Os
EE.UU. e outros países anglo-saxões utilizam a espionagem industrial
e econômica como arma na competição no Livre Mercado, ao mesmo
tempo, sob o argumento da luta contra o terrorismo, intercepta
comunicações via satélite e por internet ou o triunfo do Big Brother
mediático e diante da sua privacidade, Sorria que você está sendo
filmado, ou melhor, espionado.
Atualmente
e principalmente depois do 11 de setembro [1] estamos submetidos
a mais violenta agressão aos mais elementares direitos. Os EE.UU.,
não satisfeito com o controle da economia mundial, chega à ousadia
de se autonomear como o protetor do mundo, e como se fosse o país
mais democrático do planeta, intitula-se defensor da democracia
e da civilização ocidental cristã. Seu Presidente, eleito através
de um processo eleitoral suspeito, quer impor-se como o único
a decidir sobre o destino da humanidade, não lhe importando o
respeito aos mais elementares princípios éticos e humanitários.
Argumentando sobre a existência de um inimigo invisível, o terrorismo,
a Casa Branca passa a agredir aos próprios cidadãos norte-americanos
ao criar o Departamento de Segurança Interna e instituem a censura
telefônica, as prisões sem autorização judicial, estimula as denúncias
levianas e a generalização da perseguição a qualquer suspeito.
Cria o milionário programa de investigação, denominado "USA-PATRIOT",
que rastreia as comunicações por Internet. Em sua luta neurótica
contra o terrorismo, inclui também ONGs que desenvolvem atividades
de denúncia e são contra o FMI.
O presidente
George W. Bush, com um ano e meio de governo, está realizando
esse maravilhoso empreendimento, ou seja, incompatibilizar os
EE.UU. com todo o mundo, o que nem toda a propaganda comunista,
centrada no ''imperialismo yanqui'', conseguiu, ao longo de mais
de 40 anos de Guerra Fria. A exigência de Washington de que as
tropas norte-americanas e o restante das forças de paz não sejam
submetidas à jurisdição da Corte Penal Internacional, entrando
em atrito com os demais membros do Conselho de Segurança da ONU,
esta agravando cada vez mais as divergências com a União Européia,
cujas relações com os EE.UU. já foram abaladas pela denúncia do
Tratado ABM, pela repulsa ao Acordo de Kyoto e ao aumento das
tachas sobre o aço.
O clima de
solidariedade criado depois dos atentados terroristas de 11 de
setembro de 2001 já se desvaneceu. A guerra contra o terrorismo,
concentrada em maciços bombardeios ao Afeganistão, matando civis
e destruindo o meio ambiente, não alcançou o objetivo de liquidar
com Osama Bin Laden e a Al Qaeda. (MONIZ BANDEIRA, 2002)
Estes fatos
demonstram a tentativa direitista – um novo tipo de fundamentalismo
de direitas – de submeter todos aos interesses do capital internacional,
principalmente daquele ligados aos senhores do petróleo e da indústria
de armas e ao mesmo tempo, contribuem para explicitar as contradições
existentes entre as grandes potências imperiais e delas com os
países e povos dominados e explorados e com seus próprios cidadãos,
que são agredidos sistematicamente em nome da segurança cidadã
e da luta contra o terrorismo internacional. Apregoam que tudo
se justifica na defesa do ideário civilizatório ocidental e cristão,
que na realidade se resume na defesa do capital e do livre mercado.
Em um mercado
internacionalizado, tanto comercial quanto financeiramente, a
competição entre empresas, países e blocos econômicos assume proporções
dantescas e inimagináveis para o homem atual, e inclusive para
alguns cientistas. As condições e normas, as legais e as morais,
para o funcionamento do livre mercado, que aparentemente são respeitadas
por todos os competidores, foram postas em duvida através de um
fato não público (e do conhecimento de poucos): a utilização de
uma rede de espionagem, cujo objetivo é alterar os resultados
da livre competição; para espiar parlamentares, organizações anti
ou críticas aos rumos do desenvolvimento capitalista nos dias
atuais, como por exemplo Greenpeace e Anistia Internacional e
a personalidades, inclusive o Papa João Paulo II.
Em setembro
de 1998, a Comissão Européia compareceu diante do Parlamento Europeu,
que nomeou uma Comissão de Liberdades e Direitos do Parlamento
Europeu, em 23 de fevereiro de 2000, que em pose de uma série
de documentos, começou a reunir-se com o nome de A UE e a proteção
de dados, para tratar de um tema insólito: a existência de uma
gigantesca rede de espionagem política e econômica mundial, que
envolvia cinco países (Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália
y Nova Zelândia), que na competição mundial, recebiam informações
privilegiadas (e secretas) que lhes permite manter-se e conquistar
mercados. No fundamental, o grande beneficiário desta rede é os
Estados Unidos da América do Norte, que utiliza as informações
com o objetivo de manter o controle dos fluxos econômicos – comercial
e financeiros – para seguir mantendo-se como potência mundial
hegemônica. Sem dúvida, o Reino Unido, que é um Estado membro
da União Européia, por suas relações “privilegiadas” com os EE.UU.,
é também grande beneficiário desta rede de espionagem, em prejuízo
dos demais membros da UE.
O Sistema
Echelon de Espionagem Global
Esta rede,
controlada pelo Sistema Echelon [2] , através de 120 satélites
Vortex, intercepta todo tipo de comunicações que utilizam instrumentos
eletrônicos e digitais (as comunicações telefônicas, o fax e o
correio eletrônico) em todo o mundo. A capacidade de interceptação
de comunicações privadas e de obter informações políticas, econômicas,
tecnológicas e comerciais é de 2.000 milhões de informações por
dia. Seus objetivos não são somente políticos, para a segurança
do Estado e contra possíveis atividades terroristas e subversivas,
más também econômicas na competição no livre mercado internacional.
Quando o fato se tornou público, os principais governantes de
alguns dos países apontados, evitaram qualquer comentário a respeito,
argumentando razões de Segurança de Estado.
Dado o caráter
delicado do assunto, os deputados europeus não se inclinam por
denunciar nominalmente ao Reino Unido. Enquanto que, os demais
Governos não quiseram, até agora, explorar um assunto que poderia
pôr em entredito suas relações comerciais transatlânticas. Graham
Watson, britânico, presidente da comissão de liberdades do Parlamento
Europeu, reconhece que, em troca, a atitude que podem adotar os
diferentes grupos políticos é imprevisível. O mesmo admite que
os fatos “são graves se são corretos”. Suas palavras recordam
aquelas pronunciadas em 1988 pelo antigo comissário europeu para
assuntos industriais Martín Bangeman, para quem “se este sistema
(Echelon) existe, constitui um ataque intolerável contra as liberdades
individuais e a segurança dos Estados. (ZECCHINI, 2000: 3).
Ao fim da
Guerra Fria promoveu-se o entendimento de que o mundo entraria
em uma época de paz e que como conseqüência, não teria sentido
manter a corrida armamentista nem os sofisticados sistemas de
espionagem. Isto, inicialmente, conduziu a pensar que os serviços
de espionagens sofreriam cortes orçamentários e perdas de influência;
ao contrário, estes serviços passaram a ser utilizados na guerra
comercial globalizada. Inclusive, no caso dos Estados Unidos,
esta rede se manteve intacta e teve sua área de atuação: a NSA,
um dos serviços secretos menos conhecidos, emprega 20.000 pessoas
e tem um orçamento de dez bilhões de dólares.
O Parlamento
Europeu possui informações detalhadas sobre esta rede de espionagem
e da utilização de suas informações para favorecer empresas norte-americanas
na guerra comercial. A situação se torna mais delicada ao envolver
um país membro da União Européia, o Reino Unido, que possui um
papel chave nesta rede de espionagem.
O Centro de
Comunicações do Governo (GCHQ) britânico emprega cerca de 15.000
pessoas em missões ofensivas (captação e análise de informações
estrangeiras) e defensivas (codificação e proteção das comunicações
britânicas). Além de contar com uma dezena de centros no Reino
Unido, o GCHQ organizou estações de escuta em Gibraltar, Belize,
Chipre, Oman, Turquia e Austrália. A chamada Divisão Z é encarregada
especificamente das relações com a agência norte-americana.
A participação
do Reino Unido na rede Echelon coloca a maioria de seus sócios
europeus em uma situação particularmente incômoda. Londres se
situaria em uma posição “ambígua” se, como denunciam seus adversários,
a rede Echelon se converteu em uma ferramenta de “espionagem econômica”.
Para o especialista em Internet François-Emile Truchet, o Reino
Unido pratica a ambivalência de ser um país europeu que espiona
seus aliados.
A cumplicidade
de Londres com Washington pode abrir um novo conflito no diálogo
europeu, sobre tudo se, como pretendem os especialistas, as escutas
se dirigem especialmente contra a França e a Itália. Inclusive
chegou a falar-se da existência de uma cláusula especial no acordo
UK-USA, segundo a qual o sistema de escutas britânico substituiria
automaticamente ao estadunidense no caso de que a justiça norte-americana
chegasse a proibir a interceptação de comunicações privadas por
parte da NSA.
O sistema
de escutas francês, por exemplo, não tem a mesma capacidade do
britânico, que se torna muito superior dentro da rede Echelon
com o apoio dos EE UU. (EL PAÍS, 23-fevereiro.-2000: 3).
Exemplos
de Espionagem Global
Apontaremos
abaixo algumas notícias que são mais conhecidas pelo publico em
geral:
Em 1993, José
Ignácio López de Arriortúa, diretor de nível superior da General
Motors de Detroit, deixou a empresa e se colocou a serviço da
Wolkswagen na Alemanha, levava consigo documentos confidenciais
e disquetes repletos de informações e segredos industriais. Esta
mudança de emprego provocou uma verdadeira batalha jurídica entre
a Opel, filial alemã da General Motors, e a empresa Wolkswagen,
que foi acusada de roubo de segredos industriais que a beneficiava
na competição comercial. A querela judicial se estendeu por quatro
anos. A policia obteve provas que incriminavam a empresa alemã
e logo a imprensa internacional anunciou “o julgamento do século”.
Mas, surpreendentemente, em janeiro de 1997, se alcançou um milagre:
a Wolkswagen aceitou um acordo em que pagaria dez bilhões de pesetas
a General Motors.
Um antigo
oficial superior da Bundeswehr, o exército alemão, Erich Schmidt-Eenboom,
hoje diretor do instituto alemão de estudos estratégicos, facilitou
a imprensa alemã sua própria versão do que sucedeu: a Administração
Clinton havia pressionado a General Motors para que chegasse a
um acordo amistoso, com o objetivo de não revelar o papel de “Hortênsia
III”, a base norte-americana de Bad Aibling, situada na Baviera.
Durante a guerra fria, a NSA havia instalado na Baviera dois centros
de escuta ultra-sofisticados, em Bad Aibling (aliás “Hortênsia
III”) e em Gablingen: antenas parabólicas de trezentos metros
de diâmetro e de cem metros de altura; instalações de doze andares
abaixo da terra; significativa quantidade de computadores com
lógicas seletivas que permitem gravar conversas que incluem palavras
determinadas ou seqüências de frases concretas.
Dois formidáveis
instrumentos de espionagem eletrônica dirigida para o leste e
capazes de interceptar, analisar e memorizar qualquer comunicação.
Terminada a guerra fria, “Hortênsia III” foi orientada para a
Sérvia e, em seu tempo livre, foi encarregada de vigiar o conjunto
de trafico telefônico alemão, e de uma parte dos países limítrofes.
Segundo Erich Schmidt-Eenboom, foram graças à “Hortênsia III”
que a NSA descobriu que o trânsfuga da General Motors escondia
os documentos subtraídos e, através da CIA, comunicou esta informação
ao quartel geral da GM em Detroit. Algo difícil de explicar pelos
Estados Unidos a seus “aliados” europeus. (FERNÁNDEZ, 1999: 13).
Em 1994, os
Estados Unidos da América do Norte e a União Européia tinham alguns
interesses divergentes nas negociações dos acordos comerciais
do GATT; os representantes norte-americanos, reunião, após reunião,
manifestavam através de suas atitudes, conhecer as opiniões dos
representantes europeus e apresentavam argumentos bem fundamentados
para contra-argumentar com as posições dos europeus. O motivo
desta premonição dos norte-americanos é muito simples: a CIA,
através da rede informática, havia penetrado nos computadores
da Comissão Européia e obtido as informações que iam parar nas
mãos dos representantes norte-americanos. Outros fatos semelhantes
denunciados são: em 1990 os Estados Unidos da América do Norte
tiveram acesso as negociações secretas e conseguiram persuadir
a Indonésia de que incluísse uma grande empresa norte-americana
de telecomunicações em um negócio que se destinava a uma empresa
japonesa; a empresa norte-americana Raytheon ganhou uma concorrência
da francesa Thomson-CSF, para a instalação de um sistema de radar
de vigilância da Amazônia (Brasil); a Airbus Industries perdeu
um contrato para a Boeing e a McDonnell Douglas, também graças
à obtenção de informações privilegiadas obtidas através da espionagem.
As atitudes
da UEE e do Parlamento Europeu
As evidências
inquestionáveis dessas atividades de espionagem levaram a Eurocâmara
a criar, em junho de 2000, uma comissão parlamentar com o objetivo
de investigar e verificar a existência e as ações do sistema de
interceptação das telecomunicações denominado “Echelon”. A gravidade
da existência do Sistema assume significativas proporções, não
somente por permitir aos países participantes sacar grandes benefícios
em detrimento dos membros da União Européia, mas fundamentalmente
pela participação do Reino Unido, que como membro da UE, é responsável
pelo aprofundamento das divergências em seu seio e para acentuar
o clima de desconfiança entre seus membros.
Em 18 de maio
de 2001, foi dado ao conhecimento público o informe provisório,
elaborado pela Comissão Provisória, nomeada pelo Parlamento Europeu,
para investigar essa rede de espionagem, em que confirma
A existência de um sistema global
de interceptação das comunicações em que cooperam os Estados
Unidos, o Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, já
não pode ser colocado em dúvida.(...) O que resulta importante
é que seu propósito é interceptar comunicações privadas e comerciais,
e não comunicações militares.” (NAVARRO, 2001: 50)
Diante da
evidência destes fatos, a atuação da União Européia e dos países
mais prejudicados foi de cautela – para não dizer submissão –
e não adotaram, pelo menos publicamente, nenhuma atitude ou decisão
mais incisiva a respeito, a não ser recomendar o desenvolvimento
de proteção para as comunicações oficiais e particulares, mas
a questão continua em aberto e é um motivo, por mais formal que
seja ou por menor que seja, de atritos entre países da União Européia
e desta com os EE.UU. e o Reino Unido, mas em atitude conciliatória,
afirma que:
Considerando o que diz respeito
à compatibilidade de um sistema das características do sistema
ECHELON com o Direito da UE tem-se que fazer dois esclarecimentos:
se o sistema é utilizado exclusivamente para fins de informação,
não haveria nenhum tipo de contradição com o Direito da UE,
já que o Tratado CE não aborda as questões relacionadas com
as atividades no âmbito da segurança nacional, mas que estas
recaem no âmbito de aplicação do Título V do Tratado UE (PESC),
que na atualidade não inclui nenhum tipo de disposições na matéria,
pelo que não caberia falar de infração; pelo contrário, se o
sistema se utilizasse de maneira abusiva para espionar a competição,
seria incompatível com o principio de cooperação leal que devem
respeitar os Estados membros e com o conceito de um mercado
comum em que a competição é livre, pelo que a participação de
um Estado membro em um sistema destas características seria
incompatível com o Direito comunitário.(ACTA DEL 05/09/2001
– Edición Provisional)
Inclusive,
quando da recente visita do Presidente norte-americano George
Bush a Espanha, em junho de 2001, o governo espanhol com a intenção
de tirar vantagens dessa situação e do potencial de espionagem
norte-americano e como uma demonstração das boas relações entre
os dois governos, apresentou a reivindicação de estabelecimento
de cooperação industrial e tecnológica e acesso por parte da Espanha,
às “tecnologias sensíveis no campo da espionagem e de venda de
aviões para a Guarda Costeira dos EE.UU.” (El País, 11-06-01).
A Plenária
do Parlamento Europeu, considerando, que segundo as informações
disponíveis e as numerosas declarações concordantes e procedentes
de diversas pessoas e organizações, inclusive de fontes norte-americanas,
conclui que não há dúvidas de que o objetivo e a finalidade do
Sistema é a interceptação, como mínimo, de comunicações privadas
e comerciais, e que diante dos resultados das investigações realizadas,
da evidência da utilização de instrumentos e informações, de origem
duvidosa, na competição mundial, aprovou, em setembro de 2001,
o informe definitivo que comprova a existência desta rede de espionagem
das comunicações a serviço principalmente dos EE.UU. e atesta
que não há nenhuma razão para seguir duvidando de sua existência.
Falando em
nome do Conselho, a ministra belga de Assuntos Europeus Annemie
Neyts, conclamou o Parlamento Europeu a “fazer
todo o possível para que o respeito à vida privada seja garantida
no âmbito europeu e mundial”. Em relação com o respeito à vida
privada, o informe da Comissão Echelon do Parlamento Europeu sublinha
que interceptar as comunicações supõe uma ingerência na vida privada
das pessoas, e só deve estar permitido quando se trata de garantir
a segurança nacional. Em relação com a espionagem econômica, o
documento recorda que muitas vezes se utiliza para conhecer a
evolução das diferentes empresas no exterior. Mas é “intolerável”,
sustenta, espionar as empresas estrangeiras “para conseguir vantagens
competitivas”. O informe conclui recomendando as empresas européias
que protejam “todo o entorno de trabalho assim como todos os meios
de comunicação pelos que se transferem informações sensíveis”.
Assim mesmo, conclama aos cidadãos particulares a que “codifiquem
urgentemente o correio eletrônico, já que uma mensagem sem codificar
é como uma carta sem envelope”. (MORALES, 2002)
Em relação
a um posicionamento definitivo do Parlamento Europeu, este foi
adiado e transferido como um primeiro passo para os países membros
da UE, que devem se pronunciar contra esta rede de espionagem
global que violenta aos direitos de cidadania e das empresas
que atuam no livre mercado europeu e no mercado mundial. Mas,
as atitudes dos países comunitários, com exceção da Bélgica, são
diferenciadas e não indicam uma disposição de crítica e confronto
com o império norte-americano e seus sequazes. Alguns, se calam;
outros tentam tirar vantagens particulares.
Até o ano
de 2002, somente o Parlamento Belga debateu e adotou uma posição
mais enérgica com relação ao tema e pediram ao primeiro ministro
que exija ao Reino Unido que abandone este sistema de espionagem.
O objetivo
do informe apresentado pelas Comissões de Inteligência do Senado
e do Congresso belga propõe que questione politicamente diante
da União Européia e da OTAN, a espionagem aos países europeus
por aqueles que se supõe que são seus aliados, pois os senadores
e deputados questionam a atitude do Reino Unido, que ao participar
e se beneficiar do Sistema Echelon, particularmente em temas relacionados
à competição econômica, está contra as regras e os direitos coletivos
existentes no seio da União Européia.
Herman De
Croo, presidente do Senado belga, afirmou durante o debate do
informe que Bruxelas é "a cidade mais escutada no mundo", já que
é a sede das instituições da União Européia, da OTAN, de 59 organizações
internacionais e de 1300 associações multilaterais. Assim pois,
a cidade belga seria um dos terrenos mais interessantes para colher
informações políticas, militares e diplomáticas. O informe dos
senadores belgas é contundente com a Grã Bretanha. Afirma escandalizado
que este país, como membro da União Européia, está levando a cabo
uma operação de espionagem contrária à lealdade indispensável
estipulada em vários tratados, assim como aos direitos garantidos
dos cidadãos europeus y a liberdade de intercâmbios comerciais,
também garantidos no seio da UE. (MORALES, 2002).
Assim perguntamos:
os países comunitários, não estão sendo agredidos em seus direitos
econômicos? As classes dominantes na União Européia, não estão
dispostas a defender seus interesses? Os cidadãos comunitários,
aceitam passivamente a violação de seus direitos mais elementares?
Até quando a Europa e em particular a UE se manterá submissa aos
EE.UU.? E você que lê este artigo? O Que fazer? Ou conforme dizem
cartazes existentes em lojas, supermercados, bancos, estações
de metrô, aeroportos, etc., você deve contentar-se, pois sorria
que você está sendo filmado?
As questões
relacionadas ao Sistema Echelon de espionagem não é um assunto
pertinente somente a União Européia, a sua burguesia e a seus
cidadãos, ou aos países espionados, pois é inquestionável que
cada um de nos que, enquanto cidadãos que vivem em qualquer país
do planeta terra, vivemos submetidos e assistimos a mais ampla
agressão aos direitos mais elementares de privacidade e de livre
comunicação, que se acrescentam as já seculares agressões aos
direitos econômicos, sociais, políticos e culturais dos povos.
A cada dia, por maior que seja a adversidade e por mais forte
que seja o império norte-americano, a única e última alternativa
que resta a aqueles que ousam sonhar com um mundo melhor é a da
luta pela superação da atual sociedade, baseada na exploração
e na opressão da maioria da população, e a luta pela construção
de uma nova sociedade solidária e fraterna.
_________________
(*) Autorizada à reprodução (impressão
e publicação) integral ou parte. No caso de publicação, solicita-se
a gentileza de comunicar o fato com o autor e se possível, enviar-lhe
cópia. Contatos através do E-mail: silviocostabrasil@hotmail.com
____________________________
Para mais informações, consultar:
Informe provisional del PE sobre
Echelon (ENG): http://www.bof.nl/docs/echelon_draft.html
Global Internet Liberty Campaign:
http://www..gilc.org/
Echelon Watch: http://www.aclu.org/echelonwatch/
REDH (Red solidaria por los Derechos
Humanos: http://www.derechos.org/nizkor/espana/doc/echelon5sep01.html
[1] Isto não quer dizer que nos
anos e décadas anteriores não houvesse as agressões aos mais elementares
direitos dos cidadãos, mas é necessário destacar que nos dias
atuais, estamos submetidos a cada dia a um maior e mais violento
controle de nossas ações, por mais privada ou simples que seja,
e tudo isto, em benefício dos interesses dos atuais impérios,
notadamente do norte-americano e de sua burguesia.
[2] “A rede foi organizada a partir
de um acordo ultra-secreto, chamado Usuka, que agrupa cinco países:
Estados Unidos, Reino Unido, Nova Zelândia, Canadá y Austrália.
Assinado em 1948, um ano depois da fundação da CIA, o acordo Usuka
(síntese do nome de seus dois principais fundadores: o Reino Unido
e os Estados Unidos) coordena os serviços de espionagem encarregados
das telecomunicações do Canadá (o CSE), Reino Unido (GQHQ), Austrália
(DSD), Nova Zelândia (CSSB) e Estados Unidos (NSA). O acordo é
tão secreto desde sua formação que a maioria dos primeiros ministros
e ministros da Defesa dos países que assinaram o tratado, nunca
puderam ter acesso ao texto do tratado. Destinado inicialmente
para a vigilância dos países comunistas, a rede Echelon foi reorientada
para ampliar seu espectro e dar cobertura ao globo terrestre.
Para consegui-lo dispõe de um grande número de estações de escuta,
como as de Sugar Grove, Yakima, Waihopai, Gerarldton, Menwith
Hill e Morwenstow, assim como de uma constelação de satélites
espiões. Todas as informações interceptadas são enviadas por satélite
para a sede da NSA, onde computadores – provavelmente os mais
potentes do mundo – as classificam e as decifram antes de serem
analisadas pelos especialistas. Ninguém no mundo pode considerar-se
livre de vigilância, ainda que utilize sofisticados códigos de
proteção.” (FERNÁNDEZ, 1999: 14). Inclusive, há informações que
apontam para o envolvimento das empresas de informática IBM e
Microsoft neste sistema de espionagem. Esta participação ocorreria
através da inclusão nos programas-espiões de um sistema de códigos
informáticos que facilitariam o trabalho do sistema de espionagem.