e do morenismo”. Documentos do MAS.
[3] Joaquim Soriano. “O novo curso da Convergência Socialista”, Em Tempo, julho/agosto de 1990.
[4] João Ricardo Soares. “Plano B é pura fantasia: a transição inexistente e as ‘alternativas’ que não mudam”. Opinião Socialista, julho de 2003.
[5] Osvaldo Coggiola. “O trotskismo na América Latina”. Editora Brasiliense, São Paulo, 1984.
[6] “Fim da URSS, divisão da LIT e o legado de Moreno”. Liga Bolchevique Internacionalista (LBI).
[7] Alicia Sagra. “Um breve esboço da história da LIT-QI”. Maio de 1995.
[8] “A esquerda venezuelana é um apêndice do chavismo”. Boletim da Corrente Bolchevique pela Quarta Internacional (CBQI).
[9] Américo Gomes. “Venezuela: revolução na encruzilhada”. Marxismo Vivo, dezembro de 2002.
[10] Osvaldo Coggiola. “Trotsky ontem e hoje”. Editora Oficina de Livros, Belo Horizonte, 1990.
[11] Jean Philippe Dives. “Elementos para balanço da LIT e do morenismo”. Documentos do MAS.
[12] Alejandro Iturbe. “Estalló la revolución”. Correo Internacional, número 93, janeiro de 2002.
[13] Ricardo de Azevedo. “Qual é a tua, Convergência?”. Revista Teoria e Política, abril de 1990.
[14] “Por que estamos contra os recentes fuzilamentos em Cuba”. Correo Internacional, junho 2003.
[15] Especial sobre o VII Congresso Mundial da LIT. Correo Internacional, número 90, agosto/2001.

ALTAMIRO BORGES

     

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