4.
O Brasil não consegue exportar devido ao protecionismo
dos países ricos que protegem seus setores estratégicos
ou sensíveis. O Brasil deveria fazer o mesmo.
Muito relativo: o protecionismo talvez tenha uma incidência
marginal nos fluxos globais e não seria ele um obstáculo
absoluto ao dinamismo das exportações brasileiras, que dependem
de outros fatores vinculados à produtividade geral e competitividade
da economia nacional. Imitar práticas protecionistas não
é necessariamente receita para o desenvolvimento econômico
e social do Brasil.
O protecionismo virou o conceito da moda de nossa época, junto
com a “deterioração das relações de troca” e o “intercâmbio
desigual”. Ele está na boca de todos os dirigentes nacionais
e representantes de organismos internacionais, mas sempre
acompanhado de alguma conotação negativa, como algo a ser
evitado em seu próprio país e combatido nos demais. Sua
realidade é, todavia, completamente esquizofrênica, pois
se trata do mais mal-amado conceito subrepticiamente praticado
por todos aqueles que se dão ao trabalho de rechaçá-lo.
Com efeito, não há economista sensato que se posicione contrariamente
ao livre-comércio, seja com base em argumentos ricardianos,
do tipo clássico, seja com base em teorias mais modernas
do comércio internacional (vantagens comparativas dinâmicas).
Mas existem poucos políticos sensatos – isto é, com interesse
em preservar o mandato – que o defendem abertamente, ainda
que acrescentem, com ar de espertos, que eles são a favor
em teoria mas que na prática é difícil garantir o livre-comércio.
Todos esses políticos sustentam versões mais ou menos edulcoradas
de medidas protecionistas, pois se trata, obviamente, de
preservar empregos na sua circunscrição eleitoral. Nenhum
deles prega abertamente o protecionismo, mas todos eles
o praticam de uma forma ou de outra.
O protecionismo dos países ricos geralmente se exerce naqueles
setores de maior intensidade laboral, isto é, os ramos da
“velha” indústria ou de primeira geração, ainda que alguns
deles contem com máquinas e equipamentos modernos e com
processos produtivos automatizados segundo os requisitos
mais atuais da integração indústria-serviços. Trata-se das
indústrias têxteis (fiação, tecelagem e confecções), de
calçados, siderúrgicas, processamento alimentar e uma série
de outras derivadas do primeiro capitalismo, ademais, como
é notório, de todo o setor agrícola (com poucas exceções).
Chega a ser rizível, se não fosse trágico, observar o comportamento
atávico de políticos e agricultores europeus defender a
sua “segurança alimentar” e o caráter “multifuncional” do
setor agrícola, quando a única ameaça ao equilíbrio alimentar
europeu parece derivar de procedimentos irracionais como
a alimentação animal a partir de ração preparada com os
próprios restos dos animais, o que redundou na enfermidade
da “vaca louca”, ou então da preservação de métodos “tradicionais”
de processamento alimentar, que colocam em risco a sanidade
animal ou vegetal do produto sendo oferecido ao grande público.
A tal de “multifuncionalidade”, por sua vez, nada mais é
senão uma racionalização a posteriori de práticas
nefastas do ponto de vista econômico, que teimam em continuar
existindo graças à chantagem de um punhado de agricultores
contra seus representantes políticos e da incapacidade dos
dirigentes nacionais em se dobrar às realidades do processo
de liberalização comercial em escala mundial (que eles próprios
pregam, aliás, em direção dos países emergentes).
Existem obviamente outras formas de protecionismo, que se exercem
também em setores de ponta, como a indústria aeronáutica
por exemplo, que combina tecnologia avançada com práticas
monopolistas e de cartel público, em benefício de um ramo
dito “estratégico” para a indústria e os serviços nacionais.
Nesta área, o protecionismo vem geralmente combinado a uma
outra forma nefasta de comércio desleal, que é o subvencionismo
explícito e implícito dos programas governamentais de sustentação
dessa indústria, quando ela não está ligada ao setor de
defesa, o que é compreensível, até certo ponto. Nessas circunstâncias,
o protecionismo e o subvencionismo vêm sustentados em teorias
de defesa da “indústria infante”, à la List, muito
embora algumas empresas sejam tão velhas como a própria
aviação comercial. Economias de escala são então invocadas
para defender as mesmas políticas, suscitando uma nova teoria
do comércio estratégico.
Não cabe aqui desenvolver argumentos teóricos em favor do livre
comércio, pois estaríamos repetindo os manuais de economia
política dos últimos dois séculos. Mas devemos simplesmente
chamar a atenção para o argumento tantas vezes repetido
de que o Brasil não consegue expandir o seu comércio por
causa do protecionismo dos países ricos. Esse argumento
é válido, em seus méritos próprios, mas não é suficiente
para explicar as deficiências gerais do sistema econômico
brasileiro, independentemente dos sinais negativos ou positivos
da balança comercial e do grau maior ou menor de nossa dependência
de eventuais saldos nessa frente para compensar os déficits
crônicos em serviços e em algumas rubricas da conta de capitais.
O Brasil é notoriamente um país pouco aberto ao comércio exterior,
menor em todo caso do que foi no passado e do que será no
futuro. Todos concordam em que o Brasil precisa se abrir
mais ao comércio internacional e tornar-se mais competitivo
em suas trocas externas, ainda que não haja concordância
imediata sobre as formas de se atingir tais objetivos. Alguns
recomendam políticas ativas na área comercial e em setores
industriais selecionados, bem como o uso apropriado de políticas
fiscais e de incentivo tecnológico para aumentar o volume
e a qualidade de nossa pauta exportadora.
Concordo basicamente quanto aos objetivos finais, ainda que
não exatamente quanto aos meios, pois essas políticas ativas
costumam redundar em benefícios excessivos para alguns poucos
beneficiários, ademais de causar distorções no processo
produtivo de maneira geral, ao induzir os setores não beneficiados
a tentar compensar as desvantagens mediante expedientes
pouco ortodoxos e certamente desvantajosos para o Estado
ou sistema econômico em causa (como preços de transferência,
práticas de sub ou superfaturamento no comércio exterior,
criatividade contábil nos mecanismos tributários e obrigações
fiscais etc.).
Por todos esses motivos, não se deveria reagir a políticas
e práticas protecionistas com o emprego do mesmo arsenal
de medidas distorcivas, ainda que a tentação de “dar um
pouco de proteção” (justificada como temporária e destinada
a compensar não se sabe bem que vantagem do competidor externo)
seja grande em diversos setores privados e nos círculos
governamentais. O custo do protecionismo, como indicado
por economistas de diversas escolas, sempre é danoso do
ponto de vista do consumidor em geral (pois que a proteção
acaba sendo paga pelo comprador nacional, sob a forma de
preços mais altos), assim como impede ou delonga os necessários
esforços de aumento de produtividade para qualificar os
agentes produtivos na luta competitiva.
Por outro lado, a tarefa de definir o que seja um setor “estratégico”
nem sempre é fácil, pois os critérios são variados e complexos.
Geralmente os setores de maior valor agregado são geralmente
considerados como estratégicos, mas isso pode se aplicar
a muitos serviços, onde o que está em causa é mais a inteligência
nacional do que grandes investimentos em bens de capital
ou infra-estrutura. Por outro lado, o critério do déficit
na balança comercial setorial é extremamente falho, pois
além de ser irracional pretender apresentar saldo comercial
em todo e qualquer setor, pode induzir algum setor mais
“esperto” a alterar sua alocação de insumos de modo a produzir
saldo negativo e assim justificar a introdução de medidas
de apoio setorial. Os ramos de alta tecnologia seriam definidos
como naturalmente “estratégicos”, mas o que dizer da agricultura,
hoje formada por uma agregação complexa de variados insumos
das áreas industrial, de pesquisa tecnológica, de comercialização
etc? Todo industrial, ou agricultor-capitalista, vai querer
que o seu setor seja definido como estratégico, o que abre
as portas de uma luta insana em favor das prebendas estatais.
Do meu ponto de vista, eu definiria como de caráter estratégico
apenas a educação de crianças e jovens, com a alocação conseqüente
de investimentos maciços nas escolas públicas de primeiro
e de segundo grau e no ensino profissionalizante. Afinal,
não há nada mais estratégico do que capital humano e é ele
que deve beneficiar-se de eventuais medidas “protecionistas”
por parte do Estado, embora num sentido mais concorrencial
e o mais aberto possível, sem qualquer política de reserva
de mercado ou de fechamento nacional. Afinal de contas,
a inteligência costuma florescer em ambientes abertos e
competitivos, não na estreiteza das políticas setoriais
de proteção.
O que seria, então, uma política “protecionista” inteligente?
Aquela que, voltada essencialmente para a formação educacional
e a capacitação técnica do conjunto da população, se dedicasse
a “proteger” as chances dos menos afortunados nessa corrida
competitiva pela boa formação. No plano global, o estoque
de conhecimento acumulado pela humanidade, e disponível
nos sistemas abertos de informação, seria suficiente, desde
que mobilizado corretamente, para participar dessa política
de “proteção” à inteligência.
5. O multilateralismo e os agrupamentos regionais representam
nossa melhor defesa no plano mundial, por isso precisamos
atuar mediante grupos de países (G-77, Mercosul etc.).
Duvidoso, em todo caso, vantagens muito relativas. A coordenação
a partir de posições de “mínimo denominador comum” podem
ser fatores enfraquecedores, não reforçadores, de nossas
posições.
O multilateralismo e os processos de integração são relativamente
recentes na história multisecular das relações internacionais
entre países soberanos. Ainda que os elementos constitutivos
e alguns dos mecanismos institucionais e formas organizacionais
do moderno multilateralismo político e dos processos de
integração econômica possam ser encontrados em estado embrionário
já em meados do século XIX (e mesmo antes, em precoces manifestações
desses fenômenos), o multilateralismo contemporâneo e os
blocos comerciais se desenvolvem com mais vigor a partir
da constituição das Nações Unidas e do Benelux, a partir
de 1944, recuperando entidades intergovernamentais criadas
algumas décadas antes (algumas a partir da Liga das Nações).
Antes disso, ou mesmo à margem desses mecanismos de coordenação
ampliada da cooperação entre os países, os Estados nacionais
sempre impulsionaram seus interesses de forma individual
ou mediante alianças formais ou informais de caráter militar,
político-estratégico ou econômico. No caso do Benelux, a
união aduaneira entre os Países Baixos, a Bélgica e o Luxemburgo,
pode-se registrar o precedente da união monetária entre
os dois últimos a partir do final da Primeira Guerra Mundial.
A multiplicação dos temas colocados na agenda internacional
em situação de crescente interdependência tornou o multilateralismo
praticamente incontornável, com a formação de agrupamentos
de países para atuar nos novos órgãos, dentre os quais se
sobressai o G-77, ou grupo de países em desenvolvimento.
O Brasil aliás se “descobriu” um país em desenvolvimento
no pós-Segunda Guerra, quando esse tipo de classificação
aplicada às economias de menor desenvolvimento relativo
se tornou um dos lugares comuns da linguagem econômica e
diplomática. Paralelamente, depois das primeiras experiências
européias no campo da integração econômica, os países da
América Latina se lançaram, de forma quase mimética, nos
esforços integracionistas que os levariam da Alalc à Aladi
e, no caso do Brasil, à integração bilateral com a Argentina
e ao Mercosul. O projeto de uma zona de livre comércio hemisférica,
primeiro em 1990 — com a “Iniciativa para as Américas”,
de Bush pai —, depois a partir de 1994 — com Alca, proposta
por Clinton —, retomou uma antiga iniciativa americana do
final do século XIX, despertando talvez o mesmo tipo de
reação no Brasil como a que agora se observa nos meios oficiais
e privados.
Considerações de poder político e de “fortaleza” econômica
estão sempre subjacentes a esses projetos constitutivos
de blocos políticos e econômicos. No século XIX, por exemplo,
pretendíamos, mesmo sem dispor de meios suficientes, praticar
uma política de poder ao estilo das velhas potências européias,
assim como sempre ostentamos uma defesa retórica da igualdade
soberana das nações. Esse tipo de atitude pode ser interessante
como tomada de posição mas, como se diz, na prática a teoria
é outra, uma vez que as realidades assimétricas sempre se
encarregaram de nos lembrar nossa relativa desimportância
na formação ou condução da agenda mundial.
A defesa do multilateralismo e a opção pela atuação diplomática
através dos grupos regionais ou temáticos se explicaria
assim pela “potencialização” da chamada “relação de forças”,
já que mediante essas práticas teríamos melhores condições
de barganha nos planos internacional ou hemisférico, conforme
o caso, segundo a velha receita “a união faz a força”. O
preço a pagar, obviamente, é a diluição dos interesses concretos
do Brasil numa plataforma mais vasta que consegue recolher
a adesão de todos os demais participantes desse tipo de
jogo, ou seja, a velha história do “mínimo denominador comum”.
Da mesma forma, isso é interessante como “demonstração de
força”, mas pouco prático no mundo real. Como exemplo disso,
temos algumas grandes “resoluções” onusianas, aprovadas
pela maior parte dos países em desenvolvimento, mas de implementação
difícil ou praticamente deficiente, ao não expressar a real
relação de forças .
De resto, o Brasil apresenta características singulares, como
um grande “país em desenvolvimento”, ou talvez “país emergente”,
como querem os economistas, que o tornam pouco enquadrável
em moldes pré-fabricados. Com tantas evidências de problemas
sociais, torna-se difícil recusar, dizem a maior parte dos
cientistas sociais e com eles quase todos os diplomatas,
nossa condição de “país em desenvolvimento”, ainda que matizada
pela dotação em determinados outros recursos — humanos ou
materiais — que nos colocam na vanguarda em determinadas
áreas industriais. Em todo caso, essa condição de “país
em desenvolvimento”, ilusória em grande medida, nos dá o
“direito” de reivindicar o que se chama de “tratamento especial
e mais favorável”, ou seja, uma derrogação, de caráter limitado,
de determinadas obrigações assumidas pelos membros mais
“ricos” da comunidade internacional e, de forma positiva,
o benefício de certas cláusulas de tratamento diferencial
que supostamente nos trazem vantagens nos planos comercial,
financeiro ou jurídico.
Algumas dessas vantagens são reais, como por exemplo no caso
do Sistema Geral de Preferências, que resulta na redução
de barreiras tarifárias — em alguns casos, mesmo, a ausência
completa de obstáculos comerciais —, aumentando o acesso
de determinadas categorias de nossos produtos de exportação
nos mercados desenvolvidos. Trata-se de algum tipo de “vantagem
estratégica”? Difícil dizer: talvez para alguma pequena
empresa de produtos tradicionais, mas dificilmente para
a economia como um todo, ou pelo menos seus segmentos mais
dinâmicos, que de toda forma não se beneficiam desses esquemas.
O fato é que, desde os anos 1960 particularmente, o Brasil
continua, em grande medida, a pautar sua atuação diplomática
no contexto mais amplo do grupo de países em desenvolvimento
e, em escala regional, mediante a concertação de posições
no âmbito do Mercosul. Deveria ele continuar a fazer esse
tipo de jogo coletivo ou passar a selecionar seus parceiros
de maneira mais independente e adotar posições de modo mais
pragmático e em caráter ad hoc, de maneira a maximizar
seus ganhos e minimizar suas perdas?
Não há respostas fáceis a esse tipo de questão, que envolve
um cálculo de “custo-benefício” difícil de fazer, tantas
são as variáveis envolvidas nesse tipo de simulação quanto
a ganhos e perdas em situações negociais. Não custaria nada,
em todo caso, estudar o problema de modo concreto, pois
que os desafios de posicionamento político no sistema de
relações internacionais podem ser colocados de maneira mais
ou menos inesperada, quando menos espera nosso estamento
diplomático.
A questão concreta que se coloca ao Brasil seria esta: podemos
abandonar nosso atual estatuto e pertencimento ao grupo
em questão, em troca da assunção de uma postura independente
e também não dependente de “favores” unilaterais concedidos
a países em “desenvolvimento”? Deve-se dizer um bye-bye
ao G-77 e dividir por dez essa interação internacional,
passando a trabalhar mais de acordo com a agenda do G-7/G-8?
Encontra-se o Brasil preparado para esse tipo de revolução
qualitativa em sua política externa e internacional, uma
ruptura epistemológica com décadas de ideologia desenvolvimentista,
esse verdadeiro salto paradigmático nos princípios organizadores
de seu relacionamento internacional?
Uma reação plausível e credível, aqui do ponto de vista de
nossas tradições diplomáticas, tenderia a fornecer, modestamente,
uma resposta negativa a essa questão. Eu entendo, porém,
que o Brasil deveria buscar ativamente uma mudança de paradigma,
o que se materializaria, antes de mais nada, em termos de
dever de casa macroeconômico: continuidade do programa de
reformas, adoção interna do padrão normal de organização
racional das políticas públicas, participação desinibida
nas atividades dos mais diversos foros relevantes para nossos
interesses externos, distanciamento discreto em relação
à camisa de força representada pelo grupo dos países em
desenvolvimento, como aliás de outros grupos por demais
heterogêneos.
A realidade econômica e política interna, por outro lado, mesmo
se em processo de adaptação aos requisitos da ordem econômica
internacional, notadamente através dos processos de revisão
constitucional, não pode ainda ser considerada como totalmente
ganha à abertura econômica ou em evolução irresistível para
a aceitação tranqüila da interdependência. Em termos de
política nacional de desenvolvimento, deve-se reconhecer,
aliás, que o processo de reformas internas tem seu mérito
próprio, no campo social, e não pode prender-se exclusivamente
à agenda externa do País.
Tendo em vista, assim, o quadro político interno e a atual
conjuntura econômica brasileira, o mais indicado seria prosseguir
o processo de reformas, desvinculando-o de qualquer objetivo
final de mudança de status internacional, uma vez
que antecipar eventual alteração de nosso posicionamento
internacional poderia gerar linhas de resistência política
e econômica que dificultariam o prosseguimento de uma obra
modernizadora iniciada há mais de uma década. Esse, aliás,
deve ser o sequenciamento correto: terminar o dever de casa
macroeconômico, sob a forma de equilíbrio das contas nacionais
— internas e externas — e de retomada do processo de crescimento,
para então, a partir daí, repensar as condições da inserção
internacional.
Subsiste porém a percepção de que o conceito de “país em desenvolvimento”
pouco esclarece quanto a natureza dos problemas enfrentados
atualmente pelo Brasil: ele apenas nos define internacionalmente
de maneira tradicional, nas categorias normalmente aceitas
nos foros onusianos, e nos habilita em conseqüência a uma
atitude reivindicatória supostamente benéfica a nosso processo
de desenvolvimento. Em outros termos, ele pode constituir
uma espécie de “camisa de força mental” que torna mais difícil
adotar uma “agenda normal” de administração macroeconômica.
Quero crer, assim, que o levantamento “psicológico” desse
tipo de classificação nos faria mais rapidamente superar
o estado “real” de “país em desenvolvimento”, ao mobilizar
energias e impor novas obrigações internas — auto-assumidas,
entenda-se — que contribuiriam no salto de barreira para
fora dessa condição.