Segundo a American Humane Association,
um casal de animais, pode gerar, em média, duas crias por
ano, de 2 a 8 filhotes por cria. Logo, em um ano, você poderá
ter em casa doze filhotes. No segundo ano, 66 filhotes.
No terceiro ano 382 filhotes. Em dez anos, vida média de
um animal, você poderá ter em casa 80.389.780 filhotes.
Certamente sua casa irá estar meio conturbada. Agora, multiplique
esses números pela população humana na terra. Ou seja, a
demografia de nossos irmãos, caninos e felinos domésticos,
aponta claramente para um programa, que assegure mínimas
condições de saúde para essa população, que na maior parte
das vezes, é totalmente excluída de benefícios. Há que se
salientar que o setor público de assistência, em seus níveis
primário, secundário e terciário, preocupados que estão
com o atendimento da população humana, ignora por completo
essa problemática. Não vamos aqui apontar os números referentes
às diversas zoonoses. Porem, de fato, quem deve se responsabilizar
por pulgas, carrapatos, vermes, sarnas, entre outras patologias?
Alem disso, não podemos nos esquecer que segundo
a Declaração
Universal dos Direitos dos Animais, que foi proclamada pela
UNESCO em sessão realizada em Bruxelas, Bélgica, em 27 de
Janeiro de 1978 no seu artigo segundo, incisos 1, 2 e 3
diz o seguinte;
- 1. Todo o animal tem o direito a ser respeitado.
- 2. O homem, como espécie animal, não pode exterminar os outros animais
ou explorá-los violando esse direito; tem o dever de pôr
os seus conhecimentos ao serviço dos animais.
- 3. Todo o animal tem o direito à atenção, aos cuidados e à proteção do
homem. Mais do que isso, no seu artigo sétimo seus direitos
trabalhistas estão previstos desta forma: Todo o animal
de trabalho tem direito a uma limitação razoável de duração
e de intensidade de trabalho, a uma alimentação reparadora
e ao repouso.
Pois bem, penso que a argumentação dos cuidado está justificada.
Como solucionar então essa problemática. O
Ministério da Saúde criou, em 1994, o Programa Saúde da
Família (PSF). Seu principal propósito: “reorganizar a prática
da atenção à saúde em novas bases e substituir o modelo
tradicional, levando a saúde para mais perto da família
e, com isso, melhorar a qualidade de vida dos brasileiros.
A estratégia do PSF prioriza as ações de prevenção, promoção
e recuperação da saúde das pessoas, de forma integral e
contínua. O atendimento é prestado na unidade básica de
saúde ou no domicílio, pelos profissionais (médicos, enfermeiros,
auxiliares de enfermagem e agentes comunitários de saúde)
que compõem as equipes de Saúde da Família. Assim, esses
profissionais e a população acompanhada criam vínculos de
co-responsabilidade, o que facilita a identificação e o
atendimento aos problemas de saúde da comunidade".
Ora, porque então, não ampliar essa
concepção contra-hegemonica e implantarmos o Veterinário
de Família?
Aqui cabem alguns esclarecimentos.
Quando falamos em Veterinário da Família, por certo, esse
não será um profissional necessariamente “de família”. Poderá
ser divorciado, ter hábitos incomuns e outras excentricidades.
Desde que não interfiram na qualidade de seu trabalho. Alem
disso, o Veterinário de Família, óbvio, não se presta a
tratar da família. Será, como dito anteriormente, e segundo
as suas especificidades técnicas, um profissional para tratar
de animais não humanos, geralmente de quatro patas e que
na maior parte das vezes, nas cidades, fazem au-au ou miau-miau
ou que tenham penas e asas. Nesse caso, fazem normalmente
piu-piu ou algum som semelhante.
Podemos inclusive, implantarmos
a Equipe de Saúde da Família Veterinária. Nesse caso seria
composta por um Médico Veterinário, um Enfermeiro Veterinário,
um Auxiliar Veterinário e um Agente de Saúde Veterinária
Comunitário. Bem, talvez esses profissionais não estejam
à disposição no mercado. Não há problemas. Deverá ser implantado,
paralelamente ao programa de assistência, curso introdutório
com ementas de zoonoses e sensibilização. Essa seria a equipe
completa (Padrão Golden). Para localidades que não suportem
tanto dispêndio, poderá ser implantada a equipe do Programa
de Saúde da Família Veterinária Simplificada. Nesse caso,
seria composta por um Médico Veterinário e um Agente de
Saúde Veterinária Comunitária (Padrão Basic).
Detalhe importante seria, se possível,
inclusive, a incorporação de equipes de saúde mental veterinária.
Dado que essas equipes não foram ao menos incorporadas
pelo PSF Humano. Claro, por absoluta desnecessariedade.
Ao contrário dos cachorros e gatos. Imagine você ser um
cachorro de um dono neurótico? Ter que ir pegar o jornal,
todo dia de manha, e voltar abanando o rabo? Ter que passear,
no colo, em todo shopping? Ter que ficar amarrado na porta
da padaria vendo frango assado rodando na sua frente? Não
há saúde mental que resista.
Penso que a Equipe de Saúde Bucal
Veterinária já seria sofisticação demais.
O Programa de Saúde da Família Veterinária,
semelhante ao PSF Humano, deverá garantir visitas domiciliares.
Isso será fundamental. Desta forma, por exemplo, terão equipes
que resolverão problemas insolúveis até então. Alguns exemplos.
Quem, até agora tem preparo para apartar briga de periquito
e garantir sua integridade física?
Outra demanda clássica, o PSFV poderia
auxiliar a achar ramster perdido em casa.
Se o PSF Humano foi importado de
Cuba, em retaliação, exportaremos nosso PSFV para a Albânia.
Quanto a modernização das relações
trabalhistas, o município, poderá criar uma ONG, qualquer
coisa do tipo, Amigos dos Caninos e Felinos Carentes da
Cidade, e por ela contratar os Agentes de Saúde Veterinária
Comunitária. Desburocratiza-se a contratação e evita-se
a estabilidade. Coisas proibitivas para a eficiência do
PSFV. Por fim, essa ONG, inclusive, poderá, segundo a legislação
vigente fazer vários convênios com entidades privadas. Por
exemplo, com a Organização Tabajara.