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A
ironia do desemprego alemão
Antônio
Inácio Andrioli*
"Cada
crise destrói regularmente não só
uma grande massa de produtos já fabricados, mas
também uma grande parte das próprias forças
produtivas já desenvolvidas".
(Karl Marx, em fevereiro de 1848).
O
desemprego continua sendo o assunto mais polêmico
da discussão política na Alemanha. A estimativa
de 4,3 milhões de desempregados, anunciada pelo Ministério
do Trabalho para o início do ano, tem provocado fortes
críticas ao atual governo, que se viu obrigado a
dar respostas ao crescente problema social. A oposição
de direita, que visualizou na conjuntura uma alternativa
para vencer as próximas eleições, recebeu
a incisiva resposta do Primeiro Ministro Gerhard Schröder
relembrando que, quando estes estavam no poder, no governo
anterior, o desemprego havia chegado a 4,5 milhões
de pessoas. O Partido Verde, integrante da aliança
que compõe o atual governo, exige medidas rápidas
e efetivas para a criação de, no mínimo,
100 mil novas vagas de trabalho, o que segundo o governo
alemão, custaria 1,5 bilhões de Euros aos
cofres públicos. O SPD, partido do Primeiro Ministro,
não esconde a preocupação de ter de
apresentar alternativas que possam aumentar a esperança
dos que procuram por emprego e que, por não encontrarem,
dependem dos programas de assistência do Estado.
É
a crise do capitalismo que, em seu estágio avançado,
não consegue criar oportunidades de geração
de renda na sociedade, que sejam compatíveis com
as necessidades de sua população. Do ponto
de vista da lucratividade, a redução de trabalhadores,
parte integrante do custo de produção das
mercadorias, é vantajosa aos empresários que,
por sua vez, apresentam o desemprego como reflexo da planejada
modernização adotada no processo produtivo.
A
culpa é inferida ao "mercado", à
"falta de iniciativa", à ausência
de programas de fomento ao desenvolvimento por parte do
Estado. Entretanto, o discurso ideológico atinge
seu ápice com a tentativa de responsabilizar os trabalhadores,
legítimos responsáveis pela criação
da riqueza e pelo conseqüente desenvolvimento econômico
da sociedade, como culpados pela sua própria exclusão.
A idéia fundante é que, com uma melhor qualificação
técnica, os trabalhadores teriam maiores chances
de emprego num mercado de trabalho em declínio. Auxiliam
nessa justificativa, dados recentes demonstrando que a Alemanha,
maior potência econômica da Europa, ocupa um
dos últimos lugares em qualidade de educação.
O estímulo ao aumento da competitividade entre os
trabalhadores e a aposta no crescimento econômico
são propostas conhecidas para aumentar a empregabilidade.
Seriam elas eficientes ou meros instrumentos retóricos
a serviço da manutenção da hegemonia
política?
A
idéia da competitividade pressupõe a ausência
de algo, no caso, o emprego, o que tem se aprofundado, apesar
dos esforços dispendidos em qualificação
técnica. Aliás, a introdução
de novas tecnologias, às quais os trabalhadores dioturnamente
estão aderindo, tem agravado a situação,
pois, com isso, muitas atividades e, inclusive, profissões,
vêm sendo eliminadas. Como uma das causas do problema
poderia se converter em sua solução? Com exceção
das novas atividades geradas, que representam pouco em relação
às que deixaram de ter "utilidade" ao capital,
os trabalhadores são excluídos da economia
numa proporção maior do que sua qualificação
profissional. Resta a idéia, lógica à
noção de competitividade, de que a qualificação
técnica é uma alternativa individual ao desemprego.
Por isso, a idéia da empregabilidade vinculada à
competição, ao admitir a ausência de
oportunidade para todos, expressa seu caráter ideológico,
prometendo saídas ilusórias a uma coletividade
previsivelmente enganada.
O
aumento da produtividade decorrente da utilização
de tecnologias tem permitido um maior acúmulo de
capital, dispensando parte dos trabalhadores no processo
produtivo. Nesta lógica, um maior desenvolvimento
econômico traria mais oportunidades de trabalho? O
crescimento econômico capitalista ocorre às
custas dos trabalhadores, mas estes, historicamente, têm
sido as maiores vítimas das suas crises. Por produzirem
demais e por dispenderem suas energias na criação
de tecnologias a serviço do aumento de um capital
que "legalmente" não lhes pertence, os
trabalhadores pagam o preço de sua abnegação.
Mesmo num país altamente industrializado o problema
da exclusão continua sem respostas eficazes, restando
aos administradores do capitalismo a missão de tentar
reduzir os efeitos de uma desigualdade que lhe é
intrínseca e, por ironia, contrastante com a capacidade
produtiva de sua economia.
*Doutorando
em Ciências Sociais na Universidade de Osnabrück
- Alemanha
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Die
Ironie der deutsche Arbeitslosigkeit
Antônio
Inácio Andrioli
"In
den Handelskrisen wird ein großer Teil nicht nur
der erzeugten Produkte, sondern der bereits geschaffenen
Produktivkräfte regelmäßig vernichtet"
(Karl Marx, im Februar 1848)
Die
Arbeitslosigkeit ist weiter das heiß diskutierte Thema
im politischen Streit in Deutschland. Die Schätzung
von 4,3 Millionen Arbeitslosen, die am Anfang des Jahres
vom Ministerium für Arbeit verkündet wurde, hat
starke Kritik an der aktuellen Regierung erregt, die auf
die zunehmenden Sozialprobleme Antworten geben muß.
Die rechte Opposition, die diese Konjunkturlage benutzt
um ihre Wahlchancen zu verbessern, bekam eine scharfe Antwort
von Bundeskanzler Gerhard Schröder, der sie an die
Zeit erinnerte, als sie in der vorhergehenden Regierung
waren und die Arbeitslosigkeit bis auf 4,5 Millionen Menschen
gestiegen war. Die Grünen, die sich am Regierungsbündnis
beteiligen, fordern schnelle wirkungsvolle Maßnahmen,
um mindestens 100 tausend neue Arbeitsstellen zu schaffen,
was nach Aussagen der deutschen Regierung rund 1,5 Milliarden
Euro kosten würde. Die SPD, die Partei des Bundeskanzlers,
demonstriert Interesse, um Alternativen beizubringen, die
die Hoffnung der Menschen vergrößern könnten,
die einen Arbeitsplatz suchen aber nicht finden und deshalb
von der öffentlichen Fürsorge abhängen.
Es
ist die Krise des Kapitalismus in seiner hochentwickelten
Periode, der nicht die Arbeitsmöglichkeiten schafft,
die den Notwendigkeiten seiner Bevölkerung genügen.
Vom Standpunkt der Rentabilität der Unternehmer aus
ist die Reduzierung der Arbeiter vorteilhaft. Diese Unternehmer
stellen die Arbeitslosigkeit als eine Folge der geplanten
Modernisierung des produktiven Prozesses dar.
Die
Schuld wird dem "Markt", dem Fehlen eines öffentlichen
Programm zur Entwicklungsförderung zugeschoben. Jedoch
erreicht die Ideologie ihre Gipfel mit dem Versuch, den
Arbeitern die Schuld zu geben. Die Arbeiter, die zuständig
für die Schaffung des Reichtums und für die folgende
ökonomische Entwicklung der Gesellschaft sind, werden
beschuldigt, ihr eigenes Elend zu produzieren. Der Grund
der Idee ist, daß die Arbeiter mit einer besseren
technischen Qualifikation mehr Möglichkeiten haben,
um einen Job in einem abnehmendem Markt zu finden. Zur Unterstützung
dieser Rechtfertigung stehen die neue Daten, dass Deutschland,
die stärkste Ökonomie Europas, einen der letzten
Plätze in der Qualität der Ausbildung besetzt.
Die Förderung des Wirtschaftswachstums und die Zunahme
der Wettbewerbsfähigkeit zwischen den Arbeitern sind
bekannte Vorschläge zum Vermehren der Arbeitsplätze.
Hat der Inhalt der Vorschläge wirklich diese Möglichkeit
oder sind sie nur rhetorische Instrumenten, um die politische
Hegemonie zu unterstützen?
Die
Idee der Wettbewerbsfähigkeit basiert auf dem Fehlen
von etwas. In diesem Fall basiert sie auf dem Fehlen von
Jobs, die weiter abgenommen haben, trotz des Bemühens,
die technische Qualifikation zu verbessern. Übrigens
ist die Situation schlimmer geworden mit der Einführung
der neuen Technologien, an denen die Arbeiter sich tagtäglich
beteiligen. Deshalb sind viele Aktivitäten und auch
Berufe verschwunden. Wie könnte eine der Ursachen des
Problems zu seiner Lösung werden? Die Arbeiter werden
immer mehr aus der Wirtschaft ausgeschlossen, trotz ihrer
professionellen Qualifikation. Dann bleibt nur noch die
Idee, die logisch zum Begriff der Wettbewerbsfähigkeit
paßt, daß die technische Qualifikation eine
individuelle Alternative zur Arbeitslosigkeit ist. Die Idee,
die die Eignung für Arbeitsmarkt mit der Konkurrenz
verbindet, zeigt, daß sie keine Gelegenheiten für
alle ermöglichen kann. Dann wird es klar, wie ideologisch
die Idee ist, weil sie falsche Alternativen allen verspricht,
die voraussichtlich betrogen sind.
Die
Zunahme der Produktivität mit dem Gebrauch von Technologien
hat eine größere Kapitalanhäufung geschaffen
und einen Teil der Arbeiter aus produktiven Prozeß
ausgeschlossen. In dieser Logik, würde eine größere
ökonomische Entwicklung mehr Arbeitsplätze schaffen?
Das kapitalistische Wirtschaftswachstum beruht auf der Arbeit
der Arbeiter, aber diese sind in der Geschichte die größten
Opfer der Krisen gewesen. Weil sie übermäßig
produzieren und ihre Energie zur Schaffung der Technologien
verbrauchen, um Kapital zu produzieren, das "gesetzmäßig"
nicht ihnen gehört, bezahlen sie den Preis ihrer Abnegation.
Auch in einem Land, das sehr industrialisierte ist, hat
das Problem der Arbeitslosigkeit keine effiziente Lösung.
Es bleibt den Verwaltern des Kapitalismus übrig, den
Effekt einer wesentlichen Ungleichheit zu verringern, die
auf ironische Weise mit dem Produktionspotential seiner
Wirtschaft kontrastiert.
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