Por JOÃO DOS SANTOS FILHO

Professor da Universidade Estadual de Maringá-UEM. Coordenador e professor do curso de turismo da Faculdade Nobel. Professor da Universidade Norte do Paraná (UNOPAR). Aluno especial do doutorado da Universidade de São Paulo (USP) na Escola de Comunicação e Artes (ECA)

 

Ideologia Alemã: uma breve passagem teórica sobre o lazer e o fenômeno turístico no pensamento de Karl Marx

 

Obra de Marx e Engels; ''A Ideologia Alemã“ redigida em 1847, expõe de forma sistemática os princípios do materialismo histórico e do socialismo científico, faz uma crítica geral à filosofia especulativa, porém, só foi publicada em 1932 na União Soviética.

Alguns fragmentos importantes existentes na obra poderão sinalizar novos campos de pesquisa, para o turismo e o lazer, pois o importante é aprofundar estudos dentro de outros patamares teóricos, que tragam para o interior da academia a discussão e o debate sobre o fenômeno turístico.

A obra "A Ideologia Alemã”, por ela expressar como os homens criam os meios necessários para a criação de novos instrumentos de produção e como conseqüência buscam diminuir a jornada de trabalho na busca do descanso, via o ócio, lazer ou turismo.

“... a existência de um primeiro pressuposto de toda a existência humana e, portanto, de toda a história, a saber, que os homens devem estar em condições de poder viver a fim de <<fazer história>>. Mas, para viver, é necessário antes de mais beber, comer, ter um tecto onde se abrigar, vestir-se, etc. O primeiro facto histórico é, pois a produção dos meios que permitem satisfazer essas necessidades, a produção da própria vida material; trata-se de um facto histórico, de umas condições fundamentais de toda história, que é necessário, tanto hoje como há milhares de anos, executar dia a dia, hora a hora, a fim de manter os homens vivos" ( Marx, 1976: 33).

Para os homens se manterem vivos, necessitam satisfazer as necessidades primárias e secundárias e dentre elas necessariamente estará o lazer e de forma contemporânea o turismo. Esses são pontos que apesar de não constar na literatura de Marx, foram de uma forma ou outra por ele sinalizado.

Uma das passagens mais brilhantes desse livro se localiza no momento quando ao abordar a sociedade comunista, comenta da necessária liberdade de escolha pelas atividades de trabalho e atividades de lazer.

“Na sociedade comunista, porém, onde cada indivíduo pode aperfeiçoar-se no campo que lhe aprouver, não tendo por isso uma esfera de actividade exclusiva é a sociedade que regula a produção geral e me possibilita fazer hoje uma coisa, amanhã outra, caçar de manhã, pescar à tarde, pastorear a noite, fazer crítica depois da refeição, e tudo isto a meu bel-prazer, sem por isso me tornar exclusivamente caçador, pescador ou crítico" (Marx, 1976: 41).

A sociedade capitalista possui uma tendência em universalizar seus pensamentos segundo o interesse da classe dominante, nesse sentido, Marx delimita de forma concreta o seguinte pensamento.

“Os pensamentos da classe dominante são também, em todas as épocas, os pensamentos dominantes, ou seja, a classe que tem o poder material dominante numa sociedade é também a potência dominante espiritual. A classe que dispõe dos meios de produção material dispõe igualmente dos meios de produção intelectual; de tal modo que o pensamento daqueles a quem é recusado os meios de produção intelectual está submetido igualmente à classe dominante. Os pensamentos dominantes são apenas a expressão ideal das relações materiais dominantes concebidas sob a forma de idéias e, portanto, a expressão das relações que fazem de uma classe a classe dominante; dizendo de outro modo, são as idéias e, portanto, a expressão das relações que fazem de uma classe a classe dominante; dizendo de outro modo, são as idéias do seu domínio”. (Marx, 1976: 55 e 56)

Esses argumentos auxiliam no estudo dos parques temáticos e sua ideologia, que de infantil não tem nada, mas sim, demonstra uma estrutura composta de suaves elementos doutrinadores que são expressos por meio do lúdico, o fantástico, o irreal, o ilusório e o pior de todos o idiotizante. A realidade é a marcada pela falsidade e trabalha no campo do fetiche.

Outro ponto deverás interessante é a noção de padronização, um desrespeito total às particularidades em que uma imensa força centrifuga nos coloca diante da globalização que o Lênin chamou de imperialismo. E Marx assim se refere:

“Criou por todo lado as mesmas relações entre as classes da sociedade, destruindo por isso o caráter particular das diferentes nacionalidades. E finalmente, enquanto a burguesia de cada nação conserva ainda interesses nacionais particulares, a grande burguesia surge com uma classe cujos interesses são os mesmos em todas as nações e para qual a nacionalidade deixa de existir; esta classe desembaraça-se verdadeiramente do mundo antigo e entra simultaneamente em oposição com ele”. ( Marx, 1976: 75).

Esse processo de homogeneização da cultura, em que o regional, local e o Folk sofrem uma pasteurização nas relações sociais e dos costumes, afeta exclusivamente o turismo, pois a pressão que o estilo Fast-Food de viver faz surgir à idéia de aldeia global, onde o padrão de vida é ditado segundo os interesses da classe dominante e dos dirigentes que detêm o monopólio do "bem servir". Esse processo funciona dentro dos padrões de qualidade segundo os interesses do turista estrangeiro que busca satisfazer sua necessidade sexual, pois segundo agentes criam a imagem de um país exótico e de mulher fácil.

O Brasil deve lutar por manter suas peculiaridades em todos os campos; na culinária, na hospitalidade, no padrão de atendimento e no respeito as suas crianças e adultos no que se refere aos direitos humanos. Nada deve, tirar do brasileiro sua brasilidade, mas sim, coloca-la a mostra, demonstrando orgulho pela população africana, européia e o nativo da terra.

 

 

JOÃO DOS SANTOS FILHO

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