Uma
Moral Laica
A
moral expressa o que desejamos. É a moral que nos ensina
que nossos próprios interesses conscientemente devem ser
limitados em favor da convivência. É a aceitação de que
os outros, próximos ou distantes, também possuem interesses
que devem ser levados em consideração.
A
política é o que conseguimos fazer. É uma forma de convivência
orientada pela busca do poder ou pela sua manutenção. Na
política quase nunca fazemos o que desejamos realmente,
mas o que é possível, tendo em vista algumas metas imediatas
consideradas mais importantes.
Talvez
se deva substituir a política pela moral. Só assim pode
ser evitado que causemos danos, que provoquemos dor nos
outros. Em sua obra Albert Camus sempre nos lembra que "o
pior erro é fazer sofrer". O oposto é a solidariedade.
Mas
ninguém pode pressupor que possui o monopólio da verdade
moral. É sempre bom duvidar de si mesmo. Cada um de nós
sabe dos seus limites e fraquezas, físicos e mentais, mas
sobretudo os morais, que aparecem naquelas circunstâncias
em que deixamos de realizar o que desejamos para sucumbir
diante do que é mais compensador.
Daí
a importância da renúncia ao privilégio. É preciso cultivar
o desinteresse, mantendo-nos distantes daquilo que pode
nos corromper. Assim também se evita a inveja do que pertence
a outrem: poder, prestígio, conhecimento, riqueza, amor.
Assim também se evita o ressentimento e a amargura por não
alcançarmos o mesmo.
"Não
faças aos outros o que não queres que te façam a ti"
é um principio que continua satisfatório.
A
liberdade não quer dizer que tudo deva ser permitido, mas
que o ser humano tem o direito de escolher o seu lugar no
mundo. A liberdade que já conquistamos garante a cada um
o direito de eleger os próprios valores. O ideal é que não
sejam valores que impliquem na destruição daquilo que é
essencial para a existência da humanidade: a convivência.