Deter a máquina de guerra imperialista e conquistar a paz

 

Por AUGUSTO BUONICORE
Historiador, doutorando em Ciências Sociais pela Unicamp, membro do Comitê Estadual de São Paulo, do Comitê Central do PCdoB e do Conselho de Redação da revista Debate Sindical

“O dia está próximo e Marte comanda a hora!”

Scheller

 

O 11 de setembro foi, sem dúvida nenhuma, um marco no processo geral de ofensiva política, econômica e militar do imperialismo norte-americano reiniciada no final da década de 80. Esta ofensiva adquiriu maior força, acobertada pelo discurso de combate ao terrorismo internacional.

Os ataques a Word Trade Century, pelo menos num primeiro momento, neutralizou as forças anti-imperialista e forjou uma “solidariedade” inter-capitalista com o império atacado, e ultrajado, por alguns bárbaros terroristas de algum paisinho do terceiro mundo. Para sermos mais precisos, criou-se uma mistura de solidariedade e medo, pelo que poderia fazer a fera imperialista ferida. Especialmente porque Bush bradava aos quatro ventos: “quem não está comigo está contra mim.” Poucos, naquele momento delicado, ousariaM ir frontalmente contra o imperador. Em um primeiro momento, até mesmo a esquerda mundial vacilou.

Às vésperas dos ataques, os EUA viviam momentos de descrédito. Atravessavam uma crise econômica que avolumava-se e transbordava em recessão, esvaziava-se assim o mito da Nova Economia. Adotavam, também, uma política externa de isolamento bastante impopular. Eles, por exemplo, não ratificaram o Tribunal Penal Internacional, não assinaram o protocolo de Kyoto de proteção ambiental, se retiraram da Conferência de Durban contra o racismo (solidários aos governo fascista de Israel). Não aceitaram o protocolo sobre verificação de armas biológicas e minas terrestres, romperam unilateralmente com o tratado de mísseis anti-balísticos, que tinham com a Rússia, e implementam o programa bilionário de guerra nas estrelas.

Os ataques permitiram a Bush e as forças mais conservadoras saírem de um certo isolamento interno e externo. Esta solidariedade, e o medo, permitiram que os EUA desfechassem, sem nenhuma resistência internacional, um ataque militar ao pobre Afeganistão, onde diziam que se refugiava o autor intelectual dos atentados: Osama Bin Laden. Até o Vaticano deu uma justificativa moral para os ataques norte-americanos – “direito à autodefesa, mesmo por meios agressivos” – “Os EUA têm o direito e o dever de responder aos ataques”. Transforma-se uma guerra colonial em uma guerra  santa.

Uma guerra suja no Afeganistão

O conflito  no Afeganistão foi um acontecimento em todos os sentidos sui generis. Foi uma resposta militar contra toda uma nação inteira à partir de um atentado perpetrado por um grupo terrorista com ramificações internacionais, inclusive em países historicamente aliados aos EUA como a Arábia Saudita e o Paquistão. Repetimos: O único motivo para a agressão era a presumível presença de Bin-Laden no país.

Imagina se este passasse a ser o procedimento padrão de todos os países. Os ingleses poderiam bombardear bairros ou cidades norte-americanas com alta densidade populacional de católicos, por que foi desses bolsões que saiu grande parte do dinheiro que sustentou a ação armada e terrorista do IRA. Os cubanos também teriam todo direito de bombardear Miami por que é lá que se concentram os terroristas cubanos responsáveis por centenas de atentados ao povo e a economia daquela pequena ilha. Afinal, os EUA foram, e são, os principais financiadores e adestradores de terroristas no mundo. Patrocinaram, e patrocinam, a mais perversa forma de terrorismo: o terrorismo de Estado.

A verdadeira história dos atentados de 11 de setembro e da guerra contra o pobre Afeganistão ainda está para ser contada. O objetivo alegado era pegar Osama Bin Laden, o que não ocorreu. Ele escapou e continua dando declarações bombásticas, como também escapou o Mullah Omar, líder máximo dos Talibãs. Ninguém mais fala do assunto.

É sempre bom lembrar que o inimigo número 1 dos norte-americanos foi no passado um bom aliado e justamente por isto foi por eles formado na “arte do terrorismo” e jogado contra o governo pró-soviético do seu país. Naquele tempo os terroristas do Taleban eram considerados, por Reagan, “guerreiros da liberdade” – Hollywood até os homenageou com o Rambo IV.

Se a trama que culminou nos atentados de 11 de setembro e os meandros sombrios desta guerra nos fogem, o final da história e seus verdadeiros beneficiários todos conhecemos: o maior vitorioso não foi o povo americano, foi o complexo industrial militar e as grande companhias de petróleo – que aumentaram suas fortunas sobre os cadáveres de milhares de compatriotas e do pobre povo afegão. Após a vitória, passou para as mãos das companhias norte-americanas o direito sobre a construção e controle de gigantesco oleoduto e gaseoduto das ricas jazidas do Mar Cáspio – que estava na mira dos russos.

Na verdade por trás da guerra contra o Afeganistão estavam os interesses econômicos e geopolíticos do imperialismo norte-americano - como o controle dos vultuosos recursos energéticos de uma região estratégica para quem deseja conquistar o planeta: a Ásia Central (outrora área de influência soviética) e o sul da Ásia – regiões fronteiriças com a Rússia, China e Índia.

Iniciado o conflito, o mundo assistiu estarrecido a potência mais poderosa do mundo agredir e ocupar um dos países mais miseráveis da terra. Uma luta desigual que só os afegãos morriam, e morriam aos milhares: soldados e civis, mulheres, crianças e velhos. Nunca se saberá ao certo o número de mortos – com certeza dezenas de vezes mais do que os que morreram no World Trade Century. Os soldados do Império nem aos menos se envolviam nas lutas em terra. Não corriam nenhum risco. O trabalho sujo, o corpo a corpo, era realizado pelos seus aliados da “Aliança do Norte”.

Ficaram tristemente famosos os “efeitos colaterais” da guerra suja de Bush. Quando tardiamente as fotos destes “efeitos colaterais”  – crianças mutiladas - chegaram ao ocidente iniciou-se um movimento de contestação que não conseguiu atingir a escala necessária, mas deixou uma forte impressão na opinião pública mundial.

Também merece um destaque os crimes de guerras cometidos e acobertados pelo Império. Os EUA e seus aliados descumpriram descaradamente a Convenção de Genebra. Como não se tratava de uma guerra convencional e sim de um novo tipo de guerra recém inventada, a guerra contra o terrorismo, os norte-americanos não precisavam ficar presos aos limites éticos de nenhuma convenção internacional. Além do mais, os norte-americanos foram sempre contra os acordos internacionais que pudessem limitar seus intentos expansionistas.

Esta ideologia de fundo racista explica o massacre de quase mil prisioneiros de guerra, muitos estrangeiros, na fortaleza de Mazar-i-Sharif e o massacre dos últimos defensores de Kandahar. Também explicam o tratamento desumano dado ao prisioneiros de guerra, acorrentados, vendados e torturados, amontoados em campos de concentração em Guantânamo, sem direito a um julgamento justo. Todos estes atos contra os direitos humanos deveriam ser objetos de uma investigação séria por parte de tribunais internacionais. O EUA recusam categoricamente esta idéia. Eles estão acima de qualquer lei. Ninguém tem o direito de julgar o imperador.

A partir de 11 de setembro criou-se os termos “estados bandidos” e o “eixo do mal” – no qual, primeiramente, foram incluídos Iraque, Irã, Síria,  Coréia do Norte e Cuba. Depois chegou-se a incluir  60 países que, segundo o governo norte-americano, abrigavam grupos terroristas.

Os senhores da guerra

Esta nova onda belicista está ligada a crise econômica norte-americana e aos interesses dos grande grupos monopolistas, especialmente o complexo industrial-militar e do petróleo. Bush e seu staff são filhos deste diabólico e mortífero complexo. A campanha republicana foi financiada, em grande parte, pelas empresas Enron, Lockeed, Raython entre outras – todas interessadas numa política expansionista e guerreira. Todos os chamados falcões da Casa Branca e do Pentágono, como Dick Cheney, vice presidente; Donald Rumsfeld, secretária da defesa e a  assessora de segurança nacional Condoleezza Rice são ligados a este esquema.

Entre 2001 e 2003 o orçamento militar pulou de 300 bilhões para 380 bilhões de dólares.  Somados aos 38 bilhões, que serão utilizados na segurança interna,  os gastos militares atingirão um total 418 bilhões de dólares. Isto é  quase o PIB da Rússia ou do Brasil e representa 36% dos gastos militares de todo o mundo. Imagina o que poderia produzir este dinheiro se ele fosse utilizado na alimentação, na saúde, na educação e na construção de casas populares. Ou seja, fosse utilizado à serviço da paz e não da guerra.

Nas guerras imperialistas os estoques gigantescos de armamentos, que estão parados nas bases militares, podem ser finalmente utilizados de maneira útil: matando gente. E os grandes monopólios de armamentos podem novamente produzir à todo vapor e vender os seu produtos ao justo preço de mercado – monopolizado - para o Estado imperial. Este, por sua vez, utiliza estes armamentos modernos, e caros, para derrubar as barreiras alfandegárias de outros estados indóceis e ocupar novos territórios – ou seja, conquistar mais matérias primas básicas de baixo preço  e mais consumidores em potencial para os seus produtos. E para isto, é claro, é preciso morrer muita gente. Esta é uma das leis de ferro  do imperialismo. Assim procura solucionar a sua crise.

A nova doutrina militar

No final do ano passado foi anunciada a nova doutrina militar norte-americana que incorpora a noção de ação preventiva contra grupos suspeitos de planejar ações terroristas e países que lhes dêem guarita ou apoio de qualquer tipo. Segundo ela, os EUA deveriam agora estar preparados para utilização de artefatos nucleares. Alterava-se o conceito de ação defensiva e de auto-defesa.

A nova doutrina militar é mais um capítulo do naufrágio da Nova Ordem apregoada por Reagan/Bush e também pelo democrata Bill Clinton. Os EUA pretendiam naquele momento acobertar as suas ações através de órgãos como a ONU, especialmente o seu Conselho de Segurança. Este deveria ser o garantidor da paz e o severo juiz das ações daqueles que fugiam da nova ordem pretendida. Por trás de tudo isto estaria os EUA. Seria a Pax Americana. Foi neste esquadro de ampla hegemonia política e ideológica norte-americana que ocorreu a Guerra do Golfo.   

Mas passado pouco tempo este esquema não serviria mais aos interesses da super-potência norte-americana. Os EUA tinham pressa em ampliar sua hegemonia econômica, política e militar pelo mundo, punir exemplarmente e rapidamente aqueles que desafiassem o seu poderio. Os mecanismos da ONU eram lentos e sujeitos a alguns imprevistos – resistência da China, Rússia – ou mesmos de aliados menos fiéis como a França. O império não podia ficar submetido a vontade de potências de segunda categoria. Afinal, o orçamento militar norte-americano é superior a todos os orçamentos militares dos aliados juntos.

Os ataques contra o Iraque em 1998 e contra a Iugoslávia em 1999 foram conduzidos sem o aval do conselho de segurança da ONU e já com algumas resistências de alguns poucos países que compõe a OTAN. A guerra contra o Afeganistão também se deu à margem de qualquer decisão do Conselho de Segurança da ONU.

Os EUA começaram a usar seu poder militar de maneira unilateral, através de negociações diretas com países aliados como a Inglaterra e em alguns casos particulares com a Rússia. Utilizaram-se particularmente da OTAN.

A OTAN havia sido criada em 1949 como um movimento defensivo em relação a um  possível plano expansionista soviético na Europa. Com o fim da URSS e do bloco socialista seria de se esperar que a OTAN fosse extinta já que não existia mais o inimigo a quem ela se destinava a combater. Mas foi justamente o contrário que se verificou – ocorreu uma expansão de seu raio de ação, com a inclusão de ex-países socialistas, e um envolvimento maior em conflitos militares que atendiam aos interesses norte-americanos como os ocorridos na Iugoslávia em 1999 e no Afeganistão em 2001.

 No entanto, mesmo a OTAN, que não inclui a China, a Rússia e os países emergentes do terceiro mundo, começou a se tornar um obstáculo, embora não intransponível. A França e a Alemanha não aceitavam mais se submeterem docilmente. Elas também tinham seus interesses particulares.

Sangue por petróleo

Terminada a guerra contra o Afeganistão o imperialismo precisava de um novo alvo. O complexo industrial-militar precisava de um novo alvo. Havia muitos alvos a se escolher e se resolveram pelo velho inimigo: o Iraque. Novamente um inimigo bastante enfraquecido. Esta é uma das características deste imperialismo, prefere presas mais frágeis que não possam oferecer nenhuma resistência.

O motivo alegado foi: o Iraque possuía armas de destruição em massas e era uma ameaça a seus vizinhos. Quem diz isto? O  proprietário do maior arsenal de armas atômicas do mundo e que por sinal já as utilizou contra o Japão em 1945, matando indiscriminadamente 200 mil pessoas.

Uma pergunta fica: Por que apenas o Iraque merece sanções e agressões militares?  A Índia,  o Paquistão e Israel  possuem armas de destruição em massa, inclusive atômicas. Todos estes países estão mais próximos de utilizá-las que o pobre do Iraque. Por sinal, a primeira medida dos EUA quando do início da guerra contra o Afeganistão foi reduzir, ou eliminar, a pressão sobre o seu aliado Paquistão sobre a produção e armazenamento de armas de destruição em massa.

Então qual é o verdadeiro motivo da guerra? Novamente o petróleo. O Iraque têm a segunda reserva mundial de petróleo, perdendo apenas para a Arábia Saudita. Ele é responsável por 10% da oferta internacional. Os americanos cobiçam esta riqueza que está fora do seu alcance e nisto não estão sozinhos. A British Petroleum da Inglaterra já sonha com um retorno ao país do qual foi expulsa na década de 1960. Ela terá sua parte reservada no grande botim. Talvez isto ajude a explicar a posição de Tony Blair. No entanto, a maior parte ficará com as três irmãs norte-amreicanas – Texaco, Esso e Shell.

Os EUA produzem 7 milhões de barris de petróleo por dia e consomem 20 milhões, ou seja necessitam importar 13 milhões de barris ao dia. Para eles esta é uma questão estratégica. Os árabes, juntamente com o Irã, possuem 62% de todas as reservas mundiais.

O governo do Iraque mostrando uma habilidade incrível aceitou a volta dos inspetores da ONU, desarmando a armadilha norte-americana que contava com a sua recusa para iniciar imediatamente um ataque mortífero. Sadam tinha fortes motivos para não permitir a volta dos inspetores, estes cumpriram uma missão vergonhosa de espionagem contra aquele país até 1998, quando se retiraram a pedido dos norte-americanos, que preparavam o inicio da operação Tempestade no Deserto. Segundo o conceituado jornal Wasshinton Post os inspetores  indicaram os pontos a serem bombardeados pela aviação e marinha norte-americanas. Depois disto, corretamente, foram impedidos de regressar ao país.

Os EUA, mesmo assim, não desistiram e exigiram da ONU autorização para caso houvesse alguma resistência por parte do Iraque pudesse ter carta branca para ocupar o país. Esta lhes foi negada, em troca aprovou-se uma resolução mais dura que a anterior. O Iraque mais uma vez aceitou a resolução da ONU. Mas, infelizmente, esta atitude nobre talvez de nada valha. Porque as verdadeiras razões para a guerra são outras. Não se trata de desarmar o Iraque e sim destruí-lo enquanto nação soberana e apropriar-se de suas riquezas.

Até agora os inspetores da ONU não encontraram qualquer indício de existência de armas biológica ou de destruição em massa. Hoje o Iraque é um país em ruínas. Mais de 80% de sua capacidade militar e de sua infra-estrutura foram destruídas na última guerra. O povo passa fome e morre de inúmeras doenças graças ao embargo econômico que dura mais 10 anos. Neste período já morreram mais de um milhão de meio de pessoas, uma grande parte são criança que nem haviam nascido quando ocorreu o conflito. Um lento genocídio se comete ali.

O mundo resiste

No entanto, os objetivos americanos estão sendo ameaçados por dois lados: de um lado o crescimento do movimento anti-guerra em todo o mundo, inclusive no território norte-americano – houve recentemente uma manifestação que reuniu cerca de 200 mil pessoas em Washington e outras centenas de milhares em outros estados. A pressão sobre os governos que compõe a OTAN cresce. Manifestações gigantesca ocorreram na Grécia, França, Inglaterra, Itália e Turquia. Os povos de todos os países do Oriente Médio se colocam contra a guerra e realizam grandes manifestações contra o imperialismo norte-americano e seu principal aliado Israel

De outro lado, até governos de países capitalistas importantes, aliados tradicionais, como o da França e da Alemanha dizem que são contrárias a guerra, também são contrárias a Rússia e a China – a duas juntamente com a França tem assento permanente no Conselho de Segurança da ONU e pode de veto – ou seja, hoje a guerra não passaria facilmente por este Conselho. 

O próprio Vaticano que deu apoio tácito a guerra contra o Afeganistão já se posicionou duramente contra uma nova guerra contra o Iraque. Todos os países árabes, sem exceção, condenam a guerra. Ou seja, até inimigos histórico do Iraque, como o Kuait, o Irã e a Arábia Saudita defendem uma política de  paz para a região.

Hoje somente o governo inglês apoia integramente as ações militares americanas e já mandou tropas para a região. Cresce na opinião pública inglesa o repúdio a guerra, a pesquisa feita pelo The Guardian revelou que 46% dos ingleses são contra a guerra e somente 33% defendem a alinhamento automático com os EUA. Isto poderá ter algum efeito sobre o governo trabalhista no próximo período. Os EUA caminham, assim, para um isolamento internacional ainda maior.

 Mas, os preparativos de guerra continuam a todo o vapor. Mais de 100 mil soldados já se encontram na região, espera-se a chegada de mais 50 mil nos próximos dias. O efetivo total pode chegar a 250 mil soldados. O objetivo não é mais apenas derrubar o governo e sim colonizar o país, colocando um governador-geral norte-americano com o objetivo de “reconstruir” o país e, quem sabe, no futuro, entregá-lo a um governo confiável. Espera-se que um ataque fulminante ocorra entre o dia 15 de fevereiro, após o Ramadan, e o início  de março.

Portanto, a guerra é iminente e os povos do mundo não têm tempo a perder. É preciso construir um amplo e unitário movimento pela paz. Um movimento que inclua partidos políticos, movimentos sociais, igrejas e governos. Foi aprovado no Fórum Social Mundial  que o dia 15 de fevereiro será  o dia internacional de luta contra a guerra e pela paz. Vamos transformá-lo num grande acontecimento, um grito ensurdecedor dos povos que consiga encobrir o som dos tambores de guerra do Império.

 

AUGUSTO BUONICORE

     

 


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