Governo Lula começa bem
O Brasil tem, com Luiz Inácio Lula da Silva,
pela primeira vez na história um presidente que não provem
das elites e/ou dos círculos acadêmicos. Lula é originário
das camadas populares e, por muito tempo, foi trabalhador
e sindicalista combativo no setor automobilístico.
O governo Lula, como o próprio Lula corretamente
afirma, não é apenas resultado de uma vitória eleitoral,
mas resultante do desenvolvimento de um período histórico
da política brasileira.
Em torno de 200 mil pessoas estiveram reunidas
no dia 1.º de janeiro, na Praça dos Três Poderes em Brasília,
para comemorar esse resultado e demonstrar claramente
ao presidente que ele possui o apoio da maioria do povo
brasileiro. Ao invés de um discurso moderado, que muitos
esperavam, Lula afirmou claramente as mudanças políticas
e sociais necessárias no Brasil, as quais, na sua opinião,
a população espera da sua eleição. Assim, Lula apresentou
como prioridades de seu governo o combate à fome, a reforma
agrária e o desenvolvimento produtivo do país, com o objetivo
de diminuir o enorme abismo que separa ricos e pobres
no Brasil.
Conforme
seu programa eleitoral, Lula aposta num amplo pacto social
na sociedade brasileira, para que o país possa sair da
dura crise econômica em que se encontra e desenvolver
seu enorme potencial produtivo. A composição do novo governo
representa uma tentativa de consenso, com o objetivo de
aumentar a margem de ação do governo, já que este não
conta com uma maioria parlamentar. Se a tentativa dará
certo, isso fica em aberto. No governo não estão representadas
apenas as diversas posições internas do PT, mas também
os grupos que apoiaram Lula na campanha eleitoral, como,
por exemplo, o PL, o PPS, o PSB, o PC do B e o PV, que
também foram contemplados com ministros. A área da agricultura
está dividida em dois ministérios: o Ministro da Agricultura,
Roberto Rodrigues, é um representante do grande complexo
agroindustrial brasileiro, enquanto Miguel Rossetto, da
esquerda do PT, é responsável pelo Ministério do Desenvolvimento
Agrário (Reforma Agrária) e irá representar os interesses
de pequenos agricultores e sem-terras. O Ministério da
Fazenda é liderado por Antônio Palocci, um representante
da ala moderada do partido. No comando do Banco Central,
onde parte do “capital financeiro” exigia, inclusive,
que ele ficasse independente do governo, o escolhido foi
Henrique Meirelles, deputado do PSDB e ex-diretor do Banco
de Boston nos Estados Unidos. Trata-se de um típico representante
dos círculos burgueses. Apesar das substanciais contradições
e dos notórios conflitos, a maioria dos brasileiros se
demonstra, neste primeiro momento, satisfeita com a composição
do novo governo.
Importante para a sua expressiva popularidade
foi o fato de Lula, uma semana após sua posse, ter feito
uma viagem com praticamente todos seus ministros pelas
regiões mais pobres do nordeste brasileiro. Ali o novo
presidente reafirmou seu compromisso com o povo pobre
do Brasil: “Pode ter certeza que vai ser
nas regiões mais pobres do país que nós vamos definir
as nossas prioridades, porque quem precisa do governo
é o povo pobre e não o povo rico, que muitas vezes se
serve do governo".
As esperanças no país são enormes e importantes
mudanças estão sendo esperadas desse governo. O suposto
caos de um governo Lula, anunciado pelos especuladores
e por boa parte da mídia durante a
campanha eleitoral, até agora não pôde ser constatado.
Há bastante tempo o real não esteve tão valorizado em
comparação ao dólar americano e a inflação, por conseqüência
tem sido decrescente. A esperança, de fato, superou o
medo e, enquanto os grandes meios de comunicação e os
especuladores procuram medir o governo através de indicadores
econômicos, isto é, por seus critérios de lucro, este
se apresenta ocupado com os problemas que mais afetam
a população: a fome, a violência social e o desemprego.
A presença do presidente e de seus ministros junto às
camadas mais pobres da população e sua convicção de que
o governo deve estar, em primeira linha, comprometido
com elas é precisamente simbólico. O governo Lula tem,
apesar de todas as dificuldades, assumido o desafio de
implementar, de forma gradual, um programa de esquerda
e de construir um Brasil socialmente mais justo para a
maioria do povo brasileiro.
*
Doutorando em Ciências Sociais na Universidade de Osnabrück.
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Lulas
Regierung fängt gut an
Brasilien hat mit Luiz Inácio Lula da Silva zum ersten mal
eine Persönlichkeit als Präsident, die nicht aus den Eliten
stammt und akademische Grade hält, sondern aus sehr einfachen
Verhältnissen kommt und lange Zeit als Arbeiter und als
kämpferischer Gewerkschaftler in der Autoindustrie beschäftigt
war. Die Regierung Lula ist, wie er selbst zu recht sagt,
nicht nur das Ergebnis eines Wahlsiegs, sondern Resultat
einer epochalen Entwicklung. Ungefähr zweihunderttausend
Menschen versammelten sich am 1. Januar an der Praça
dos Três Poderes in der Hauptstadt Brasília, um dies
Ereignis zu feiern und dem Präsidenten klar zu zeigen,
dass er von der Mehrheit des brasilianischen Volkes unterstützt
wird. Statt des von manchen erwarteten moderaten Diskurses
sprach Lula sich klar für notwendige politische und soziale
Veränderungen aus, für deren Durchsetzung er aus seiner
Sicht gewählt wurde. Er stellte die Bekämpfung des Hungers,
die Agrarreform und die produktive Entwicklung des Landes
als Prioritäten heraus, die die gewaltige Kluft zwischen
Arm und Reich vermindern sollen.
Entsprechend seines Wahlprogramms hofft Lula auf einen breiten
Sozialpakt in der brasilianischen Gesellschaft, um das
Land aus der scharfen wirtschaftlichen und gesellschaftlichen
Krise zu führen und seine enormen Potentiale zu entwickeln.
Die Zusammensetzung der neuen Regierung stellt einen Einigungsversuch
dar, mit dem Ziel, die Spielräume der Regierung zu vergrößern, weil sie über
keine parlamentarischen Mehrheiten verfügt. Ob der Versuch
gelingt, ist offen. Nicht nur die verschiedenen Positionen
innerhalb der PT sind in der Regierung vertreten, sondern
auch Vertreter des „produktiven Kapitals“ und der Gruppen,
die Lula im Wahlkampf unterstützten (so z. B. die kleine
liberale Partei PL, die PPS, die PSB, die ehemals maoistische
PCdoB und die Grünen mit je einem Minister). Die Landwirtschaftspolitik
ist in zwei Ministerien aufgeteilt: ein Vertreter des
agroindustriellen Komplexes ist genauso vorhanden, wie
der für die Agrarreform verantwortliche Miguel Rossetto
vom linken PT-Flügel, der die Positionen der kleinen Bauern
und Landlosen vertreten wird. Das Finanzministerium wurde
einem Vertreter des gemäßigten Parteiflügels überantwortet.
An der Spitze der Zentralbank, hier hatten Teile des Finanzkapitals
sogar die Unabhängigkeit von der Regierung gefordert,
steht mit Henrique Meirelles, Abgeordneter der PSDB (Partei
des letzten Präsidenten Cardoso) und Ex-Direktor
der nordamerikanischen Boston-Bank ein
ausgesprochener Vertreter bourgeoiser Kreise. Trotz erheblicher
Widersprüche und öffentlicher Auseinandersetzungen sind
die meisten BrasilianerInnen aber mit der Zusammensetzung
der Regierung zunächst
offenbar zufrieden.
Wichtig für seine ausserordentliche Popularität
war auch, dass Lula schon eine Woche nach seinem Amtsantritt
mit fast allen Ministern durch den armen Nordosten reiste
und dort seine Verpflichtungen gegenüber den Armen Brasiliens
wieder verdeutlichte: „Ihr könnt sicher sein, dass wir unsere Prioritäten zugunsten der ärmsten
Gebiete des Landes gestalten werden, denn die Armen brauchen
die Regierung am meisten und nicht die Reichen, die sich
vielmals nur von der Regierung bedienen lassen“.
Die Hoffnungen im ganzen Land sind enorm und von
dieser Regierung werden wichtige Veränderungen erwartet.
Das im Wahlkampf von den Spekulanten an die Wand gemalte
Chaos unter einer Regierung Lula ist bisher nicht
eingetreten. Schon lange war der Wert des Real (die brasilianische
Währung) nicht mehr so hoch im Vergleich zum US-Dollar
und die Inflation ist auch dadurch rückläufig. Die Hoffnung
hat tatsächlich die Angst besiegt und während die hochkonzentrierte
Medienwelt und die Spekulanten die Regierung nur an der
„wirtschaftlichen Entwicklung“ (d.h. an Profitkriterien)
messen, verspricht diese, sich vor allen mit den größten
Problemen zu beschäftigten, die das Volk betreffen: den
Hunger, die gesellschaftliche Gewalt und die Arbeitslosigkeit.
Die Anwesenheit des Präsidenten und seiner Minister bei
den ärmsten Schichten der Bevölkerung und seine Überzeugung,
dass die Regierung sich in erster Linie für diese einsetzen
muß, ist geradezu symbolisch. Die Regierung Lula hat sich
vorgenommen, trotz aller Schwierigkeiten, ein linkes Programm
Schritt für Schritt durchzusetzen und ein sozial gerechteres
Brasilien für die Mehrheit des Volkes zu schaffen.
* Antônio Inácio
Andrioli ist Mitglied der PT in Rio Grande do Sul und
arbeitet zur Zeit an seiner sozialwissenschaftlichen Dissertation
an der Universität Osnabrück.
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