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Por PAULO ROBERTO DE ALMEIDA
Sociólogo,
especialista em relações internacionais; autor dos
livros Formação da Diplomacia Econômica
no Brasil: as relações econômicas internacionais
no Império (Senac, 2001) e Os primeiros anos do
século XXI: o Brasil e as relações internacionais
contemporâneas (Paz e Terra, 2002)
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Dez
coisas que eu faria se tivesse poder
(licença poética imaginária, mas justificada em uma fase
pré-eleitoral)
As indicações constantes da lista a seguir, explicitadas
mais abaixo, devem ser consideradas como propostas
modestas para melhorar o índice de desenvolvimento
humano no Brasil, bem como a qualidade do relacionamento
de seu povo com o mundo externo. Trata-se, obviamente,
de mera expressão da vontade pessoal do autor, mas
que expressa, com grau razoável de clareza, uma
certa concepção do mundo e dos modos possíveis pelos
quais o Brasil poderia ser organizado para aperfeiçoar
o nível de bem estar de seu povo. Como eu, também
obviamente, não tenho poder, a lista pertence mais
o reino da utopia do que a uma plataforma de propostas
realizáveis no imediato, mas ela pode servir igualmente
de critério de aferição da qualidade da agenda de
transformações que políticos em geral propõem como
base de sua ação em prol da Nação.
Quem quiser pode elaborar sua própria lista de propostas
e confrontá-la, por exemplo, às medidas que estarão
sendo inscritas nas plataformas de campanha política
dos principais candidatos nas próximas eleições
presidenciais, como forma de verificar se o seu
“pequeno poço de desejos coletivos” ou se sua “lista
de prioridades de reforma social” encontra correspondência
nesses documentos programáticos. Trata-se de um
exercício que pode ser considerado como de “cobrança
preventiva” de resultados.
Vejamos, em primeiro lugar, minha lista sintética de propostas
– a serem implementadas não necessariamente na ordem
aqui seguida –, para passarmos depois a seu detalhamento
e explicitação.
1. Mudaria o hino nacional, colocando bem-estar e desenvolvimento
em seu âmago;
2. Acabaria com os chamados “direitos adquiridos”;
3. Tornaria a educação pública de base as cinco primeiras
prioridades exclusivas de governo durante uma geração
inteira;
4. Transformaria o Estado em agente do bem estar coletivo,
retirando-o de atividades produtivas ou de setores
dotados de melhor eficiência quando de caráter privado;
5. Mudaria o caráter e a orientação das forças armadas;
6. Aprofundaria a abertura econômica e a inserção internacional
do País;
7. Elaboração e execução orçamentária totalmente transparente,
visíveis na Internet;
8. Reforma tributária radical, com imposto único de transações
financeiras e poucas taxas seletivas de natureza
social;
9. Abertura de creches públicas em todos os perímetros dotados
de uma certa densidade potencial de mães;
10. Abertura de bibliotecas públicas infantis em todos os
perímetros dotados de uma certa densidade potencial
de crianças.
A maior parte dessas propostas fala por si e elas deveriam
ser auto-explicativas à sua simples leitura, mas
para facilitar a discussão em torno de sua implementação
possível (ou hipotética), vejamos agora o que poderia
servir de rationale
para sua adoção e efetivação, em qualquer governo
dotado de um grau razoável de comprometimento com
os níveis de bem estar da população, com esta qualificação
importante de que elas devem ser vistas como simples
meio de atingir o objetivo maior de melhoria no
índice de felicidade do povo, não como uma finalidade
em si mesmas.
1. Mudaria o hino nacional,
colocando bem-estar e desenvolvimento em seu âmago.
Trata-se, obviamente, de objetivo não prioritário e totalmente
não relevante para o atingimento das demais finalidades
de bem estar superior da população, mas totalmente
congruente com o espírito no qual elas são formuladas,
válido aliás não apenas para o Brasil, mas para
a ampla maioria dos países. Os hinos nacionais expressam,
como se sabe, o chamado “espírito nacional”, representando
a síntese da história daquele povo, sua forma de
se conceber enquanto Nação e uma defesa de seus
objetivos prioritários.
Ora, todos sabem que a maior parte desses hinos foi concebida
numa fase de lutas políticas e militares em prol
da independência e unidade nacionais e traduzem,
em sua grande maioria, um espírito militar e de
ufanismo “patrioteiro” totalmente ultrapassados
em função dos avanços da consciência cidadã e do
direito internacional. Eles se referam a glórias
nos combates, incitam os instintos guerreiros –
“aux armes citoyens!” – e falam de um país ideal
que está muito longe do sonho dos simples cidadãos
reais da atualidade. Por isso, ganhariam em ter
suas letras ·– em alguns casos a própria música
– mudados para algo que expressasse o consenso da
nacionalidade presente com o progresso social, o
bem estar da população, a cooperação internacional,
a paz e a justiça universais.
2. Acabaria com os chamados
“direitos adquiridos”.
Os chamados “direitos adquiridos” representam, em grande
medida, privilégios corporativos transformados em
garantia legal de caráter vitalício, sem qualquer
correspondência com as reais possibilidades da economia
ou sua extensão universal, e nada mais são, portanto,
do que um tratamento discriminatório em relação
ao conjunto da população, em especial suas frações
mais pobres. Eles hoje estão concentrados em geral
na previdência do setor público (e assemelhados),
que precisa ser reformada para torná-la compatível
com o caráter verdadeiramente universal e impessoal
da legislação. Uma simples emenda constitucional
poderia, e de fato deveria, acabar com os privilégios
remanescentes, ainda que preservando os direitos
dos atuais beneficiários e seus dependentes imediatos,
mas introduzindo a partir daí um regime universal
dotado de legitimidade pois que livre de discriminações
abusivas que comprometem o equilíbrio das contas
públicas em favor de uma minoria de trabalhadores.
3.
Tornaria a educação pública de base as cinco
primeiras prioridades exclusivas de governo durante
uma geração inteira.
Todos sabem que o Brasil, país totalmente industrializado,
dotado de economia pujante e diversificada, é um
campeão de iniquidades sociais e de injustiças praticadas
contra seus próprios cidadãos. Ora, as políticas
diretamente redistributivas apresentam efeitos indesejados
em matéria de investimentos e alocação de recursos
e nem sempre conseguem atingir os objetivos a que
se propõem. É também consenso praticamente universal
que a educação é a melhor forma possível de elevação
dos padrões de vida, em primeiro lugar ocupacionais,
da maioria da população, contribuindo assim para
uma correção efetiva, ainda que não imediata, das
distorções em matérida de repartição da renda. O
que se propõe, portanto, é a concentração dos recursos
educacionais na educação pública de primeiro e segundo
grau (ou num grande ciclo básico ampliado), bem
como nas escolas técnicas profissionalizantes, com
extensão da presença e da permanência escolar efetiva
do aluno carente, com oferta de bolsa-escola onde
e quando pertinente (esta deve ser concebida como
algo a ser reduzido e, em última instância, eliminado,
pois que representando na verdade uma confissão
de nossas mazelas sociais, a serem eliminadas via
emprego e renda, não mediante assistência social
suscetível de manipulação política).
Se possível, ademais, esse esforço – que deve continuar como
prioridade absoluta por pelo menos uma geração inteira,
para produzir resultados efetivos em termos de redução
da pobreza e correção das iniquidades distributivas
– deve concentrar igualmente os recursos de promoção
de programas setoriais de atividades econômicas
(geralmente usados para beneficiar grupos industriais
ou agrícolas de interesse restrito) ou aqueles hoje
não mobilizados por motivo de isenções fiscais não
justificadas socialmente de maneira ampla e não
discriminatória. Como regra de princípio, o dinheiro
público deve ser utilizado para promoção de atividades
de interesse social universal – daí a razão de se
concentrar o dispêndio na educação do conjunto da
população, não em atividades de cunho econômico
que apresentam interesse apenas setorial – pois
esta é a melhor forma de elevar o nível geral de
qualificação da população, em especial de seus segmentos
mais pobres, e seu consequente índice de remuneração
monetária.
4.
Transformaria o Estado em agente do bem estar coletivo,
retirando-o de atividades produtivas ou de setores
dotados de melhor eficiência quando de caráter privado
Consolidar o modelo de privatização de setores que não têm
diretamente a ver com a orientação geral do Estado
enquanto agente social de atividades de interesse
coletivo, como a educação, a saúde, o saneamento
básico (água e esgoto), justiça e segurança pública
e assistência social, onde e quando pertinentes.
Creio que existe já um razoável consenso social
em torno das novas funções regulatórias do Estado
– e não diretamente produtor de bens ou serviços,
ainda que “públicos” – para insistir neste ponto
de aceitação praticamente universal hoje em dia.
Que não se assista mais ao ridículo de se ver políticos
de projeção nacional opondo-se à privatização das
telecomunicações ou da exploração do minério de
ferro, por considerá-las “atividades de caráter
estratégico” para o futuro do País”, que isso ofende
à inteligência do cidadão menos educado. Estratégico
é colocar toda criança na escola, alimentada pelo
menos com arroz e feijão, e não pagar regiamente
burocratas de alto coturno em funções que estariam
melhor sob direção e responsabilidade privadas,
concentrando-se os recursos públicos naquelas atividades
que são típicas do Estado como as indicadas acima.
5. Mudaria o caráter
e a orientação das forças armadas.
Ainda que exista um grau razoável de “consenso” em torno
dos argumentos tradicionais – do tipo: todo “grande
país” necessita de forças armadas compatíveis com
sua “importância no mundo”; como “não se pode prever
o futuro”, daí a razão de “se preparar para qualquer
eventualidade”, – que terminam por justificar a
manutenção de uma panóplia completa de instrumentos
militares, altamente custosos e de eficácia apenas
relativa em função dos riscos reais, eu seria francamente
a favor de uma outra linha de argumentação: quais
as ameaças reais – não as percebidas – à soberania
e independência do País? Elas emergem do nosso imediato
entorno geográfico ou mesmo de potências hegemônicas
que pretenderiam “subalternizar” o País ou impedir
seu desenvolvimento econômico e social?
Como não acredito no tipo de raciocínio que pretende preparar
a Nação para qualquer hipótese de conflito ou ameaças
imponderáveis – inclusive por considerar os dados
da realidade internacional e nosso tipo de relacionamento
com o mundo –, preferiria diminuir o grau de comprometimento
dos recursos disponíveis com a defesa exclusivamente
“nacional” e, em contrapartida, aumentar de maneira
significativa o nível de envolvimento do País com
as operações de paz das Nações Unidas, tanto as
de “peace keeping” como, de modo inédito até aqui,
as de “peace making” – compatível com nossa aspiração
a uma cadeira permanente no Conselho de Segurança
–, adaptando em consequência nossos requerimentos
militares para esse tipo de situação e de “confronto”
bélico. Ameaças residuais do tipo guerrilhas vizinhas
ou narcotráfico estariam contempladas no novo esquema,
mas não a defesa do território pátrio contra invasões
hipotéticas ou uma guerra em grande escala (que
nunca é aquela imaginada pelos generais). O cenário
cooperativo com os vizinhos e também com as grandes
potências deve ser pensado na perspectiva da promoção
da paz e da cooperação em prol do desenvolvimento
econômico e social, não como a partir da hipótese
do conflito com algum inimigo externo não percebido
como real ou em função da afirmação unilateral do
“interesse nacional”.
6. Aprofundaria a abertura
econômica e a inserção internacional do País.
Existe igualmente grau razoável de consenso em que a abertura
“unilateral” dos anos 90 estimulou o mais intenso
e rápido processo de modernização econômica e de
competitividade tecnológica já conhecido na história
do País, trazendo novos patamares de produtividade,
tanto no setor industrial, como nas várias áreas
do primário e do hoje imenso setor de serviços.
Os argumentos quanto ao “desmantelamento tarifário
sem barganha” são inconsistentes com a experiência
comercial e de integração do Brasil, em escala mundial
e regional, e não levam em conta os efeitos benéficos
efetivamente verificados da abertura, tanto para
os produtores como para os consumidores.
Nenhum economista razoável, inclusive nas fileiras da oposição
oficial, acredita ser possível hoje continuar o
processo de modernização da economia brasileira
em uma situação de isolamento em relação aos mercados
internacionais. Vários partidários da “soberania
econômica nacional” acreditam, entretanto, ser possível
algum grau razoável de proteção para indústrias
ditas – pelo burocrata governamental – “estratégicas”,
assim como doses “moderadas” de incentivos e isenções
fiscais, de molde a estimular setores considerados
competitivos a partir do apoio governamental. Além
das distorções do jogo econômico e dos desvios das
regras de concorrência provocados por esse tipo
de política, trata-se provavelmente do mais seguro
caminho para a volta aos padrões antigos de estruturação
industrial do País, bem como de má alocação dos
recursos públicos, com o efeito adicional de enviar
sinais contraditórios aos investidores nacionais
e estrangeiros, que ficarão aguardando – ou farão
pressão em prol de – medidas especiais de estimulo
a novas inversões nos setores pertinentes, cada
um podendo esperar pela classificação de “estratégico”.
Em contraste, uma sinalização clara em favor da continuidade
da abertura e da inserção internacional dá um recado
transparente a todos os agentes econômicos, ou seja,
o de que o jogo econômico será pautado pelas regras
da concorrência, sem outras regras especiais. Esta
é a melhor maneira de assegurar o prosseguimento
da modernização e de modo geral e o aumento da produtividade
da economia de modo particular.
7.
Elaboração e execução orçamentária totalmente transparente,
visíveis na Internet.
A manutenção da estabilidade econômica é ameaçada não tanto
pela chamada preservação da “memória inflacionária”
por parte dos agentes econômicos como pelas práticas
eventuais de permissividade emissionista e/ou prodigalidade
nas despesas por parte dos próprios agentes do poder
político, legisladores ou executivos dependendo
da conjuntura. Com efeito, o descontrole inflacionário,
raiz de tantos e tão perversos males sociais no
passado econômico brasileiro – como a inflação renitente,
causa principal e fonte primeira da desigualdade
extrema na distribuição de renda –, tem sido provocada,
quase invariavelmente, pelos péssimos hábitos orçamentários
do Estado brasileiro, cujos governos, desde Juscelino
pelo menos, tinham criado uma curiosa compulsão
por gastos não cobertos pelo orçamento ordinário.
Brasília, aliás, foi construída sem sequer estar
prevista no orçamento, criando um ciclo ficcional
nas contas do Estado que recém começa a ser encerrado
pelos últimos anos de ajuste fiscal.
Por isso, o primeiro e principal dever do agente público,
como de resto de todo cidadão politicamente consciente,
seria o de exigir transparência total na formulação
e na execução do orçamento público, em todos os
níveis e etapas do processo de elaboração e implementação
das contas públicas, das receitas originais às despesas
finais. O objetivo, que pode ser alcançado em tempo
real via Internet, tem por finalidade assegurar
limpidez e correção na elaboração desse importante
instrumento das políticas públicas, e não deveria
ter qualquer limitação técnica para seu estabelecimento
e funcionamento.
8.
Reforma tributária radical, com imposto único de
transações financeiras e poucas taxas seletivas
de natureza social.
Um dos mais poderosos fatores de “deseconomia” na estrutura
produtiva do Brasil é o seu sistema tributário,
caracterizado pela cumulatividade, pela incidência
em cascata e pela regressividade implícita na tributação
indireta, ademais de aspectos pouco louváveis, no
plano da aplicação e eficácia, como os altos graus
de evasão e de elisão fiscais. Diferentes propostas
de simplificação e de racionalização não têm logrado
obter apoio dos diferentes setores políticos (sobretudo
dos governos estaduais) em vista das incertezas
associadas à federalização de alguns tributos e
eliminação de outros.
Como o consenso se torna muito difícil em torno do sistema
“ideal”, talvez o mais factível seria uma mudança
radical nas próprias bases conceituais do regime
tributário, a partir da eliminação pura e simples
de todos os impostos e tributos e sua substituição
por uma contribuição única sobre as transações financeiras,
a mais eficiente possível de todas as formas impositivas,
uma vez que insonegável e de custo praticamente
zero no que respeita a máquia arrecadatória (eliminando,
portanto, todos os focos possíveis de corrupção
e de desvio, nas diversas pontas do sistema). Ela
seria complementada, apenas para fins de “dissuasão
do vício”, por taxas seletivas sobre tabacos e bebidas,
bem como, para fins de “indução ao transporte coletivo”,
por um imposto adicional sobre os combustíveis de
transporte individual.
Os efeitos negativos – cumulatividade e incidência em cascata,
igualmente – da nova CPMF (permanente e única) seriam
compensados por uma desgravação parcial baseada
numa simulação econométrica a partir de uma espécie
de matriz de Leontieff construida para cada tipo
de cadeia produtiva em causa, segundo as transações
operadas tradicionalmentenaquela atividade. A repartição
funcional e social das receitas – uma vez que a
base territorial do novo sistema seria unicamente
a federação – seria decidida pelo Parlamento, com
base na arrecadação estadual e municipal e sistemas
de compensação para correção de desigualdades estruturais
e para programas de investimentos sociais previstos
nos planos plurianuais e nas diretrizes orçamentárias
votadas pelo corpo legislativo.
9.
Abertura de creches públicas em todos os perímetros
dotados de uma certa densidade potencial de mães.
Uma das desigualdades mais persistentes do gênero humano
é aquela justamente baseada na distinção de gêneros,
característica estrutural que insiste em discriminar
as mulheres a despeito de todos os progressos sociais
e culturais realizados nas últimas décadas – ou
séculos – de conquistas femininas e feministas.
Quotas e reservas fazem pouco para diminuir a desigualdade
de chances nos mercados de trabalho e no mercado
político, uma vez que a mulher tem de carregar o
peso e as responsabilidades da gestação natural
e da criação social dos descendentes. Uma vez que
os homens parecem pouco dispostos a dividir os encargos
domésticos e os inerentes à paternidade conjunta,
uma forma de liberar a mulher das restrições impostas
por uma longa maternidade seria a multiplicação
de creches de boa qualidade onde necessário, como
forma de prover um ambiente sadio para as crianças
de mães trabalhadoras, até que a pré-escola possa
assumir o encargo no seguimento dos primeiros serviços
infantis de provimento público.
10.
Abertura de bibliotecas públicas infantis em todos
os perímetros dotados de uma certa densidade potencial
de crianças.
Trata-se de outra medida corretiva das desigualdades de chance
associadas a um nascimento em lares menos afortunados.
Sendo eu mesmo filho de família modesta e tendo
complementado minha educação em escolas do sistema
público pela frequentação assídua e contínua de
uma biblioteca infantil de bairro, sei avaliar o
quanto esse tipo de oportunidade pode fazer a diferença
entre o sucesso e o fracasso no acesso ao ensino
superior e depois, na vida profissional adulta.
Associada às escolas públicas de boa qualidade,
a disponibilidade de bibliotecas, junto com sistemas
on-line em ambos os ambientes, pode efetivamente
reduzir um pouco o imenso gap de oportunidades que separa os filhos das classes A e B dos demais
estratos sociais menos privilegiados. É uma proposta
sem dúvida modesta, mas compatível com a modéstia
de recursos disponíveis no Brasil para promoção
social.
Para terminar com os livros, e aproveitando para retomar
minha licença poética neste planejamento utópico
do futuro brasileiro, recordemos a recomendação
de um verdadeiro profeta da redenção do povo, Castro
Alves, o mais libertário dos poetas brasileiros:
“Ó bendito quem semeia, livros, livros à mão cheia,
e manda o povo pensar. Por que o livro caindo n’alma,
é germe que faz a palma, é chuva que faz o mar!”
PAULO
ROBERTO DE ALMEIDA
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