Euro:
"novo dinheiro", nova vida?
Antônio
Inácio Andrioli*
Com
o advento do Euro como moeda única européia,
muitos alemães estão ansiosos pelo "novo
dinheiro". Uma propaganda na televisão relembra
à população tudo o que ela pôde
comprar com o Marco, despede-se da velha moeda e deseja
muita felicidade com o Euro. O dinheiro é tratado
como algo vivo e humano. As agências bancárias
ofereceram moedas de Euro em padronizadas embalagens plásticas
para serem trocadas por Marco alemão. Exatamente
53,5 milhões desses kits foram disponibilizados
à população.
É
muito interessante como as pessoas valorizam a nova moeda.
Alguns alemães colocaram os kits de Euro como presentes
embaixo de suas árvores de Natal. Outros demonstram
insegurança, por não saberem se no futuro
será melhor do que com a moeda alemã. Também
há pessoas que se preocupam com a conversão
da moeda, pois acreditam que seu dinheiro poderá
perder valor.
Nesta
situação, pode-se perguntar pelo valor que
o dinheiro representa para a vida humana. Desde que existe
dinheiro, existe a crença no poder do dinheiro:
"Com dinheiro se pode tudo na vida!"; "O
dinheiro rege o mundo!"; "Faturar dinheiro é
o mais importante na vida". Sim, realmente é
importante que se tenha dinheiro. É também
muito importante que se utilize bem o dinheiro. Mas, por
que as pessoas valorizam o dinheiro mais do que ele "realmente"
vale? Que parâmetro pode ser utilizado para determinar
o valor do dinheiro? Por que as pessoas concebem o dinheiro
como se ele tivesse vida própria?
O
dinheiro é somente uma mercadoria com a qual se
pode comprar outras mercadorias. Se as mercadorias possuem
um alto preço no mercado, pode-se dizer que o dinheiro
vale menos. Mas, se as mercadorias baixam de valor, pode-se
acreditar que o dinheiro vale mais. Os preços são
determinados pelo mercado, que depende da relação
entre a oferta e a procura das mercadorias. O dinheiro
que os trabalhadores recebem como salário também
é determinado no mercado. Se há mais trabalhadores
do que empregos no mercado de trabalho, menos é
pago pelo trabalho, assim como seria pago mais se houvesse
mais empregos que trabalhadores. Por isso, no mercado,
as pessoas também são tratadas como mercadorias.
Mas,
isso não possui nenhuma relacão direta com
a vida humana. É apenas uma relação
econômica desenvolvida na história. Por essa
razão é que na economia capitalista, centrada
no mercado, as pessoas valem à medida do dinheiro
que possuem. As pessoas vendem seu trabalho e recebem
dinheiro para comprar mercadorias, pagar seguros de saúde,
etc. Quanto mais dinheiro se tem, mais e melhor se pode
comprar para ter uma vida mais tranqüila e confortável.
Isso é o máximo da felicidade capitalista.
Se
ainda se tem esperança numa vida humana diferente
e num "outro mundo", pode-se dizer que o ser
social capitalista não é o último
ser da história. Mas, enquanto isso, muitas pessoas
continuam se fetichizando com as mercadorias e acreditando
no dinheiro como esperança de uma nova vida.
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Euro:
"neues Geld", neues Leben?
Antônio
Inácio Andrioli*
Mit
der Ankunft des "Euro" sind viele Deutsche neugierig
auf das "neue Geld". Eine Werbung im Fernsehen
erinnert die Bevölkerung an alles, was sie mit der
Deutschen Mark kaufte, verabschiedet sich vom alten Geld
und wünscht viel Glück mit dem Euro. Das Geld
wird wie etwas Lebendiges und Menschliches behandelt. An
den Bankschaltern konnte man "Euro-Plastikbeutel"
mit Euro Münzen kaufen. Rund 53,5 Millionen Starter-Kits
sind an die Deutschen verteilt worden.
Es
ist sehr interessant, wie die Menschen das "neue Geld"
bewerten. Manche Deutschen haben das Starter Kit als weihnachtliches
Geschenk unter ihren Tannenbaum gelegt. Andere haben Angst.
Sie wissen nicht ob es in der Zukunft schlechter wird mit
dem "neuen Geld" als mit dem früheren deutschen
Geld. Es gibt auch Leute, die sich zögern, das Geld
einzutauschen. Sie glauben, daß sie mit dem "neuen
Geld" Verluste haben.
In
dieser Situation kann man sich Fragen stellen über
den Wert des Geldes für das menschliche Leben. Seit
es Geld gibt, gibt es den Glauben an seine Macht. "Mit
viel Geld kann man alles im Leben tun! Geld regiert die
Welt! Geld bekommen ist das Wichtigste im Leben!" Ja,
natürlich, es ist wichtig, daß man Geld hat.
Es ist auch sehr wichtig, daß man das Geld gut benutzt.
Aber warum bewerten die Menschen das Geld mehr als es "wirklich"
wert ist? Welche Maßstäbe gibt es für den
Wert des Geld? Warum verstehen die Menschen das Geld so,
als es wie es hätte ein eigenes Leben?
Das
Geld ist nur eine Ware, mit der man andere Waren kaufen
kann. Wenn die Waren auf dem Markt hohe Preise haben, dann
kann man sagen, daß das Geld weniger Wert hat. Aber
wenn die Waren niedrige Preise haben, dann glaubt man, daß
das Geld mehr Wert hat. Die Preise werden vom Markt bestimmt,
der vom Verhältnis von Angebote und Nachfrage abhängt.
Das Geld, das die Arbeiter als Lohn bekommen, ist auch vom
Markt bestimmt. Wenn es auf dem Arbeitsmarkt mehr Arbeiter
gibt als Arbeitsplätze, dann wird weniger für
die Arbeit bezahlt und entsprechend wird mehr bezahlt wenn
es weniger Arbeiter gibt als Arbeitsplätze. Deshalb
werden die Menschen, auf dem Markt auch als Ware behandelt.
Aber
das hat nicht direkt mit dem menschlichen Leben zu tun.
Das ist nur ein wirtschaftliches Verhältnis, das in
der Geschichte entwickelt wurde. Deshalb gelten in der kapitalistischen
Wirtschaft, die sich im Markt zentralisiert, die Menschen
so viel wie das Geld, das sie haben. Die Leute verkaufen
ihre Arbeit auf dem Arbeitsmarkt und bekommen Geld dafür,
mit dem sie Waren kaufen, Krankenversicherungen bezahlen
usw. Wenn man mehr Geld hat, kann man mehr und bessere Sachen
kaufen und ein komfortables Leben haben, das höchste
Glück im Kapitalismus.
Wenn
man noch Hoffnung auf ein anderes menschliches Leben und
an eine "andere Welt" hat, kann man sagen, daß
das kapitalistische Sozialwesen nicht das letzte der Geschichte
ist. Aber unterdessen erheben viele Menschen weiter die
Waren zum Fetisch und glauben an das Geld als Hoffnung auf
ein neues Leben.
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