Por GILBERTO JORDÃO
Professor universitário


 

Palestina: uma nação sem identidade

Após a repressão radical que se seguiu à revolta de Bar-Kokheba (132-135 d.C.) durante o reinado de Adriano, numerosos judeus foram deportados, e colonos estrangeiros foram instalados nessa parte da província romana da Síria. Ao mesmo tempo, os árabes deslocavam-se para a região e se sedentarizavam. Após sua conversão ao cristianismo, Constantinopla transformou a Palestina em Terra Santa, que permaneceu como centro de atividade intelectual judaica. A conquista árabe (634-640) integrou a Palestina ao império muçulmano.

A população da Palestina otomana  (1516-1917) era composta por uma maioria de muçulmanos, uma expressiva minoria de cristãos e um pequeno número de drusos e de judeus. A imigração judia começou a adquirir importância a partir de 1880, sob a influência do sionismo.

Durante a I Guerra Mundial, os britânicos encorajaram a rebelião árabe contra os otomanos (1916) e ocuparam a Palestina (1917-1918). Durante a II guerra Mundial o movimento sionista favoreceu a imigração clandestina e compra de terras.

Em 1947 a ONU decidiu uma partilha da Palestina em um Estado judeu e um Estado árabe. Essa partilha foi aceita pelos sionistas e rejeitada pelos árabes. Após a proclamação do Estado de Israel, em 14 de maio de 1948, os Estados da  Liga Árabe entraram em guerra contra o nono Estado, ao fim da qual, um 1949, o estado judeu expandiu-se para além dos limites que o plano de partilha lhe havia designado; o Estado Árabe (Palestina) ficou diminuído e repartido em dois: a Cisjordânia , que em 1950 foi integrada ao reino hachemita da Jordânia, e o Território de Gaza, administrado pelo Egito a partir de 1948.

Os  Acordos de Camp David (1978) e o Tratado de Paz de Washington (1979) entre Israel e o Egito previam a autonomia administrativa provisória e em seguida a autodeterminação dos habitantes desses territórios rejeitados pelos árabes. Ao mesmo tempo a colonização judia cresceu na região.

Em setembro de  1993, depois de se reconhecerem mutuamente, Israel e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) assinaram, em Washington, um acordo que concedia autonomia gradativa aos palestinos da faixa de Gaza e da Cisjordânia. Apesar desse acordo, extremistas de ambos os lados, palestinos e colonos israelenses, tentaram sabotar o processo em curso. Assassinatos e atentados desencadearam uma repressão militar e policial crescente. Depois de um novo acordo entre Arafat e Rabin, em maio de 1994, o exército e a administração israelenses abandonaram a Faixa de Gaza, com exceção das colônias israelenses já implantadas. Esse tratado permitiu que Arafat instalasse em julho de 1994, o governo da Autonomia Nacional Palestina, que passou a presidir, estendido depois para a cidade de Jericó, na Cisjordânia. Desde então, o movimento nacional palestino, dominado pela OLP, entrou em uma nova fase histórica, expondo-se a novas divisões entre os que apostavam na paz e os mais radicais, que, juntamente com o Hamas, declararam-se partidários de uma resistência armada à presença dos judeus na região.

Por outro lado, Israel também não se conformou com os tratados. As provas do inconformismo foram as investidas que Israel fez sobre os territórios delimitados nos acordos: da Faixa de Gaza, da Cisjordânia, da parte oriental de Jerusalém, das colinas de Golan, do Mediterrâneo ao vale do rio Jordão e ao Mar Morto, sucedendo, assim, uma estreita planície costeira e uma vasta região das Colinas (Montes da Galiléia e da Judéia).

Para tais conquistas Israel sempre recebeu apoio internacional (armas e tecnologias). Tudo para lutar contra os palestinos comuns. Exatamente como os palestinos que a mais de 50 anos estão sendo  expropriados de suas terras, humilhados e mais uma vez devastados.

Eles esquecem que em 29 de novembro de 1947, resolução 181 da Assembléia Geral das Nações Unidas, decidiram pela divisão do território em um Estado árabe e outro judeu. É bom deixar claro que o Estado judeu foi criado já em 1948, mas o árabe jamais o foi, sempre sustado  pela ação comum de Israel e Estados Unidos.

Condições degradantes estão sendo impostas a 3 (três) milhões de pessoas, pelo plano da direita militar israelense, simplesmente para a construção do Grande  Estado de Israel. É dessa pressão que sai o terrorista palestino, e não do fanatismo apregoado pela mídia.

Para acabar com os terroristas palestinos basta que os governantes dos países  da ONU tenham a mínima dignidade  de ameaçar o corte total de relações com Israel, até que seu governo cumpra a desocupação dos territórios alheios, e efetivar a criação do Estado Palestino determinada por esses mesmos países da ONU há 55 anos.

Foi justamente pelo não cumprimento do acordo que os árabes fazem oposição contra tudo o que seja Ocidental – israelense ou judeu ou norte-americano. Essa semente plantada pelo Ocidente é um dos mais poderosos fertilizantes para o cultivo do ódio. E, pela via do ódio, nada pode ser construído.

 

GILBERTO JORDÃO

     

 


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