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O retorno da xenofobia
Quando
o passado deixa de clarear o futuro, o espírito
tateia no escuro.
(Tocqueville)
O
fenômeno da xenofobia está de volta. Ou ele
nem sequer foi superado? Normalmente só se discute
sobre isso quando um perigo emergente já se
torna tão perceptível que a situação possa vir
a piorar. Até então, costuma-se acreditar que
esse problema seja coisa passada e que a discriminação
nos últimos anos tenha diminuído. Mas a realidade,
que novamente confirma o caráter contraditório
da existência humana, demonstra que a história
não necessariamente ruma numa direção positiva,
como se quer acreditar, mas que avanços contrastam
com recuos. Idéias que se tinha como fora de
moda, absurdas e retrógradas, podem novamente
vir a ser atuais e modernas. Isso significa
que as idéais não morrem pelo simples decurso
do tempo e que, em conformidade com o espírito
de uma época, podem retornar.
Na Europa, muitas pessoas estão chocadas com o avanço
do neofascismo. A maioria não queria acreditar
que partidos de extrema direita pudessem ter
sucesso nos “democráticos” países industrializados
europeus. Na Alemanha, onde especialmente o
anti-semitismo marcou a história, impera o silêncio
diante do avanço da extrema-direita nos países
vizinhos. O NPD (Partido Democrático Nacional
da Alemanha) que, segundo o atual governo, deveria
ser proibido, comemora o sucesso da extrema-direita
na Europa, especialmente na França e na Holanda.
Apesar dos partidos de extrema-direita na Alemanha
estarem fragmentados e até agora não terem conseguido
o mínimo de 5% de votos necessários para ocupar
uma vaga no Congresso, eles vislumbram, agora,
boas perspectivas para a frente. A organização
da extrema-direita também cresceu com a utilização
da Internet. Mais de 800 sites na Internet oferecem
textos, músicas e informações sobre demonstrações
neonazistas, o que o governo não pode proibir,
pois muito do que é oferecido provém do exterior.
É notável, também, que o fenômeno do neonazismo
tem aumentado nas escolas.
Aproximadamente 10% da população alemã é composta por
estrangeiros, dos quais 28% são turcos, os mais
atingidos pela discriminação. A discriminação
é especialmente visível em demonstrações da
extrema-direita e músicas, sendo que estas últimas
já criaram um novo mercado: o mercado do rock
de direita. Felizmente, ocorrem, paralelo a
muitas demonstrações nazistas – que já há bastante
tempo vêm acontecendo,
com ódio a imigrantes e resistência contra o governo
alemão –, manifestações contrárias de combate
a um possível crescimento da xenofobia. Mas,
também, entre o leste e o oeste da Alemanha,
o “muro na cabeça” dos alemães ainda não caiu.
Os salários mais baixos e o maior desemprego
no leste demonstram que, após 12 anos, a unificação
alemã ainda não foi alcançada. A divisa continua
sendo publicamente reforçada através das constantes
comparações e da rotulagem do leste como “os
novos Estados” o que, de fato, confirma a existência
de uma Alemanha no leste e outra no oeste.
Evidentemente, o avanço da extrema-direita não ocorre
por acaso. A crise da economia e do Estado de
bem-estar social, associada às rápidas transformações
tecnológicas, ocasionou um crescente desemprego
e colocou a competitividade a qualquer custo
como única alternativa de sobrevivência. Esta
conjuntura gera insegurança, ressentimento e
violência. Com o gradativo desmonte do Estado
de bem-estar social por parte dos governos social-democratas,
os quais até agora se apresentaram como alternativa
contra os partidos de direita, a população ficou
desorientada, especialmente os desempregados,
trabalhadores e jovens. Se, nestas circunstâncias,
as alianças de “centro-esquerda” ainda estão
sem perspectiva e não oferecem uma clara linha
e alternativas políticas, abre-se o espaço aos
velhos charlatões políticos. A extrema direita
procura enfocar os problemas dos países que
afetam diretamente a maioria da população e
propõe soluções simples e discriminadoras, mas
que exercem um forte poder de atração. É, por
exemplo, mais fácil responsabilizar os estrangeiros
pelo desemprego, pela criminalidade e pela insegurança,
do que entender as complexas razões dos problemas.
As soluções apresentadas são, então, também
bem simples e conduzem à xenofobia, quando os
estrangeiros são tratados como concorrência
indesejada.
Mas, a xenofobia expõe os países europeus a uma séria
contradição econômica. Por causa do baixo índice
de natalidade e da crescente expectativa de
vida da população, existe a tendência de que
a Europa venha a ser a sociedade mais idosa
do mundo. Nesta perspectiva, conforme um estudo
da ONU (Organização das Nações Unidas), publicado
em 2000, 1,5 milhão de estrangeiros teriam de
imigrar para a Europa por ano, somente para
sustentar o atual número de pessoas em idade
de trabalho até 2050. Para manter constante
a proporção entre trabalhadores e pensionistas,
seriam necessários 13,5 milhões de imigrantes
por ano.
As evidências demonstram o absurdo e a contradição da
xenofobia na Europa, quando a extrema-direita,
com seu discurso nacionalista, se coloca contra
os próprios interesses de seus países. Pode
ser também que, em função da sua superficilidade,
a ideologia do racismo seja tão difícil de ser
combatida. Quando os interesses particulares
das pessoas são manipulados de tal forma, que
o passado não tenha mais sentido e que as perspectivas
racionais de futuro sejam concebidas como inalcansáveis,
operam idéias que nem sequer mais eram levadas
a sério.
* Doutorando em Ciências Sociais na Universidade
de Osnabrück – Alemanha.
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Das
Wiederauftreten der Fremdenfeindlichkeit
Wenn
die Vergangenheit aufhört, die Zukunft zu
erhellen, tappt der Geist im Dunkeln
(Tocqueville)
Das
Phänomen der Fremdenfeindlichkeit ist wieder
da. Oder wurde es überhaupt nicht überwunden?
Normalerweise wird nur darüber diskutiert, wenn
eine auftauchende Gefahr schon so bemerkbar
ist, dass die Situation verschlimmert werden
kann. Vorher glaubt man, dies Problem sei eine
Sache der Vergangenheit und die Diskriminierung
habe in den letzten Jahre sehr abgenommen. Aber
die Realität, die den widersprüchlichen Charakter
des Daseins der Menschheit wieder bestätigt,
zeigt, dass die Geschichte nicht unbedingt in
eine positive Richtung führt, wie man glauben
möchte, sondern dass Fortschritte mit Rückstößen
kontrastieren. Ideen, die man für altmodisch,
absurd und rückschrittlich hält, können wieder
aktuell und modern werden. Das bedeutet, Ideen
sterben nicht aus und können in Übereinstimmung
mit dem Zeitgeist wieder erscheinen.
In
Europa erschrecken viele Menschen vor dem Vorwärtskommen
des Neofaschismus. Die meisten wollten nicht
glauben, dass rechtsextreme Parteien in den
„demokratischen“ europäischen Industrieländern
erfolgreich sein könnten. In Deutschland, wo
besonders der Antisemitismus die Geschichte
geprägt hat, herrscht Schweigen über den Fortschritt
der Rechtsextremisten in den Nachbarländern.
Die NPD, die nach Meinung der gegenwärtigen
Regierung verboten werden sollte, feiert den
Erfolg des Rechtsextremismus in Europa, besonders
in Frankreich und in den Niederlanden. Obwohl
die rechtsextremen Parteien in Deutschland zersplittert
sind und bisher nicht das Minimum von 5% der
Stimmen für den Eintritt ins Parlament erreichten,
stellen sie sich nun positive Perspektiven vor.
Die Organisation der Rechtsextremisten ist auch
sehr gestiegen mit der Nutzung des Internets.
Mehr als 800 Web-Seiten im Internet bieten Texte,
Musik und Informationen über neonazistische
Demonstrationen an, die die Regierung nicht
verbieten kann, weil vieles vom Ausland angeboten
wird. Merkwürdig ist auch, dass in den Schulen
das Phänomen der Neonazis zugenommen hat.
Rund
10% der deutschen Wohnbevölkerung besteht aus
Ausländern, davon 28% Türken, die am stärksten
von der Diskriminierung betroffen sind. Die
Diskriminierung ist besonders sichtbar bei rechtsextremen
Demonstrationen und Musik, die schon einen eigenen
Markt begründet hat: den rechten Rockmarkt.
Glücklicherweise passieren gleichzeitig bei
vielen Demonstrationen der Neonazis, die schon
seit längerem mit Haß gegen Ausländer und Widerstand
gegenüber der deutschen Regierung auftreten,
Gegendemonstrationen zur Bekämpfung einer wahrscheinlichen
Zunahme der Fremdenfeindlichkeit. Aber auch
zwischen West- und Ostdeutschland ist die „Mauer
in den Köpfen“ noch nicht gefallen. Die niedrigeren
Löhne und höhere Arbeitslosigkeit im Osten zeigen,
dass nach 12 Jahren die Einheit Deutschlands
noch nicht erreicht wurde. Öffentlich wird die
Grenze durch das ständige Vergleichen und das
Etikketieren des Ostens als „neue Bundesländer“
weiter verstärkt, was bestätigt, dass es eigentlich
noch ein Westdeutschland und ein Ostdeutschland
gibt.
Selbstverständlich
ist der Fortschritt des Rechtsextremismus nicht
zufällig. Die Krise der Wirtschaft und des Wohlfahrtsstaats
im Zusammenhang mit den raschen technologischen
Umwälzungen verursachte eine zunehmende Arbeitslosigkeit
und stellte die Wettbewerbsfähigkeit um jeden
Preis als einzige Alternative zum Überleben.
Diese Konjunktur führt zu Unsicherheit, Ressentiments
und Gewalt.
Mit der schrittweisen Demontage des Wohlfahrtsstaats
durch die sozialdemokratischen Regierungen,
die sich bisher als Alternative zu den rechten
Parteien darstellten, wurde die Bevölkerung
orientierungslos, besonders die Arbeitslosen,
die Arbeiter und die Jugendlichen. Wenn
in diesem Zustand die „Linke-Mitte“ Koalitionen
dann noch perspektivlos sind und keine klaren
politischen Richtungen und Alternativen anbieten,
tauchen die alten politischen Quacksalber auf.
Die Rechtsextremisten versuchen, die direkt
die Mehrheit der Bevölkerung betreffenden Probleme
der Länder anzusprechen, und schlagen einfache
und diskriminierende
Lösungen vor, die aber eine große Anziehungskraft
haben. Es ist, zum Beispiel einfacher, die Ausländer
für die Arbeitslosigkeit, Kriminalität und Unsicherheit
verantwortlich zu machen als die komplexen Gründe
der Probleme zu verstehen. Die vorgeschlagenen
Lösungen sind dann auch ganz einfach und führen
zur Fremdenfeindlichkeit, wenn die Ausländer
als unerwünschte Konkurrenz behandelt werden.
Die
Fremdenfeindlichkeit enthält aber einen wirtschaftlichen
Widerspruch für die europäischen Länder. Wegen
sinkender Geburtenraten und wachsender Lebenserwartung,
besteht die Tendenz, dass Europa die älteste
Gesellschaft der Welt wird. In dieser Hinsicht
müssten nach einer Studie der Vereinten Nationen,
die 2000 publiziert wurde, 1,5 Millionen Ausländer
pro Jahr in die Ländern der Europäischen Union
einwandern, nur um die Zahl der Arbeiter bis
2050 zu bewahren. Um das Verhältnis zwischen
Arbeitern und Rentnern konstant zu halten, seien
13,5 Millionen mehr Ausländer pro Jahr nötig.
Die
Tatsachen beweisen, wie absurd und widersprüchlich
die Fremdenfeindlichkeit in Europa ist, wenn
die Rechtsextremisten sich mit ihrem Nationalismus
tatsächlich gegen die eigenen Interesse ihrer
Länder stellen. Es kann auch sein, dass die
Ideologie des Rassismus wegen ihrer Oberflächlichkeit
so schwer zu bekämpfen ist. Wenn die besonderen
Interessen der Menschen so manipuliert werden,
dass die Vergangenheit bedeutungslos wird und
die rationellen zukünftigen Perspektiven als
unerreichbar angenommen werden, wirken Ideen,
die überhaupt nicht mehr ernst genommen wurden.
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