Muitos
analistas estão dizendo que a atual invasão anglo-americana
ao Iraque é uma “loucura”. Ao nosso juízo, a guerra não
é um ato irracional, na medida em que cada vez mais ela
exige diversos tipos de inteligência para implementar
a logística, a estratégia, a tática junto com o emprego
da tecnologia operacional, todos esses fatores visam destruir,
esvaziar o moral dos supostos inimigos e vencer as batalhas.
Se por um lado, a guerra não um ato
irracional, por outro, ela também não é totalmente racional. Freud chegou a ver nesse ato uma forma de psicose
coletiva, e como sabemos onde existe psicose – individual
ou coletiva - existe sim a constatação de doença mental,
mas não necessariamente deixa de existir a participação
da inteligência. Evidentemente que nas guerras há um período
de tempo em que grupos humanos retrocedem ao estágio mais
atrasado e baixo de sabedoria, imperando nesse lugar as
piores paixões sobre as razões.
Depreende-se que a alta tecnologia, o raciocínio
estratégico e o discurso pseudo libertário e humanitário
contemporâneos, não representam que o ser humano verdadeiramente
avançou em termos de sabedoria, muito pelo contrário.
Noutros termos, o avanço na dimensão do conhecimento científico
e tecnológico quase que boicotou os avanços da sabedoria,
haja vista a mediocridade e falta preparo da diplomacia
norte-americana.
Alguém disse que os generais sabem
como começar uma guerra, mas ninguém sabe como terminar.
E, a verdade é a primeira vítima numa guerra. Portanto,
é pura retórica enganosa da estratégia dos “falcões” do
governo G. W. Bush, quando no seu início prometia “uma guerra curta”, “preventiva”, com “ataques
cirúrgicos” para “libertar” o povo do ditador iraquiano.
Hoje já se fala de que “guerra vai durar o tempo necessário”,
isto é, será longa e cruel para com o povo iraquiano e
qualquer outro que se meter nesse conflito. Será dura
também para os soldados da “coalizão”, pois como disse
H. C. Hoover, “os homens idosos declaram as guerras, mas
são os jovens que têm que lutar e morrer”.
O fundamentalismo cristão que sustenta
o governo do aiatolá cristão G. W.Bush, carrega no seu
fundo o “protofascismo”, (U. Eco,
1995). Tal ideologia se ramifica em vários setores chegando
ao sistema midiático norte-americano, sonegando informação
das perdas de vidas dos jovens e faltando com a verdade
sobre as vítimas civis. Também ambicionaram ideologizar
a educação das novas gerações, segundo um falso moralismo
puritano, o patriotismo
fanático, cheio de ‘Heróis” e “Super Heróis” defensores
da América – só para os americanos. Essa ideologia sutilmente vem desprezando
os mais fracos do mundo, incluso nesse grupo os pacifistas,
os africanos, os pobres do mundo, todos os que rejeitam
o modo de viver americano e, as organizações e tratados
que representam a “sabedoria” da sobrevivência do planeta.
Há também um fato mundial novo. O
crescente anti-americanismo. Os EUA – principalmente a
direita evangélica fundamentalista - querem ser vistos
como defensores do “bem” e da “liberdade” e até do meio
ambiente (eles ou são tão mal informados, não sabem que
foram os EUA que não assinaram o tratado de Kyoto, ou
vivem de auto-enganos); estão tão convictos de sua “boa
intenção” nessas invasões que não entendem os motivos
de defesa legítima do povo. (Se os EUA, a pretexto de
combater o narcotráfico ou defender a Amazônia da derrubada
predatória daquela floresta, invadissem aquela área grande
brasileira, será que
também nós – brasileiros –não estaríamos dispostos a lutar
contra os invasores?). Os americanos ficam surpreendidos
quando ficam sabendo que o povo da Coréia do Sul querem
que os EUA sumam de vez de seu país. Parecem desconhecer o significado de soberania
e de autonomia de um povo desejar ou amadurecer para se
livrar de “seu” ditador.
Bom seria se, a exemplo da tática
de M. Gandhi, se esses sentimentos fossem traduzidos em
ações de boicote aos produtos símbolos do capitalismo
americano, tais como a Coca-cola, o McDonald, os filmes,
etc... Mas, existe um problema: se tal boicote for levado
ao extremo, também deveríamos boicotar muitos remédios,
aparelhos hospitalares e mesmo algumas idéias e métodos
tipicamente americanos que hoje dominam o meio universitário
brasileiro? Será que as pessoas ainda estão preparadas
para viver sem consumir esses produtos ideologizados?
Observa-se cada vez mais que, muitos
que tiveram pena dos norte-americanos vitimados nos ataques
de 11 de setembro de 2001, hoje quase-desejam uma nova
edição terrorista, porque parece ser o único modo de retaliação
para com a nação mais poderosa do mundo. O conteúdo das
declarações de Bin Laden, hoje parece ter mais sentido,
mesmo não concordando com seu método de luta.
Ë isso. Voltando a Freud, ele disse
que todos os empreendimentos
humanos, “a guerra confunde as inteligências humanas mais
lúcidas”. Contra ou a favor ficamos meio confusos diante
da guerra. Geralmente a posição “a favor” da guerra, não
se importa com o com o montante de vidas injustamente
perdidas, o patrimônio histórico da humanidade destruído
e as seqüelas que ficam para sempre na alma da nação atingida.
A própria ciência – tida em tempos de paz como o exemplo
de racionalidade e neutralidade – no período de guerra
perde sua imparcialidade e neutralidade, e se revela um
instrumento muito perigoso nas mãos dos mais fortes.
Semelhanças com o nazi-fascimo
Os atos de guerra da chamada “doutrina preventiva” idealizada
por Paul Wolfowitz, o número um dos
“falcões” (neo conservadores ou neo fascistas)
do governo direitista do aiatolá cristão G W. Bush, lembram
o comportamento dos nazistas alemães, senão vejamos alguns
pontos:
a) na auto promoção de ser escolhido por Deus para levar o Bem ao mundo;
b) na crença de serem os eternos lutadores agentes do “bem” contra o “mal”;
b) nas ações objetivas de guerra
de “grande missão” são decorrentes de fantasias ou delírios
de perseguição;
c) de desejar ser ‘o país mais
forte do mundo”, tal como a Alemanha nazista também aspirava ser a
nação mais forte do mundo, hoje são os EUA que já são
“um império”, segundo os analistas. Hitler com toda a
sua arrogância ariana escreveu: “o mais forte tem que
dominar e não se misturar com o mais fraco, e assim sacrificar
sua grandeza (Hitler, “Minha luta”, citado por S. Becker,
1999, p. 145).
Não é sem sentido que muitos cartazes
usados nas manifestações em todo o mundo aparecem desenhados
a suástica (ou cruz gamada dos nazistas) na bandeira norte-americana
e a imagem de Hitler vir associado a imagem do G. W. Bush
usando um bigodinho.
Outro detalhe de semelhança entre
Hitler e G. W. Bush: “a luta pessoal se transforma em
luta nacional”. Se Hitler soube captar o “espírito alemão”
da época, fazendo com que o estado nazista defendesse
como princípio a superioridade da raça ariana, os EUA
de hoje ao demonstrar sua hegemonia, sua presença bélica
em várias partes do mundo, transmitem ao seu povo, principalmente
aos jovens, que a superioridade militar vale muito mais
do que a capacidade política-diplomática. Ensina que em
lugar da palavra – da política – devemos
exercer a força; em vez do respeito aos tratados,
organizações (ONU) e demais princípios (multilateralismo)
vale mais o unilateralismo. Ou seja, sendo “superior”
aos demais estados, os EUA não precisam de ninguém para
atacar qualquer país, mesmo que para isso seja odiado
pela maioria dos povos do mundo. E esse exemplo ser estendido
a várias situações, da geopolítica
às nossas complicadas relações humanas.
Enfim, penso que tal quadro narcísico
onipotencial dos EUA de hoje se aproxima muito do estado
narcísico prepotente do fascismo de Mussolini ao invadir
a Abissínia usando equipamentos bélicos modernos, inclusive
gases tóxicos, e da Alemanha nazista-racista de Hitler,
fanatizada pela idéia de
superioridade da raça ariana, levando-a a perseguir
e assassinar judeus, ciganos, homossexuais, comunistas,
e desprezar as cláusulas do tratado de paz sobre o território
do Saar, ocupou essa região sem que houvesse reação das
potências ocidentais.
O fator
complicador nessa comparação entre a invasão anglo-americana
e o nazi-fascismo é: Por que será que a política dos EUA
hoje faz vistas grossas aos contínuos crimes de Israel
que jamais distinguiu um militante suicida de civis? Uma
resposta pseudo moral e aparentemente ridícula vem se
firmando no grupo de direita evangélica do governo do
aiatolá cristão Bush. Eles esperam que os judeus se convertam
ao cristianismo “renovado”.
Ora,
esperar que os judeus se convertam tão docilmente ao “cristianismo
renovado”, é uma estratégia tão ingênua como acreditar
que os iraquianos não vão lutar contra os invasores de
seu país ou que receberiam os “libertadores” com alegria
e festa. Essa estratégia apesar de ridícula tem causado
sérias reações de repulsa no meio judaico, segundo a reportagem
do “60 minutos”. Afinal, a longa história dos judeus,
mesmo ofuscada com os atos criminosos da ultra direita
de Sharon, tem muitos elementos a seu favor, para se prevenir
contra mais essa ideologia de dominação neo fascista norte
americana.