Cepticismo
Presente, Ética Ausente
O que é cepticismo? O Dicionário Aurélio define cepticismo
como a “atitude ou doutrina segundo a qual
o homem não pode chegar a qualquer conhecimento
indubitável, quer nos domínios das verdades
de ordem geral, quer no de algum determinado
domínio do conhecimento”. Será que temos vivido num estado de incredulidade? Crise
e cepticismo têm sido palavras quase onipresentes
ultimamente. Por acaso têm eles apagado
a fé das pessoas e investidores? Qual pode
ser o resultado de tal crise de (ou) cepticismo?
A atual crise vivida no Brasil é um reflexo da política
econômica conduzida pelo atual governo seguida
de uma crise de valores morais e princípios
de conduta observados durante o exercício
da profissão, sejam dentro do âmbito empresarial
ou político. Em outras palavras, a ética
tem sido um componente ausente nesse processo
e isso surge como um indicativo para justificar
o ceptcismo atual. Esse momento não é apenas
peculiar ao Brasil. Os Estados Unidos
também passam por um momento crítico. Os
escândalos corporativos e recentes quedas
das Bolsas resultaram em forte mobilização
em Washington para legislar contra alguns
dos abusos empresariais mais notórios. Isto
parece indicar que a postura do EUA em relação
aos negócios está mudando. Mas a economia
na terra do Tio Sam não anda bem das pernas.
Segundo relato do Editorial do Financial
Times de 10 de agosto, com as revisões de
números da economia americana, constatou-se
que ela cresceu a uma taxa anual de aproximadamente
3% na primeira metade deste ano, e não os
esperados 4%. Além disso, o crescimento
de produtividade de 2001 ficou pouco acima
da marca de 1%. contra a marca melhor, ainda
que modesta de 2,9% em 2000. Mas, onde entra
tecnologia nisso tudo?
Passada
a onda da empresas .com (empresas da Internet)
que foram a febre no final da década de
90 e, em parte, responsável pela ‘bolha’
do mesmo período e apesar dos esforços empreendido
nos EUA e outros países objetivando recuperar
as economias, os gastos com tecnologias
e-business tem estado em declínio de 2001
a 2002 de acordo com um estudo da Forrester
Research (www.forrester.com).
Na pesquisa
realizada pela Forrester, foram consultados
quase 900 executivos de tecnologia da informação
e negócios, responsáveis por tomarem decisões
estratégicas num universo de 3500 grandes
empresas de atuação global. A média de orçamento
para o setor de tecnologia nessas companhias
tem expectativa de ser reduzido em quase
30% de 2001 para este ano. Interessante
observar que ao mesmo tempo em que gastos
com tecnologia tem caído, a vendas resultantes
de compras via Internet tem crescido e totalizaram
5.7% do total da vendas das companhias consultadas.
Há uma previsão que este percentual chegue
a 7.3% este ano. E mais, estudos indicam
que em cinco anos, este as vendas online
representaram 20% do total dessas companhias.
Um outro diagnóstico desse estudo diz que
muitas companhias estão avessas aos riscos
de adquirir novas tecnologias esse ano.
Em função da crise de credibilidade pela
qual a economia americana passa atualmente,
o estudo constatou que as unidades de negócios
terão mais influência sobre o rumo e estratégias
de tecnologias tomados este ano comparativamente
aos anteriores.
Esse solavanco
na economia mundial e forte queda nos EUA
foi minado em grande parte pela expectativa
criada com as empresas de Internet. Agora,
com os pés mais no chão, observa-se que
não só isso é causa do atual abalo nas economias,
mas também a falta de confiança nos executivos
e auditores das grandes empresas. A ética,
antes considerada intrínseca a esses profissionais,
agora desperta o cepticismo das pessoas
e, principalmente, dos investidores. A crise
de credibilidade atual também tem outro
ingrediente, o político. Estará o dinheiro
está comprando a política ou o contrário?
Kevin Phillips, em artigo intitulado “No ciclo de escândalos financeiros, chegou a hora da
moralização” pro The New York Times, 18
de julho de 2002, relata:
Durante a Era de Ouro, os barões das estradas
de ferro compraram legislaturas e líderes
empresariais pagaram para ter cadeiras no
Senado americano. Nos últimos anos do século
19, um senador propôs ingenuamente um projeto
de lei para afastar os parlamentares cujas
cadeiras foram compradas. Isto provocou
a resposta séria de um colega: "Nós
poderemos perder quórum enquanto aguardamos
a ação dos tribunais" ... Os legisladores
que votam as regulações empresariais e financeiras
não podem esquecer o 1% dos americanos mais
ricos, que realizam 40% das contribuições
individuais de campanha federal... O dinheiro
está comprando a política... Os anos 1980
e 90 imitaram a Era de Ouro nos excessos
intelectuais da adoração ao mercado, laissez-faire
e darwinismo social.”
E o Brasil com tudo isso? Como costuma-se
dizer, quando os EUA espirra, pode-se esperar
que o Brasil terá gripe. Se a economia lá
vai mal, a nossa também irá pois os EUA
é importante parceiro comercial. Resta torcer
para que a nova legislação americana permita
reaver a credibilidade lá abalada e nosso
futuro presidente e congressistas façam
as devidas correções, atuando com brasileirismo.