SUS
– Vida e Morte em Maringá
As notícias veiculadas na impressa
nos últimos dias indignaram grande parte da população.
Quem gostaria de ter seu filho com queimaduras, sofrendo
por um minuto que fosse sem ver uma solução ser encaminhada.
Mais de vinte horas se passaram e não foram suficientes
para que quem devia encontrasse uma solução para dor daquela
criança.
Não é preciso ir muito longe para
esclarecer a população de quais são seus direitos. A constituição
Federal coloca: Saúde é um direito de todos. Difícil é
ver estes direitos realmente sendo respeitados. As pessoas
sendo atendidas com dignidade, conseguindo ter sua dor
estancada.
Uma administração democrática e
popular já deveria ser um passo na direção do reconhecimento
e atendimento desses direitos, proclamados e reafirmados
em tantos documentos e encontros do Partido dos Trabalhadores.
Não podemos fechar os olhos para
o fato da demanda por serviços de saúde em Maringá ser
grande, e que muito provavelmente exista uma rede de serviços
insuficiente, numericamente, para dar conta de todas as
queixas, o que certamente gera dificuldades e exige maior
habilidade em gerir a rede pública de saúde. Então o que
fazer? Responsabilizar
o Governo Federal? Culpar o servidor da ponta da rede?
Ora, é preciso denunciar e pontuar
os limites e o descaso do governo Federal, mas não é possível
nos deixar engessar por eles, senão assumimos a mesma
postura de descaso frente à dor da população.
O servidor pode não realizar encaminhamentos
corretos? Sim, isso pode ocorrer, mas graças a Deus não
é comum, uma vez que é esse servidor que está à frente
do atendimento, oito, doze horas de trabalho, vendo o
sofrimento de cada cliente. Uma rotina dura que só quem
já trabalhou no atendimento direto a população sabe o
que é. Este servidor necessita de capacitação e formação.
De reconhecimento do seu trabalho e de seus limites, mas
acima de tudo precisa de uma diretriz de trabalho. Não
podemos esperar que cada um aja apenas a partir de suas
concepções e conhecimentos e, consiga dar conta de atender
questão tão complexa como a saúde.
Em todas as discussões em saúde
coletiva, está sempre presente o binômio “demanda x serviço”.
E qualquer um que seja da área sabe que o planejamento
é colocado como instrumento fundamental para enfrentar
esta questão.
Os problemas de saúde são muitos.
Se não é possível resolver todos ao mesmo tempo, é necessário
que pelo menos saibamos onde os esforços da equipe de
saúde estão sendo empregados. O que certamente não está
ocorrendo, ninguém consegue identificar, onde a assistência
à saúde em Maringá melhorou. A prevenção vai bem, mas
não basta. A assistência à saúde é uma necessidade real,
ou ainda há sanitaristas que acreditem que não? Médicos,
auxiliares de enfermagem, motoristas, remédios, psicólogos,
são necessários, e precisam todos compor uma rede organizada
de serviços, que permita a todos conhecerem, terem
os mesmos objetivos, mesmas metas e prioridades, ou seja,
é preciso envolver a todos dos serviços públicos de saúde
de Maringá num projeto claro e eficiente de assistência
a saúde.
Enfim acredito, que outro passo
na direção de garantir o direito da população, seria a
gestão local conseguir equacionar quais são suas prioridades,
quais os pontos de estrangulamento que serão primeiro
resolvidos e, torna-las conhecida para além das quatro
paredes da secretaria municipal de saúde. A sociedade
civil espera há um ano por repostas. Até quando mais a
situação permanecerá inalterada?
É preciso agir, pessoas estão sofrendo,
estão morrendo. É urgente enfrentar a questão da Saúde
Pública em Maringá. De frente e, sem mais demora.
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