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Por
ANTONIO
MENDES DA SILVA FILHO* & MARIA VIVIANE MONTEIRO DELGADO**
*Professor do Departamento de Informática da UEM.
Doutor em Ciência da Computação; **Graduanda em Economia na Universidade
Estadual de Maringá |
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A
sobrecarga da informação na era da internet
“A
riqueza da informação cria a pobreza da atenção”. [1]
Atualmente,
a informação está disponível de maneira rápida, barata e
disseminada. Assim, não é de se admirar que todos se queixem
do excesso de informação. Note que hoje em dia o problema
não é o acesso à informação, mas sua sobrecarga. Como resultado,
tem-se a necessidade de filtrar e discernir. Neste contexto,
o discernimento é um fator chave, pois implica que o indivíduo
deve possuir a capacidade de julgar as coisas, clara e sensatamente.
Quantos de nós recebem no cotidiano uma enxurrada de mensagens
via correio eletrônico? A Internet tem beneficiado as pessoas
oferecendo-lhes um forma ágil e de baixo custo para comunicação
profissional e/ou pessoal bem como de pesquisa. Por outro
lado, tem exigido maior atenção e discernimento no seu uso
sob o prejuízo de termos o tempo precioso sendo consumido
de forma avassaladora.
É importante observar que excesso de informação pode
ser benéfico. Mas quem não gostaria de dispor de muita informação?
Quanto mais, melhor. Mas, qual o custo de usufruir deste
benefício? Isto requer que o indivíduo seja capaz de analisar,
sensatamente julgar e discernir a fim de selecionar, ou
melhor, separar o joio do trigo.
Entretanto, quantos têm a capacidade de discernir?
Em princípio, todos. Todos somos capazes de analisar, julgar
e decidir. Entretanto, este é um processo longo para o ser
humano até que ele atinja um amadurecimento, permitindo-lhe
filtrar e discernir sobre a enxurrada de informação de seu
cotidiano. Um exemplo simples: considere um estudante que
necessita fazer um trabalho de pesquisa sobre determinado
tema. Se ele não tiver o escopo do tema da pesquisa bem
delimitado, certamente encontrará uma quantidade enorme
de fontes. Isto deve-se a elevada produção de informação
sob a forma de vídeos, livros, revistas e jornais
de natureza impressa e eletrônica. Assim, é fundamental
conhecer as fontes bem como saber discernir sobre seu conteúdo,
pois quantidade não implica qualidade. Neste caso, uma orientação
sobre boas fontes é imprescindível. Agora, o leitor deve
estar refletindo e questionando-se: Será que vale a pena
toda essa gama de informação disponível ? Qual meu real
ganho nisso tudo? Eu, você e cada um de nós que tenhamos
acesso a Internet somos permitidos buscar por tudo aquilo
que precisamos para satisfazer às nossas mais diversas necessidades.
Note que, até aqui, a preocupação tem sido o consumidor
da informação, e o que dizer do produtor ou fornecedor da
informação?
O valor verdadeiro produzido por um fornecedor de informação
reside em focalizar, filtrar e comunicar o que é útil para
o consumidor. Não é por acidente que os sites mais populares
da Web pertencem às máquinas de busca, aqueles dispositivos
que permitem às pessoas encontrar a informação que valorizam
e evitar o resto. Costuma-se dizer que no ramo imobiliário
existe três fatores essenciais: localização, localização
e localização. Qualquer um pode estabelecer presença na
Web – e muitos o fizeram. O grande problema é fazer com
que as pessoas saibam sobre essa presença. Por exemplo,
a amazon.com (uma das livrarias eletrônica na Internet),
recentemente, fez um acordo com a América Online (AOL) para
ter acesso aos seus milhões de clientes. Em outras palavras,
o que pode ser compreendido desta transação é a atitude
da amazon.com de comprar a atenção dos assinantes da AOL.
Mas, observe que à medida que os consultórios médicos, supermercados
e outros estabelecimentos tentarem agarrar nossa atenção,
a sobrecarga de informação irá piorar.
Perceba que a venda da atenção dos espectadores, e porque
não possíveis consumidores, sempre foi um modo atraente
de manter a disponibilidade de informações. Dentro deste
contexto, tem-se que os comerciais sustentam a TV aberta
e os anúncios constituem um excelente fonte de receita das
revistas e jornais. Daí, a propaganda funciona pois explora
os padrões estatísticos.
Cabe salientar que a Internet é um híbrido entre o meio
de radiodifusão e o de ponto a ponto pois oferece potenciais
novos e atraentes de harmonizar clientes e fornecedores.
Assim, a rede permite que os fornecedores de informação
se movam da forma convencional de propaganda por meio de
radiodifusão para a comercialização de um a um. Uma outra
observação importante é o trabalho de coleta de informações
sobre os hábitos de assistir programas de milhares de consumidores,
objetivando direcionar os programas da próxima temporada.
Similarmente, os servidores da Web podem observar o comportamento
de milhões de clientes e produzir de imediato um conteúdo
personalizado. Em outras palavras, isto significa apresentar
anúncios personalizados. Note que a informação acumulada
nesses servidores da Web não está limitada ao comportamento
atual dos usuários. Esses servidores podem
também ter acesso a bancos de dados com informações históricas
e demográficas de clientes. Assim, essa nova forma de comercialização
baseada na Internet beneficia tanto fornecedor quanto consumidor
pois o anunciante consegue atingir o mercado visado, e os
consumidores só têm de dar sua atenção aos anúncios de seu
interesse. Entretanto, o problema da sobrecarga persiste
e tende a piorar, excetuando-se se eu, você e cada um de
nós formos capazes de discernir e selecionar sobre o conteúdo
buscado e encontrado.
Finalizando, uma preocupação ainda não discutida
emana: E o que dizer dos excluídos da Internet? Ah, este
é um tema de outro artigo.
ANTONIO
MENDES DA SILVA FILHO & MARIA VIVIANE MONTEIRO DELGADO
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Nota:
[1]
SIMON, H. “Designing Organizations for an Information-Rich World”.
Em Donald M. Lamberton, ed., The Economics of Communication and
Information. Cheltenham, Reino
Unido: Edward Elgar, 1997.
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