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O
“poder invisível” do mercado
“Essa
globalização, que vem sendo edificada
com base em tendências imanentemente
sociais, é igualmente produto de uma
política que reforça essas tendências
e as aproveita porque elas se prestam
aos seus interesses” (Pierre Bourdieu)
Muito
tem sido falado sobre o mercado e seu
domínio sobre a sociedade. Especialmente
com a ampliação do livre
comércio, que possibilitou uma
até então inimaginável
especulação financeira,
cresce a crença num assim chamado
"poder invisível" do
mercado. O Estado de bem-estar social
e a democracia são mundialmente
apresentados como obstáculos à
"ordem econômica". Governos
devem possuir sempre menos poder, especialmente
nos "países em desenvolvimento",
de forma que os investidores não
temam em investir seu dinheiro ali. Aliás,
o dinheiro especulativo, que representa
90% do dinheiro que diariamente circula
pelo mundo, é denominado como "ajuda"
e aceito como decisivo fator de desenvolvimento.
Para que os governos possam ser bem credenciados
a "atrair" investimentos, eles
devem oferecer uma alta taxa de juros,
com os quais seus países se tornem
mais "atrativos". Nisto estão
incluídos a privatização
de empresas, a queda de impostos, o racionamento
do crédito e o combate à
inflação como pressupostos
para a "atratividade" do mercado.
Mas, afinal de contas, quem decide sobre
o mercado?
Assim
como nos anos 90 a globalização
fôra aceita como inevitável,
agora é aceito o argumento de que
nenhum governo pode renunciar aos investimentos
especulativos. Se um governo pretende
renunciar à especulação,
já se assinala um quadro de caos,
porque os especuladores, então,
tirariam seu dinheiro do país e
poderiam investí-lo em outro. A
única alternativa dos governos
seria oferecer as melhores condições
aos especuladores e esperar que o dinheiro,
de fato, seja investido em seu país.
Através desta concepção,
os especuladores já possuem mais
poder que os Estados Nacionais e podem,
inclusive, influenciar eleições,
apoiando candidatos que a eles melhor
se adaptem.
No
Brasil, por exemplo, George Soros, um
dos maiores especuladores do mundo, se
pronunciou a favor de Serra, candidato
do atual governo, ao afirmar que uma possível
vitória da oposição
significaria o caos. "Ou Serra ou
o caos" serviria para mostrar que
o povo brasileiro sequer teria outra alternativa
a não ser a de concordar com os
"interesses do mercado". A ameaça
é tão forte que Lula, candidato
da oposição, se sente obrigado
a se adaptar sempre mais ao mercado e
não expressar nenhuma opinião
que possa ocasionar uma "fuga de
investimentos".
Já
é de notar que por detrás
da concepção de supremacia
do mercado estão escondidos interesses
políticos que, claramente, confrontam
com os interesses das nações.
Mas por que os governos têm feito
tão pouco contra isso? Eles possuem
realmente tão pouco poder diante
do crescente mercado especulativo? Podemos
partir do pressuposto de que sem decisões
políticas o mercado especulativo
nem sequer existiria. Instituições
internacionais foram criadas, reuniões
de chefes de Estado aconteceram e regras
foram acordadas para que o livre comércio
pudesse ser ampliado. Os governos que
apoiaram estas instituições
e regras são responsáveis
pela atual situação. Mas,
exatamente estes governos, agora que os
problemas sociais já são
tão visíveis, procuram responsabilizar
o mercado pelas suas próprias decisões.
Se não existissem regras seria
impossível negociar, porque todos
os negócios dependem de regras.
Sem obediência e aceitação
das regras, nenhum investidor ou comerciante
está seguro de que será
pago, o que pode comprometer a lógica
do mercado.
Como
não existe mercado sem regras,
as decisões políticas são
responsáveis pela manutenção
ou mudança da situação
econômica. Mas a política
é influenciada pela economia e,
normalmente, os governos são tão
subservientes que os interesses do capital
são simplesmente aceitos como interesse
do Estado e nem sequer ainda são
limitados pelos governos. Isso significa
que não basta ter governos ou reforçá-los;
é necessário que a população
em geral se organize politicamente na
sociedade civil, que troque governos e
que os coloque sob pressão quando
confrontam os interesses públicos.
Por
detrás do poder do mercado estão,
evidentemente, os interesses do capital,
que procura cada vez mais decidir a política
dos países a favor de seus privilégios.
Apesar desse poder ser apresentado de
forma ideológica como um sistema
autônomo, ele só é
tão significativo porque existem
governos que consentem aos interesses
do capital e porque, nos últimos
dez anos, os movimentos sociais recuaram
sensivelmente. Mas já há
sinais de uma resistência política.
O surgimento do movimento internacional
de crítica à globalização
neoliberal, o qual muitos nem poderiam
imaginar na década de 90, é
uma demonstração de que
a humanidade não se adapta tão
simplesmente à lógica do
mercado, especialmente porque esta lógica
aprofundou a desigualdade social e não
vem ao encontro aos interesses da maioria.
Novamente fica claro que democracia e
liberdade não são uma oferta
do mercado ou do Estado e que somente
poderão ser alcançadas através
da sociedade organizada.
* Doutorando em Ciências Sociais na Universidade
de Osnabrück – Alemanha.
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Die
„unsichtbare Macht“ des Marktes
„Diese
Globalisierung, die auf gesellschaftsimmanenten
Stimmungen aufbaut, ist gleichermassen
das Produkt einer Politik, die diese
Stimmungen verstärkt und sie ausnutzt,
weil sie bestimmten Interessen entgegenkommen“.
(Pierre Bourdieu)
Viel wird vom Markt und seiner Überlegenheit über die Gesellschaft
gesprochen. Besonders mit der Verbreitung
des Freihandels, die eine bis dann unvorstellbare
weltweite finanzielle Spekulation ermöglichte,
steigt der Glaube an eine sogenannte unsichtbare
Macht des Marktes. Der Wohlfahrtsstaat
und die Demokratie wurden weltweit als
Hindernisse für die „wirtschaftliche Ordnung“
dargestellt. Regierungen sollen immer
weniger Macht haben, besonders in den
„Entwicklungsländern“, so dass die Kapitalanleger
nicht fürchten, ihr Geld dort zu investieren.
Übrigens wird das spekulative Geld, das
zu 90% der Gelder zählt, die täglich um
die Welt zirkulieren, als „Hilfe“ bezeichnet
und als entscheidender Faktor der Entwicklung
angenommen. Damit die Regierungen sich
gut bewerben können, um Investitionen
„anzuziehen“, sollen sie hohe Zinsen anbieten,
damit die Länder „attraktiv“ werden könnten.
Dazu gehört auch die Privatisierung von
Unternehmen, die Senkung der Steuern,
die Kreditrationierung und die Bekämpfung
der Inflation als Voraussetzungen der
„Attraktivität“ des Marktes. Aber wer
entscheidet eigentlich über den Markt?
So wie in den 90er Jahren die Globalisierung als unvermeidlich
angesehen wurde, so wird jetzt akzeptiert,
dass keine Regierung auf die spekulativen
Investitionen verzichten kann. Wenn eine
Regierung darauf verzichten möchte, wird
schon von Chaos geredet, weil die Kapitalanleger
dann ihr Geld aus dem Land nehmen und
in einem anderen Land investieren könnten.
Die einzige Möglichkeit der Regierungen
wäre, die besten Bedingungen für die Spekulanten
anzubieten und erwarten, dass das Geld
dann in ihrem Land angelegt wird. Durch
diese Konzeption haben die Spekulanten
schon mehr Macht als die nationalen Staaten
und können sogar Wahlen beeinflussen,
indem sie Kandidaten
unterstützen, die ihnen besser
passen.
In Brasilien zum Beispiel, hat George Soros, einer der größten
Spekulanten der Welt, sich für Serra,
den Kandidaten der aktuellen Regierung,
ausgesprochen, als er sagte, dass ein
wahrscheinlicher Erfolg der Opposition
das Chaos bedeuten würde. „Entweder Serra
oder Chaos“ sollte zeigen, dass die
brasilianische Bevölkerung überhaupt
keine andere Möglichkeit hätte als den
„Interessen des Marktes“ zuzustimmen.
Die Bedrohung ist so stark, dass Lula,
der Kandidat der Opposition, sich gezwungen
fühlt, sich immer mehr an den Markt anzupassen
und keine Meinung zu äußern, die eine
Investitionsflucht verursachen könnte.
Es ist schon zu bemerken, dass hinter der Konzeption der
Überlegenheit des Marktes
politische Interessen stecken,
die klar gegen die Interessen der Nationen
verstoßen. Aber warum tun die Regierungen
so wenig dagegen? Haben sie eigentlich
keine Macht vor dem zunehmenden spekulativen
Markt? Man kann davon ausgehen, dass ohne
politische Entscheidungen der spekulative
Markt überhaupt nicht hätte entstehen
können. Internationale Institutionen wurden
begründet, Versammlungen von Regierungschefs
wurden abgehalten und unzählige Regeln
wurden aufgestellt, damit der Freihandel
verbreitet wurde. Die Regierungen, die
die Regeln und die Institutionen unterstützten,
sind für die aktuelle Situation verantwortlich.
Aber genau diese Regierungen versuchen,
weil die sozialen Probleme schon so bemerkbar
sind, den Markt für ihre eigenen Entscheidungen
verantwortlich zu machen. Ohne dass Regeln
existieren, wäre es nicht möglich zu handeln,
weil alle Geschäfte von Regeln abhängig
sind. Ohne Verbindlichkeit und Einhalten
von Regeln, ist kein Kapitalanleger oder
Verkäufer sich sicher, dass er bezahlt
wird, was die Logik des Markts zerstören
kann.
Weil es keinen Markt ohne Regeln gibt, sind die politischen
Entscheidungen dafür verantwortlich, die
wirtschaftliche Situation zu erhalten
oder zu ändern. Aber die Politik wird
von der Wirtschaft beeinflusst und normalerweise
sind die Regierungschefs so unterwürfig,
dass die Interessen des Kapitals einfach
als Interessen des Staats angenommen und
überhaupt nicht mehr durch die Regierungen
begrenzt werden. Das heißt, es genügt
nicht Regierungen zu haben oder zu stärken;
es ist für die allgemeine Bevölkerung
nötig, sich in der Zivilgesellschaft politisch
zu organisieren, Regierungen zu wechseln
und unter Druck zu setzen, wenn sie gegen
die öffentlichen Interessen handeln.
Hinter der Macht des Markts stecken eigentlich die Interessen
des Kapitals, das immer mehr versucht,
die Politik der Länder zu seinen Gunsten
zu beeinflussen. Obwohl diese Macht auf
ideologische Weise wie ein autonomes System
dargestellt wird, ist sie nur so bedeutend
weil es Regierungen gibt die den Interessen
des Kapitals zustimmen und weil in den
letzten 10 Jahren die sozialen Bewegungen
sich sehr zurück gehalten haben. Aber
es gibt schon Signale eines politischen
Widerstands. Der Auftritt der weltweiten
Globalisierungskritiker, den viele sich
in den 90er Jahren gar nicht vorstellen
konnten, ist ein Beweis dafür, dass die
Menschheit sich nicht so einfach der Logik
des Markts fügt, besonders weil diese
Logik die soziale Ungleichheit vertieft
hat und nicht der Interessen der Mehrheit
entgegenkommt. Es wird wieder klar, dass
Demokratie und Freiheit nicht ein Angebot
des Marktes oder des Staates sind, sondern
dass sie nur durch die organisierte Gesellschaft
erreicht werden können.
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