Muito
se fala em globalização, mas nem todos entenderam que o
termo surgiu para dar nome ao processo de expansão das grandes
empresas existentes no mundo, principalmente nos países
mais ricos do hemisfério norte.
Somente
as 500 maiores empresas do mundo faturaram 5 trilhões de
dólares em 1992. É muita riqueza controlada por pouca gente.
Em
1994, as 10 maiores destas empresas, 7 do Japão, 3 dos Estados
Unidos e uma da Europa, faturaram 1 trilhão e 400 bilhões
de dólares. Isto representava muito mais do que o PIB (soma
dos bens e serviços produzidos anualmente em cada país)
de toda a América Latina e Caribe no mesmo ano.
Vamos
discutir um pouco mais sobre como atuam as empresas transnacionais:
1.
Na lista dos dez conglomerados de empresas transnacionais
que mais faturaram em todo o mundo no ano de 1994, nos dois
primeiros lugares encontramos os grupos Mitsubishi e Mitsui,
de origem japonesa;
2.
Numa reportagem do Jornal Folha de São Paulo, de 9 de dezembro
de 1999, os dois conglomerados estão também em outra lista.
Desta vez aparecem entre as principais empresas acionadas
judicialmente por pessoas que foram vítimas de trabalho
escravo durante a Segunda Guerra Mundial. Segundo consta,
muitos milhares de prisioneiros de guerra foram "cedidos
pelo Exército japonês para serem usados por empresas privadas
na mineração, na siderurgia e na construção em áreas ocupadas";
3.
Mitsubishi e Mitsui hoje estão entre os respeitáveis gigantes
que promovem a globalização da economia mundial;
4.
Diretamente envolvidas com trabalho escravo, desta vez na
Alemanha da época do nazismo, vamos encontrar mais dois
conglomerados que constam da lista dos dez que mais faturaram
em 1994, Ford e General Motors, e um gigante do mercado
financeiro internacional, o Chase Manhattan;
5.
A colaboração da Ford, com o aval direto da família Ford,
ficou mais conhecida internacionalmente: "A Ford colaborou
de bom grado com os nazistas, e isso ao mesmo tempo fortaleceu
muito suas perspectivas econômicas e ajudou Hitler a preparar-se
para a guerra (e, após a invasão da Polônia, em 1939, a
conduzi-la)", escreveu Ken Silverstein em artigo reproduzido
pelo Jornal Folha de São Paulo de 27/02/2000;
6.
Franceses, russos, ucranianos e belgas trabalhavam na fábrica
da Ford na Alemanha por 12 horas por dia, com apenas um intervalo de
15 minutos, tendo como alimentação diária uma xícara de
café puro e 200 gramas de pão pela manhã, nada no almoço
e três batatas com espinafre no jantar;
7.
Graças ao trabalho escravo dos prisioneiros a Ford
"tornou-se uma das maiores fornecedoras de veículos
do Exército alemão";
8.
Além dos três conglomerados de origem norte-americana mencionados
acima, dezenas de outras empresas multinacionais, dentre
as quais a Bayer, BMW, Volkswagen e Daimler-Chrysler colaboraram
ativamente com o regime nazista e se utilizaram do trabalho
dos prisioneiros dos campos de concentração.
***
Ao
avaliarmos a riqueza e o poder concentrados por essas mesmas
empresas na sociedade global construída após a Segunda Guerra
Mundial pode-se concluir que o crime compensou!
Para
entendermos as razões que motivaram os executivos das transnacionais
a promoverem, ontem, a desumanidade do nazismo, e, hoje,
a desumanidade da globalização, no Relatório do Desenvolvimento
Humano 1999, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento,
aparece uma excelente explicação: