O
Descaso do Governo do Paraná com as Universidades Públicas (crônica
de uma morte anunciada)
Os
professores e funcionários das Universidades Estaduais de Maringá
(UEM), de Londrina (UEL) e do Oeste do Paraná (Unioeste) estão
em greve desde o dia 17 de setembro. A sociedade deve estar
perguntando: mas por que estão em greve? A resposta é fácil.
Estamos há mais de seis anos sem reajuste salarial
(o último, de 10%, foi em agosto de 1995) e por isso
a situação têm piorado sensivelmente. A defasagem salarial chega
a 50,03% (índice calculado pelo DIEESE até o mês de maio passado).
Hoje, professores e funcionários das universidades estaduais
do Paraná têm o salário mais baixo de todo o país. E começa
a ocorrer um fenômeno que o Paraná já conheceu no final da década
de 80. A fuga de cérebros e de professores titulados para as
universidades estaduais paulistas e para as universidades federais,
já que atualmente elas estão pagando salários bem melhores do
que os pagos nas nossas universidades (mesmo assim as universidades
federais também estão em greve).
Para
piorar a situação as tarifas cobradas pelo governo do Estado
e pelo governo federal têm subido dia-a-dia. Para se ter uma
idéia, no ano passado o governo Lerner aumentou a tarifa de
energia em 15,43% e o pedágio das estradas em 153%; a gasolina
teve alta de 33%, o gás de cozinha subiu 12,54%; os correios
aumentaram as suas tarifas em 22,73% e os telefones subiram
19,28%.
Como
já é sabido por toda a sociedade paranaense, aqueles senhores
que ocupam o Palácio Iguaçu e detêm o mando político no estado
não têm nenhuma sensibilidade social. Além disso, a cada dia
surge uma denúncia de corrupção cometida pelo grupo político.
Primeiro foi o ex-prefeito de Londrina, Antônio Belinati, marido
da vice-governadora, que teve o mandato cassado por corrupção
e desvio de mais de 100 milhões de reais do cofre público. Depois,
o ex-prefeito de Maringá, Jairo Gianotto, também pertencente
ao grupo do governador, afastado da prefeitura pelo Ministério
Público e acusado de desviar aproximadamente 100 milhões de
reais. E atualmente, o prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi,
que deixou de declarar ao TRE, 30 milhões de reais, usados irregularmente
durante a campanha pela sua reeleição.
Durante
os quase sete anos que lá estão, os participantes desse grupo
político sucatearam as finanças públicas, faliram e venderam
o Banestado (Banco do Estado do Paraná) por preço de banana,
privatizaram as estradas, que passaram a cobrar pedágios caríssimos,
prenderam, torturaram e assassinaram trabalhadores rurais sem
terra; e atualmente tentam vender a Copel também por preço de
banana. E o que é pior: passando por cima da vontade da grande
maioria da população.
Com
relação ao funcionalismo público adotaram uma política de total
descaso. A desculpa, sempre a mesma: não há dinheiro para reajustar
os salários, já que a Lei de Responsabilidade Fiscal não permite
gastar mais de 60% da arrecadação com o funcionalismo público.
Mas será que isso é verdade? Notícias que saem de dentro do
Palácio Iguaçu informam que a arrecadação subiu 10% em 1999,
18% em 2000 e há uma projeção de aumentar em mais 18% esse ano.
Ora, para onde está indo todo esse dinheiro?
Para
melhorar a malha viária das estradas não é, já que elas foram
privatizadas e aquelas que são públicas continuam esburacadas
e intransitáveis. Na segurança parece que também não. A criminalidade
tem aumentado em cidades como Curitiba
e Foz do Iguaçu e a Polícia Militar tem feito várias
manifestações pelo baixo salário que recebem, além de reclamar
da falta de equipamentos adeqüados de trabalho e até de uniforme
e colete salva-vidas. Para a saúde? O SUS e as prefeituras são
quem mantém em grande parte os postos de saúdes e hospitais
públicos. Para a educação, então, nem pensar. É só dar uma olhada
nas escolas perto de nossas casas para ver o que está acontecendo:
vidros quebrados, fachadas sem pintura, sujeiras. E dentro da
escola, faltam bibliotecas, laboratórios e salas de aulas adequadas.
As cadeiras para os estudantes são todas ergonomicamente incorretas,
ou seja, prejudicam a saúde, sobretudo a coluna vertebral dos
alunos. Até os quadros-negro são de péssima qualidade, prejudicando
o trabalho do professor e os olhos das nossas crianças.
Nas
universidades, o caso é o mesmo. Há seis anos não chega um tostão
para a manutenção de salas de aulas, laboratórios e bibliotecas.
Se elas ainda estão de pé é pelo esforço dos seus professores,
qualificados, que buscam recursos nas agências de fomento e
revertem esse dinheiro para a manutenção das atividades acadêmicas.
Mas a situação chegou à beira do limite. Por isso, diante desta
situação, à exemplo do ano passado, as universidades pararam
as suas atividades. Por isso estamos em greve.
Esperamos
que o governo Lerner saia de dentro dos muros e das grades de
contenção do Palácio Iguaçu, tome uma banho de humildade e se
sensibilize com a drástica realidade dos servidores públicos
paranaenses e com as nossas cambalidas universidades; e tome
uma atitude, imediatamente, negociando uma política salarial
unificada, isonômica e socialmente justa para os professores
e funcionários. Pois, caso contrário, ficará marcado para o
resto da vida (como já aconteceu com o Álvaro Dias) como o governador
que não se preocupou e deixou à deriva as nossas universidades
estaduais.