Na França o comunismo tem, ainda,
seu lado glorioso, apesar de considerado um astro morto que
deixou de brilhar desde agosto de 1991, em Moscou. Porém, o
dito astro emite, ainda, alguns raios, pois as organizações
e os integrantes não desapareceram. O Partido Comunista Francês
esta morrendo, mas o movimento comunista conserva um certo poder.
Tal movimento compreende comunistas
ortodoxos, sobretudo grupos trotskistas. Diante da realidade,
os ortodoxos procuram negar a característica totalitária do
sistema comunista mundial – criado por Lénine – ao qual pertenciam.
Ao negarem, então, a tragédia dos crimes cometidos, dizem que
a responsabilidade pesa sobre Staline, e que o traidor do leninismo
não era verdadeiramente comunista. Para manterem viva as chamas
do comunismo, fazem referências a exemplos como a participação,
ainda que tarde, da resistência ao nazismo após a ruptura da
aliança germânico-soviética, em junho de 1941.
A movimentação de maio de 1968 reativou,
pela última vez, a idéia revolucionaria e, assim, o Partido
Comunista Francês, que ofereceu vários postos permanentes em
organizações municipais, sindicais, etc., além de um auditório
e editoras para os intelectuais e os universitários.
A partir de então, muitos membros
passaram a negar que foram “revolucionários”, solidários aos
poderes totalitários que os sustentavam ideologicamente e, às
vezes, financeiramente. Outros, efetivamente, ocupam,
hoje, postos importantes na mídia, nas Universidades, na pesquisa
ou na política.
Dentre eles, podemos citar o ex-primeiro
ministro Lionel Jospin, que escondeu durante vinte anos, que
fazia parte do Partido Socialista como “topeira” trotskista.
Outros intelectuais tiveram relações oficiais com Pol Pot, autor
do maior genocídio da História. Todas essas pessoas conservam
a mentalidade de “comissários políticos”, dando, assim, lições
de moral e pregam que a revolução é necessária.
Le Monde não é um
jornal comunista, mas seu diretor de redação, Edwy Plenel, pertenceu
ao trotskismo.
O movimento comunista penetrou largamente
no Funcionalismo Público, com a enorme vantagem da segurança
do emprego… segundo Stéphane Courtois – historiador especialista
no estudo do Comunismo e diretor de pesquisas no CNRS – este
é hoje, paradoxalmente, o setor mais conservador da sociedade.
Até mesmo algumas empresas privadas
usam o martelo e a foice, a bandeira vermelha, ou a efígie de
Lenine como suporte publicitário que surte um ótimo efeito.
Entre chamas e cinzas, vemos, claramente,
os resquícios do astro que caiu sobre a terra deixando marcas,
influenciando os fenômenos naturais, sociais. Enfim, morto ou
desintegrado? Haverá ainda de reviver ou integrar-se?