Durante
uma quinzena de dias o Brasil ganhou um novo enfoque da mídia
francesa, onde as atenções não estavam voltadas somente para
o carnaval, o futebol e a violência, mas para o Fórum Social
Mundial de Porto Alegre, realizado de 31 de janeiro a 5 de
fevereiro de 2002, que contou com 700 ateliês de reflexão
tendo como tema geral “Um outro mundo é possível”.
Não
somente no decorrer do evento, mas nos três dias que o antecederam,
foi marcante a presença de franceses como Jean-Pierre Chevenement,
Noël Manerè, Bertrand Delanoë, Lionel Jospin, etc..., que
pela proximidade das eleições, sabendo que haveria uma boa
divulgação, não pouparam esforços para demonstrarem a confiabilidade
de suas linhas políticas.
Foram
destaques, além dos problemas políticos, o sucesso desse Fórum
criado em 2001 por iniciativa do Cives (Associação Brasileira
de Empresários pela Cidadania) e do movimento Attac (Associação
por uma Taxação das Transações financeiras para Apoio aos
Cidadãos), bem como a sua louvável idéia de sua criação; o
aumento considerável de participantes, principalmente dos
americanos que de 40 no último ano passou de 400 neste; e
também a economia dos países em desenvolvimento, visto que
a crise da Argentina tem sido tema diário na imprensa francesa.
Foi
traçada uma sutil comparação entre o Fórum realizado na capital
gaúcha e o Fórum Econômico Mundial realizado em Nova York
que tiveram como enfoque comum a guerra, o Afeganistão e o
terrorismo.
Interessante
citar que os franceses não economizaram comentários sugerindo
um maior repercussão na América Latina.
Não
é discutido a valorização dos assuntos tratados em um ou em
outro, mas devido à importância que se dá na mídia, comprovamos,
ainda uma vez, a simpatia francesa (interesse ou não) pelo
nosso verde-amarelo.