A
Historiografia Envergonhada
Nas
duas últimas décadas, produziu-se uma rica bibliografia
sobre o período militar, onde se destacam as obras acadêmicas,
os ensaios memorialistas e, o que não é comum, trabalhos
científicos produzidas por protagonistas dos fatos. Porém,
ainda não contamos com um trabalho de fôlego que sintetize
e aprofunde essa produção, explicitando o sentido profundo
daqueles sucessos.
Compreende-se
portanto a expectativa. Sob o prestigioso patrocínio da
Companhia das Letras, Elio Gaspari, jornalista nacional
de grande destaque e influência, apresentou ao público brasileiro
os dois primeiros dos quatro volumes de sua história da
ditadura brasileira, produto de quase vinte anos de pesquisa
e do mergulho em arquivos e depoimentos privilegiados.
Depoimentos,
por sinal, cedidos graciosamente por dois relevantes protagonistas
do período que o autor aborda: Ernesto Geisel, um dos generais
de plantão do pós-64, e o coronel Golbery do Couto e Silva,
eminência parda dos governos Castello Branco e Geisel e
nos primeiros anos da gestão do ditador Batista Figueiredo.
Já
era hora
Apesar
de Elio Gaspari afirmar que em "nenhum momento passou"
por sua "cabeça escrever uma história da ditadura",
a ambiciosa iniciativa bibliográfica constitui nos fatos
um ensaio de interpretação geral do regime militar, de 1964
a 1979, centrado em uma grande e candente questão: as razões
essenciais do ingresso na e da saída do regime ditatorial.
[20]
A
ditadura envergonhada discute o golpe militar e os governos
Castello Branco e Costa e Silva. A ditadura escancarada,
o governo Médici e a consolidação da repressão e da tortura
à luta armada. Os tomos finais contarão "as vidas de
Geisel e Golbery, a trama que os levou de volta ao Planalto
e os quatro primeiros anos do governo de Geisel." [20]
A
ditadura envergonhada abre-se com "Introdução"
que antecipa momento do objeto central do trabalho, a ser esmiuçado nos volumes finais.
Ou seja, a deposição do ministro da guerra
Sylvio Frota, episódio singular da consolidação do
projeto de "abertura lenta, gradual e segura"
de Geisel e Golbery.
Simples
bagunça
Para
surpresa geral, no final da "Introdução", o autor
apresenta a tese geral de sua interpretação. Isto é, as
razões profundas que crê terem levado ao fim da ditadura:
"Para quem quiser cortar caminho na busca do motivo
por que Geisel e Golbery desmontaram a ditadura, a resposta
é simples, porque o regime militar, outorgando-se o monopólio
da ordem, era uma grande bagunça." [41]
No
momento em que a produção capitalista em consolidação erodia
a ordem feudal, a história política explicou os fatos históricos
como produto da ação providencial de protagonistas excelentes.
Num reflexo da crença na capacidade prometéica do indivíduo,
a história foi vista como o resultado da ação e da vontade
de protagonistas singulares, como fora anteriormente compreendida
como expressão da vontade divina.
A
Revolução Francesa dissolveu a visão da ação providencial
do homem na história ao explicitar a trama social e o comportamento
humano como produtos de forças sociais profundas das quais
os protagonistas têm apenas consciência parcial. Desvelar
e explicar esses nexos subterrâneos tornou-se função perspícua
da historiografia científica.
Homens
grandes e pequenos
É
com surpresa que os leitores penetram nessa
espécie de máquina do tempo que os projeta em um
universo analítico quase oitocentista, onde os fatos históricos
resolvem-se sobretudo a partir da decisão, das qualidades
e das idiossincrasias dos grandes atores políticos. Um cenário
em que as massas populares não aparecem nem mesmo como figurantes.
Visão
da história que leva o autor, ao modo da literatura romântica
do século 19, a traçar breves perfis psicológicos dos grandes
homens para deduzir das idiossincrasias pessoais dos personagens
excelentes seus comportamentos políticos e a explicação
de momentos históricos singulares.
Entre
as razões da vitória do golpe de 1964 estariam a decisão
dos golpistas e a pachorra de Goulart que, a partir de duas
referências bibliográficas e uma frase de efeito, é retratado
como ser político vacilante, medíocre e abjeto. "Sua
biografia raquítica fazia dele um dos mais despreparados
e primitivos governantes da história nacional. Seus prazeres
estavam na trama política e em pernas, de cavalos ou de
coristas." [46]
Ação
e reação
O
furacão guerrilheiro que varreu as Américas nos anos 1960
e 1970, nem sempre impulsionado pela Organização Latino-americana
de Solidariedade, é apresentado como uma espécie de iniciativa
pessoal de Fidel Castro, preocupado em conquistar maior
destaque individual e exorcizar uma vida monótona.
"O
grande plano da revolução continental dava-lhe uma plataforma
de política externa que garantia a Cuba uma projeção internacional
[...]. Assegurava a Fidel um relevo que o colocava na primeira
fila dos governadores do Terceiro Mundo e o afastava do
perigo de uma monótona existência de prefeitão grisalho
de uma ditadura caribenha, fantasiado de rebelde."
[197]
Nessa
narrativa de um simplismo às vezes constrangedor, o golpe
de 1964 deixa de ser a imposição radical pelas classes hegemônicas
de novo padrão de acumulação, em detrimento dos trabalhadores,
projeto que fracassara em 1954 e 1961 devido à insurreição
popular nascida do suicídio de Getúlio e do movimento pela
Legalidade. Gaspari praticamente absolve o empresariado
nacional da responsabilidade política da consolidação da
ditadura, transformada em um sucesso essencialmente militar.
[236 II]
As
duas torres
Perfilhando
a velha apologia golpista, a ditadura de 64 é apresentada
como resposta preventiva ao golpe esquerdista em preparação:
"Havia dois golpes em marcha. O de Jango viria amparado
no 'dispositivo militar' e nas bases sindicais, que cairiam
[sic] sobre o Congresso, obrigando-o a aprovar um pacote
de reformas e a mudança das regras do jogo da sucessão presidencial"
[51], argumento que indica também em que campo ideológico
o autor se situa.
Elio
Gaspari iguala arbitrariamente as partes em confronto e
pronuncia-se por uma delas, ao explicar o golpe como reação
militar compreensível: "A revolta dos marinheiros,
na semana anterior, e o discurso de Jango [...], na véspera,
desestabilizaram as Forças Armadas. A organização militar,
baseada em princípios simples, claros e antigos, estava
em processo de dissolução. Haviam sido abaladas a disciplina
e a hierarquia." [91]
O
movimento popular seria sedutor matreiro pronto a atentar
às castas virtudes cívicas de oficialidade que, diante do
perigo, levantou-se briosamente para pôr fim à "desmoralização"
que conheciam as forças armadas. Interpretação quase bucólica
construída sobre a obliteração das décadas anteriores de
conspiração anti-popular dessa mesma oficialidade.
Ode
áulica
No
desenrolar da proposta da intervenção corretiva, de objetivos
democráticos, para pôr fim à "bagunça" popular,
o autor entoa contido mas poderoso elogio áulico ao ditador
Castello Branco, personagem que resplandece fortemente em
contraste com o perfil vil e debocho que se traça de João
Goulart, o presidente defenestrado.
Se
Jango era rústico, inculto
e femeeiro desbragado, espécie de Iago da política
nacional, "Castello era um homem de hábitos simples,
porém refinados, lia Anatole France e ouvia Mendelssohn." [139] Almoçava "no palácio Laranjeiras
com o poeta Manuel Bandeira, ia às peças de teatro de Tônia
Carrero, freqüentava as chatas sessões de posse" na
ABL [221]
Para
justificar as violências castellistas, Gaspari surfa nas
vagas das conjeturas arbitrárias. Devido à "radicalização
que levara o conflito para fora do círculo estrito das cúpulas
política e militar,
a vitória não podia extinguir-se com a deposição do presidente.
Fosse qual fosse o lado vitorioso, ao seu triunfo corresponderia
um expurgo político, militar e administrativo." [121]
A fantasia
na história
A
equação proposta é simples. Se Jango Goulart tivesse vencido
seu hipotético golpe, teria praticado hipotéticas
violências contra os vencidos. Portanto, as violências
imaginadas de Jango justificam as violências reais
do castellismo como "parte do jogo bruto provocado
pela radicalização dos últimos anos". [132]
A
compreensão do devir histórico como resultado da ação dos
grandes protagonistas impede qualquer contextualização efetiva
do governo Castello Branco e, mais grave ainda, das superações
materializadas pela ascensão de Costa e Silva e de Medici
ao governo, determinadas e determinantes das forças sociais
e econômicas em tensão.
As
justificativas de Gaspari remetem à “guerra preventiva”
atual de George Bush em sua incursão militar contra o Iraque.
A pretensa possibilidade que o outro lado ataque justifica
uma ação militar preventiva. Ou seja. As violências imaginadas
de Jango justificam as violências reais do castellismo.
O belo
e as feras
Imediatamente
após lembrar que as "contorções institucionais do regime
de 1964 pouco deveram às características dos generais-presidentes",
Gaspari acrescenta que Castello era homem culto e refinado
e "Costa e Silva se orgulhava de só ler palavras cruzadas.
Medici freqüentava estádios de futebol com um radinho de
pilha no ouvido e um cigarro na boca".
[139, 128 II]
Já
foram desveladas as razões fundamentais da fragilização
social do governo Castello Branco. Seguindo o receituário
yankee, ele impôs o arrocho salarial; cortou subsídios;
restringiu o crédito, liberou as remessas de lucro; etc.
Essas medidas ensejaram recessão, desemprego, pobreza e
desacumulação.
A
orientação liberal castellista, que sonhava com a privatização
das empresas públicas, determinou forte descontentamento
dos segmentos populares opostos ao golpe e das classes médias
que o havia apoiado. Motivou a oposição de capitais industriais
nacionais, sustentáculos do regime. Tudo isso enquanto o
mundo aprestava-se a explodir embalado pelos sucessos franceses
de 1968.
A
metamorfose do monstro
Para
Elio Gaspari, o prosseguimento da ditadura após Castello
Branco é uma derrapagem funcional militar sem conteúdo e
a reação social de 1967-8, uma crise política evacuada analiticamente com algumas
orações bem torneadas. "Quando o consulado de Castello
Branco começava a apagar suas luzes, a panela do movimento
estudantil explodiu, e o governo teve [sic] de sair às ruas
de cassetete na mão." [232] "O país sangrava em
virtude das punições de 1964 e das mutilações eleitorais
de 65." [278]
A
complexa metamorfose da ordem liberal-autoritário em ditatorial
desenvolvimentista, embalada pela crise econômico-social,
é apresentada como resultado da ação de protagonistas
que determinaram os rumos do Brasil devido ao que fizeram
ou deixaram de fazer. "Castelo sofria [sic] procurando
preservar alguma forma de legalidade, mas Costa e Silva,
[...], numa só vacilação, precipitou o país na ditadura
[...]." [139]
A
radical transição do regime liberal-autoritário ao autoritário-desenvolvimentista
– apoiado no capital mundial, no mercado externo e na super-exploração
do trabalho – torna-se tropeço político de ditadura que
se queria provisória [envergonhada] em ditadura que
se pretendia eterna [escancarada]. Tudo devido à
radicalização da esquerda civil e da direita militar. "O
que se deu no Araguaia foi o paroxismo do choque dos radicalismos
ideológicos que [...] influenciaram a vida política brasileira
por quase uma década." [406, II]
Os
paladinos da ordem
A
negação radical da centralidade dos sucessos sócio-econômicos
– o "milagre econômico" – na radicalização e consolidação
da ditadura, por um lado, e na derrota da oposição de esquerda,
por outro, no início dos anos 1970, característica marcante
da narrativa, constitui elemento necessário ao quadro analítico
e à explicação essencial dos fenômenos propostos por Elio
Gaspari.
A
ignorância das transformações estruturais ensejadas pela
ditadura viabiliza a apresentação de sua dissolução, não
como fenômeno complexo nascido do esgotamento do novo padrão
de acumulação, quando da crise capitalista mundial de meados
de 1970, mas como mero resultado da vontade de Geisel e
Golbery, paladinos do enredo gaspariano, desgostosos com
a "bagunça" militar dos anos Costa e Silva-Medici!
Bagunça
e bagunça
Nessa
altura da narrativa, começa a ficar claro que a proposta "bagunça"
talvez não se encontre nos fenômenos históricos, mas na
sua representação. "Restabeleceu-se a ordem com Geisel
porque, de todos os presidentes militares, ele foi o único
a perceber que, antes de qualquer projeto político, era
preciso restabelecer a ordem militar." [142]
Elio
Gaspari paga caro a ignorância da complexidade do processo
histórico objetivo. A ditadura escancarada, segundo
tomo da sua longa narrativa, dedicado sobretudo ao governo
Medici, torna-se árido relato da luta armada da esquerda,
da repressão de direita e do início da luta contra a tortura.
A
queda de interesse da narrativa não se deve ao fato que
a oposição armada, a repressão e a oposição à tortura já
tenham sido abordadas, em forma exaustivas, em trabalhos
magnífico, como o clássico Combate nas trevas, de
Jacob Gorender, e o monumental
"Projeto Brasil: nunca mais". Essas questões
serão ainda objeto de múltiplas análises monográficas e
sínteses gerais criativas.
Sem
raízes
Esse
empobrecimento deve-se sobretudo a descrições circunstanciadas
da luta armada, da repressão e da tortura despidas dos sentidos
e conteúdos sociais e históricos profundos daqueles sucessos,
quase como se fossem inesperados desvios morais ou
comportamentais da normalidade. Esse volume quase
ignora a população.
Isso,
para não falar dos estereótipos assacados contra um dos
lados da contenda ideológica – a esquerda. O autor iguala
os que optaram pelo caminho da contestação armada, muitas
vezes até por falta de outras possibilidades em função do
fechamento do regime de 64, com os movimentos terroristas
que surgiram ao longo do tempo.
Pela
concepção gaspariana, fatos históricos como a Revolução
Francesa, a lutas de independência contra as potências coloniais,
a resistência anti-fascista na Itália, França, Grécia, etc.
não passariam de “movimentos terroristas”. Nem mesmo Tiradentes,
um herói oficial brasileiro,
seria poupado em sua luta contra a Coroa Portuguesa
por essa visão da história.
Infecção
por contato
A
diferença entre esses movimentos e a luta armada do início
do anos 70 é que eles foram vitoriosos e no Brasil o esquema
militar desbaratou os contestadores, isolados do movimento
social, através de violenta repressão. Versão oficial dos que se julgam vencedores, a concepção gaspariana ignora o princípio
histórico segundo o qual para que uma nova ordem estabeleça-se
é necessário a ruptura que comumente ocorre em formas não
pacíficas.
As
razões propostas para a radicalização da esquerda são simplistas
e elitistas. Procurando "despolitizar as universidades",
Castelo extinguiu a UNE, o que colocou "gradativamente
o movimento estudantil na clandestinidade, juntando-o aos
partidos comunistas, ao radicalismo brizolista e, sobretudo,
às centenas de sargentos e suboficiais que haviam sido expulsos
das Forças Armadas." [226]
A
fixação obsessiva na abordagem da tortura, presente no segundo
volume, parece nascer de sua compreensão como o grande pecado
capital de regime criticado, não pelo que fez, mas pelo
modo que o fez. "Durante todo o
ano de 1968 a máquina de informações
e repressão do governo patrocinou o seu próprio terrorismo
e edificou o golpe do AI-5, mas não cuidou da segurança
nacional [sic]." [354]
Linguagem
escravizada
Não
se denuncia um regime autoritário, ao qual se reconhece
justificativas sociais, mas o fato de ter superado o que
se julga moralmente permitido e, sobretudo, de se ter prolongado
além do tempo tido como necessário: "O governo acreditava
em bruxa, elas efetivamente existiam, e ele se dispunha
a caçá-las, mas o problema não estava nas bruxas, mas sim
na maneira como as caçavam." [222]
Também
a linguagem de Gaspari registra o corte liberal de discurso
que realiza o elogio da destruição da "bagunça"
nacional-desenvolvimentista por Castello e a apologia da
obra de Geisel e Golbery. Um discurso que retoma amiúde
vocábulos e conceitos paridos e fecundados pelos ideólogos
da direita de então e, assim, seus conteúdos essenciais.
Os
sindicatos e associações são "filocomunistas"
e "monitoradas pelo Partido Comunista". [81,3]
A esquerda "desmoralizava" e promovia a "anarquia"
e a "indisciplina" nas forças armadas, obrigando
a "oficiais" a suportarem "situação vexatórias".
[50, 91, 2] A mobilização dos marujos é "baderna dos
marinheiros"; os sargentos antigolpistas, "sargentada";
a mobilização popular, "grande baderna". [140,
84, 227] A Tricontinental, uma "grande quermesse [...]
do esquerdismo latino-americano". [197]
A voz
que domina
Há
lapsos lingüísticos quase saborosos, como a adoção da retórica
da repressão – "A FNFi, no Rio de Janeiro, fora um
dos mais agitados ninhos de subversão universitária."
– e a concessão de caráter "revolucionário" à
– "[...] a ordem revolucionária teve de conviver
tanto com os corruptos como com os torquemadas [...]."
[224, 135: destacamos]
Com
A ditadura envergonhada e A ditadura escancarada,
Gaspari inicia ambicioso projeto de recuperação historiográfica
liberal da ditadura militar. Procura separar um núcleo central,
que vê como positivo – o início do fim da Era Vargas; os
governos Castelo Branco e Geisel –, de secundário e acessório,
que aponta como negativo – o governo desenvolvimentista
de Costa e Silva e Medici, os excessos da repressão.
Registra
na "Explicação" inicial, para não deixar dúvidas
sobre sua filiação ao princípio do direito absoluto da circulação
dos capitais, seu horror ao desvio desenvolvimentista
ao liberalismo castellista: "[...] por conta da
insana política de reserva de mercado, os dois primeiros
[computadores utilizados para redigir as obras] chegaram
à minha mesa pelos desvãos da alfândega." [18]
A narrativa
trivial
O
poder da frase de efeito é poderoso recurso para sugerir
desdobramentos complexos que o texto jornalístico, devido
a sua curta extensão e a sua abordagem superficial, não
é obrigado a desenvolver. Na narrativa jornalística, que
navega comumente no mar da trivialidade, a abordagem da
essência dos fenômenos é objetivo apenas enunciado.
Para
não se envergonhar, a narrativa historiográfica deve desenvolver
seu relato perseguindo inexoravelmente a reconstituição
dos fatos e a explicação dos seus nexos profundos. Nesse
percurso, a solução literária é forma de expressão que não
expunge o imprescindível desventramento dos conteúdos.
A
conclusão da leitura dos dois livros permite ao leitor responder
à pergunta inicial do autor sobre as razões de Geisel e
Golbery guardarem e entregarem a ele seus arquivos, concedendo-lhe
o privilégio de um longo convívio e demoradas
entrevistas. Possivelmente sonhavam com a coroação
de suas obras pessoais por biografia parida por escritor
de recursos solidário com suas ações. E sequer essa homenagem
faltou aos ditadores.