África,
na hora do réquiem proclamaste
a
história do branco se lava com sangue
unido
ao tambor o grito da revolta resgata
com
furor, da cicatriz colonial, a identidade da pele
nos
sulcos faciais dos seculares ritos tribais
Recusa
de hinos nacionais não contidos no eco da voz ancestral
vontade
trabalhada no ébano, a autenticidade de tuas máscaras
afugenta
a figura espectral do terror branco.
Prepotência
mercenária que com gestos de guerreiro fantoche
quis
obstar tua visceral natureza - liberdade
Liberdade
calada no movimento da vida
Liberdade
de viver ou morrer no ato simples de ser
à
arrogante bota do conquistador respondeste com tua verdade,
a
África não mente! ela entrelaça a vida e a morte
Nos
ritmos dos corpos das danças, suor e fogo,
Nos
espaços o olhar sem fim das savanas suspensas à respiração da
fauna
Nas
águas dos rios impetuosos que arrastam terras e homens, passado e
futuro
África,
hoje o colonizador sabe: tua história está na liberdade bruta
Da
trajetória traçada entre a corrida da gazela e o dente do leão