Comunicação
Óptica sem Fibra Óptica
Quando
ouvimos falar sobre comunicação óptica,
logo associamos o assunto ao uso de fibra óptica.
A comunicação utilizando fibra óptica
é realizada através do envio de um sinal
de luz codificado, dentro do domínio de freqüência
do infravermelho, 1012 a 1014 Hertz, através de
um cabo óptico, o qual consiste de um filamento
de sílica ou plástico, por onde é
feita a transmissão da luz. Ao redor do filamento
existem outras substâncias de menor índice
de refração, que fazem com que os raios
sejam refletidos internamente, minimizando assim as perdas
de transmissão. Os sistemas de comunicações
baseados em fibra óptica utilizam lasers ou dispositivos
emissores de luz (LEDs). Esses últimos são
preferidos por serem mais eficientes em termos de potência,
e devido a sua menor largura espectral, que reduz os efeitos
de dispersão na fibra. Além disso, as fibras
ópticas são imunes a interferências
eletromagnéticas e a ruídos por não
irradiarem luz para fora do cabo. Hoje em dia, as fibras
ópticas utilizadas em sistemas podem operar com
taxas de transmissão que chegam até 620
Mbps. Apenas para dar uma idéia de grandeza, esta
taxa é aproximadamente dez mil vezes a taxa dos
modems comumente utilizados pela maioria dos usuários
da Internet. Apesar deste breve histórico e dos
benefícios oriundos de seu uso, há limitações
em termos de tempo e custo na oferta de serviços
utilizando comunicação óptica. Para
instalar um sistema desses numa cidade, faz-se necessário
obter junto ao poder municipal autorização
para escavação nas ruas bem como lançamento
de cabos a fim de atender a área metropolitana
de uma cidade ou ela como um todo. Some-se a esse custo
e tempo de tramitação de tal requisição
junto a prefeitura, a necessidade de modificar tráfego
urbano, a ocorrência de congestionamentos e a remoção
de árvores.
Como
poderíamos evitar esses transtornos e custos? Resposta:
fazendo uso de um sistema de comunicação
óptica sem fibra, mais conhecido como free-space
optical (FSO) communication ou comunicação
óptica sem fio. Esta forma de comunicação
possui vantagens econômicas convincentes. Embora
esta tecnologia tenha chegado ao conhecimento da população
apenas recentemente, sua idéia data de quase trinta
anos. Na época, a noção que os sistemas
FSO podia prover serviços de conectividade em alta
velocidade era vista como algo futurista. Entretanto,
a pesquisa desenvolvida naquela época tornou a
comunicação óptica sem fio uma realidade,
possibilitando a transmissão simultânea bidirecional
de dados em taxas na faixa de Gbps em distâncias
metropolitanas (de poucos quarteirões a poucos
quilômetros). A instalação de sistemas
FSO requer menos do que um quinto dos custos necessários
aos sistemas que utilizam fibra. Além disso, um
sistema FSO pode ser instalado e entrar em funcionamento
em um tempo significativamente menor, i.e., em questão
de dias. Note que ao utilizar um sistema FSO, permite-se
um provedor de serviço de comunicação
operá-lo quase imediatamente e, portanto, obter
receita ao passo que o(s) concorrente(s) tenta(m) obter
autorização junto ao poder municipal para
lançar cabos. Diversas são as aplicações
dessa tecnologia, tais como:
Extensão
de redes metropolitanas já existentes permitindo
a conexão de novas redes;
Conexão em alta velocidade entre usuários
(finais) e provedores de Internet;
Conectividade entre empresas;
Conexão redundante à fibra óptica
provendo segundo link para elevar a confiabilidade;
Tráfego telefônico entre torres de transmissão
de telefonia celular e a rede pública.
Até
recentemente, esta tecnologia era utilizada primariamente
para prover conectividade em alta velocidade entre empresas.
Agora, surge como alternativa de baixo custo para oferecer
comunicação em redes metropolitanas. Esta
tecnologia usa raios infravermelho de baixa potência,
os quais não são prejudiciais aos olhos,
como meio através do qual a tecnologia óptica
sem fio transmite dados através do ar entre os
transceptores. Geralmente, eles são instalados
nos telhados de edifícios ou próximos à
janelas. Dependendo das condições atmosféricas,
os transceptores podem atingir distância superiores
a poucos quilômetros. Ao contrário de maioria
da parte inferior das freqüências do espectro
eletromagnético, as freqüências na faixa
acima de 300GHz (que inclui o infravermelho) não
é licenciada a nível mundial e, portanto,
não requer pagamento de taxas pelo uso dessa faixa
do espectro. A principal restrição no seu
uso deve-se a potência irradiada que não
pode exceder os limites estabelecidos no padrão
IEC60825-I da International Electrotechnical Commission.
Os equipamentos de comunicação óptica
atualmente disponíveis operam com lasers de comprimento
de onda de 850nm ou 1550nm. Todavia, o laser de 1550nm,
embora mais caro, possui desempenho melhor em termos de
maior alcance, potência exigida e por não
atingir a retina dos olhos. Em termos de desempenho, um
sistema de comunicação, por definição,
deve apresentar uma taxa de erro de apenas um bit para
cada dez bilhões que ele transmite. Estatiscamente,
isto equivale ao sistema ficar fora de operação
durante 5 minutos e 15 segundos em um ano. Assim, durante
o restante do tempo dos doze meses (8759 horas, 54 minutos
e 45 segundos), o sistema estaria operacional. Este resultado
equivale a uma disponibilidade de 99.999%. Em testes realizados
pela companhia LightPointe(http://www.lightpointe.com),
em Denver, Colorado (Estados Unidos), o desempenho obtido
foi de 99.997% num período de três meses.
Obviamente,
o sistema FSO não é solução
para todas aplicações. Entretanto, com planejamento,
pode-se prover empresas e grande gama de usuários
com serviços de comunicação de baixo
custo (aproximadamente 1/5 do custo de sistema similar
utilizando fibra óptica) num curto período
de tempo. Baseado na necessidade de prover conectividade
em alta velocidade e com baixo custo, a comunicação
óptica sem fio, certamente, constituirá
alternativa tecnológica em nosso país.