Toda
a Europa, que no início da copa do mundo/2002 não contava
com o Brasil e a Alemanha para a final, festejou o triunfo
auriverde com muita alegria. Os comentários, nos maiores
jornais, não poderiam ser melhores: "Brasil, o futebol
de ataque de 5 potências!", "Porque o futebol
brasileiro continua sendo o melhor?", "Ronaldo
superestar", "Brasil: casa espiritual do futebol".
Na verdade, todos admitiram o merecimento
da tão cobiçada taça, que serviu de questionamento em vários
sentidos para os europeus. Pergunta-se o que fazer para
melhorar os times. Como os brasileiros conseguem superar
a fatiga e as deficiências físicas, e também: "O que
mais eles precisam fazer para provar que merecem sediar
mais uma copa?". Os argumentos contra são ensaiados
(violência, falta de estrutura, etc.) e, além do mais, se
cogita a copa de 2010 em um país africano que, qualquer
que seja, apresentará as mesmas condições do Brasil. Assim
sendo, quando será que os "verdadeiros brasileiros"
terão a oportunidade de ver uma copa de perto?
Com tanta criatividade e arte prevalecendo
sobre a lógica e o pragmatismo, o futebol brasileiro é considerado
o segundo time preferido pelas pessoas do mundo inteiro,
ou seja, cada um torce primeiramente para o time de seu
país e em segundo lugar para os "amarelos". A
solidariedade européia é quebrada pelo "futebol-samba"
e pela alegria sul-americana dos brasileiros que fazem das
partidas uma festa.
Os agradecimentos cristãos após cada
vitória deixam a Europa, tipicamente atéia, estarrecida
e é impossivel evitar comentários do tipo: "Como os
brasileiros são corajosos em mostrar sua fé!".
Criatividade, espiritualidade, samba,
sorrisos, tudo isso e muito mais, é traduzido no "jeitinho
brasileiro" de todos nós que, durante a partida, aguentamos
com classe as provocações dos alemães, nos lugares públicos
da grande Paris, e ainda improvisamos palco para festejarmos
com muito ritmo na Av. Champs Elysées, onde muitos choraram
em 1998. Esquecemos as tristezas, a saudade, queríamos nossos
compatriotas, nosso povo sofrido para comemorarmos juntos,
extravazarmos, gritarmos que somos os melhores.
Agora foi a nossa vez, a hora em
que até os "azuis" amarelaram e ainda não se cansam
de felicitar, nas ruas, nos bares, essa torcida que sabe
ser feliz, esse país que merece ser o primeiro, mesmo sendo
terceiro mundo.