Interação
Homem-Computador (IHC) é uma área multidisciplinar que
envolve as áreas de Ciência da Computação, Psicologia,
Fatores Humanos, Lingüística, dentre outras. IHC está
voltada para a aplicação do conhecimento destas disciplinas
para produzir interfaces “amigáveis” (ou user-friendly).
Não é uma disciplina essencialmente voltada para o estudo
de computação ou do ser humano, mas para a comunicação
entre estas duas entidades. Conhecimento sobre as limitações
da capacidade humana e restrições da tecnologia existente
devem ser ponderados para oferecer ao usuário um meio
adequado através do qual eles podem interagir com os computadores.
Um dos fatores relevantes à Interface Humano-Computador
é a percepção humana. Todavia, antes de discutir ela,
explicamos a diferença entre Interação e Interface Humano-Computador(HC).
Ambos os termos são usados indistintamente e erroneamente.
Interação HC é tudo que ocorre entre o ser humano e um
computador utilizado para realizar algumas tarefas, ou
seja, é a comunicação entre estas duas entidades. Interface
HC é o componente (software) responsável por mapear ações
do usuário em solicitações de processamento ao sistema
(aplicação), bem como apresentar os resultados produzidos
pelo sistema.
É comum encontrarmos interfaces que
são difíceis de usar, confusas, e até mesmo frustrantes
em alguns casos. Apesar de os projetistas gastarem tempo
para desenvolver essas interfaces e que seja improvável
que eles façam isto propositadamente, os problemas com
interfaces acontecem. Quando consideramos um sistema interativo,
o termo fatores humanos assume vários significados. Dentro
do nível fundamental, deveríamos entender a percepção
visual, a psicologia cognitiva da leitura, a memória humana
e os raciocínio dedutivo e indutivo. No outro nível, deveríamos
entender o usuário e seu comportamento. Por fim, precisamos
entender as tarefas que o software executam para o usuário
e as tarefas que são exigidas do usuário quando da interação
com o sistema. Aqui, estamos interessados, especificamente,
na importância da percepção humana para o desenvolvimento
de interface HC.
Os seres humanos percebem as coisas
através de seus sentidos, isto é, visual, auditivo e tato. Estes sentidos habilitam o usuário de um sistema interativo
perceber a informação, armazená-la (em sua memória) e
processar a informação usando o raciocínio dedutivo ou
indutivo. Maioria da IHC ocorre através do sentido da visão, como por exemplo: relatórios,
gráficos, etc. Neste caso, o olho e o cérebro trabalham
juntos a fim de receber e interpretar a informação visual
baseada no tamanho, forma, cor(es), orientação e movimento.
Muitos elementos discretos de informação são apresentados
simultaneamente para o homem absorver. Assim, uma especificação
apropriada de comunicação visual é o elemento chave de
uma interface amigável.
Embora haja uma tendência para se utilizar
manipulação/comunicação gráfica no projeto de interface,
muito da informação visual ainda é apresentada na forma
textual. A leitura - o processo de extrair informação
do texto - é a atividade chave na maioria das interfaces.
Os seres humanos precisam decodificar os padrões visuais
e recuperar o significado das palavras e frases. Neste
caso, a velocidade do processo de leitura é controlada
pelo padrão de movimento do olho que escaneia o texto
em sacadas do olho feitas em alta velocidade. Adicionalmente,
o tipo de caractere fonte, o comprimento de linha do texto
e cor(es) afetam a facilidade na qual o processo de leitura ocorre.
Quando a informação é extraída da interface,
ela deve ser armazenada para ser recuperada (lembrada)
e utilizada posteriormente. Além disso, o usuário precisa
lembrar de comandos e seqüências operacionais de uso.
Tais informações são armazenadas na memória humana (que
é um sistema complexo) composto de duas partes: a memória
de curta duração que possui capacidade de armazenamento
e tempo de recordação limitados e a memória de longa duração
que possui capacidade de armazenamento e tempo de recordação
maiores e onde se tem o conhecimento do ser humano. Assim,
se o projetista de uma interface HC especifica uma interface
que faz solicitações indevidas dessas duas memórias, então
o desempenho do usuário do sistema será degradado.
Finalizando, temos que a maioria das
pessoas não aplicam raciocínio indutivo ou dedutivo quando
se deparam com um problema. Ao invés, é comum aplicar
um conjunto de heurísticas (procedimentos, regras, estratégias)
baseadas no conhecimento de problemas similares. Tais
heurísticas tendem a ser específicas do domínio. Como
conseqüência, uma interface HC deve ser especificada de
modo que habilite o usuário a desenvolver heurísticas para interação. Todavia,
é importante observar que estas heurísticas deveriam permanecer
consistentes em diferentes domínios de interação. Devido
ao fato do tema Interação Homem-Computador ser extenso,
voltaremos numa outra oportunidade com mais informações.