África Negra

 

Por CLAUDIO STIELTJES
Leciona Filosofia na Universidade Estadual de Maringá; autor de 
Jürgen  Habermas: A desconstrução de uma teoria (Editora Germinal, 2001).

África, na hora do réquiem proclamaste

a história do branco se lava com sangue

unido ao tambor o grito da revolta resgata

com furor, da cicatriz colonial, a identidade da pele

nos sulcos faciais dos seculares ritos tribais

 

Recusa de hinos nacionais não contidos no eco da voz ancestral

vontade trabalhada no ébano, a autenticidade de tuas máscaras

afugenta a figura  espectral do terror branco.

Prepotência mercenária que com gestos de guerreiro fantoche

quis obstar tua  visceral natureza - liberdade

 

Liberdade  calada no movimento da vida

Liberdade de viver ou morrer no ato simples de ser

à arrogante bota do conquistador respondeste com tua verdade,

a África não mente! ela entrelaça a vida e a morte

Nos ritmos dos corpos das danças, suor e fogo,

Nos espaços o olhar sem fim das savanas suspensas à respiração da fauna

Nas águas dos rios impetuosos que arrastam terras e homens, passado e futuro

 

África, hoje o colonizador sabe: tua história está na liberdade bruta

Da trajetória traçada entre a corrida da gazela e o dente do leão

 

CLAUDIO STIELTJES 

     


http://www.espacoacademico.com.br/19cclaudio.htm - Copyright © 2001-2002 - Todos os direitos reservados