A dificuldade de se encontrar a alma gêmea
Há
um grave e silencioso problema social entre homens
e mulheres em nosso tempo: o temor de passarem dos
30 anos e ficarem solteiros.
Hoje,
de Nova York a Cingapura, passando por Maringá,
não conseguir encontrar a alma gêmea, ainda é um problema
maior para as mulheres do que para os homens. Em qualquer
época e cultura, para elas é mais difícil encontrar
um parceiro do que para os homens solitários que,
quase sempre, aprendem a se virar como podem.
Se
por um lado, é um fato social e mundial da atualidade
que vem apontando um acentuado número de solitários,
por outro, as mulheres, mesmo sendo uma bem sucedida
empresária de NovaYork, ou uma arquiteta em Londres
ou, ainda, uma professora em São Paulo, todas sonham
encontrar um homem que pudessem amá-las tal
como ela é. Uma conhecida empresária americana Laura
Stutsky, da Peaple Finders, disse que trocaria o seu
sucesso e passaria a ocupar o segundo lugar em relação
ao marido, se tivesse certeza que teria a felicidade
conjugal.
Pesquisas
denunciam que as mulheres, quando não casam,
ainda sentem-se
estigmatizadas
em qualquer cultura ou país. Em todos os lugares do
mundo elas são injustamente chamadas de: "titias",
"solteironas", "frustradas", "balzaquianas",
"vitalinas", "coroas", "passadas",
enfim, marcas (estigmas) que uma vez inscritas em
sua personalidade, faz com que carreguem o peso simbólico
de ficarem para sempre como seres de segunda categoria.
Na Índia, exemplo de estigma social mais grave, as
mulheres que não conseguem se casar são consideradas
uma desgraça para a família.
Os sentimentos do solteiro
Num
primeiro momento, as mulheres de
25, 30, 35 anos (conforme o lugar em que vivem)
sentem-se pressionadas pela família ou por elas mesmas
a fazerem alguma coisa urgente para "se salvarem",
mas. Num segundo
momento passam
a sentir o incomodo ou a angústia de terem sobrado.
Quando se escoam as esperanças de casar, a moça tradicional
volta-se para a família como um fim em si mesma, onde
sente-se que se tornou um fardo pesado e só resta
a resignação como consolo. Já aquelas, economicamente
independentes, uma vez na condição de "sobradas",
podem desenvolver alguma alternativa saudável de vida,
como fazem os homens, mas ela ainda não consegue
se livrar da família que fica na expectativa de mais
cedo ou mais tarde tê-la em casa como um peso.
O olhar dos outros, a faz sentir-se menos mulher do
que as outras que lograram êxito matrimonial.
Do
ponto de vista psicológico, a mulher vítima do solteirismo
tende a ficar deprimida, a questionar porque não conseguiu
fisgar um marido se uma outra que não é tão bonita,
que tem o mesmo peso que ela, conseguiu? Essa mulher
se vê repetidamente questionando sua auto-imagem,
o seu destino como trágico, a sua auto estima
poderia ir se declinando com o avançar da idade e,
se nada acontece, termina acentuando alguns sintomas.
Algumas ficam com raiva do destino cruel, outras simplesmente
reorientam-se a aprimorar sua carreira profissional,
onde costumam excederem-se
no tempo integral de dedicação exclusiva às tarefas
do trabalho. Tornam-se pessoas de um único assunto
e por isso tidas como chatas. Também com o passar
dos anos, muitas abandonam os traços de feminidade,
de graça ou leveza. Tornam-se rígidas, metódicas,
bisbilhoteiras e moralistas. As de costumes antigos
terminam vivendo pelos cantos, às escondidas, mas
as pós-modernas, que se sentem mais ou menos livres,
adotam o jeito masculino de viver competitivamente,
encarando o quanto é bom ter liberdade para ir encontrar-se
com quem deseja, ou viajar à hora que quer sem dar
satisfação para homem nenhum, namorado ou marido que
seja.
Em
países de vida urbana anônima, muitas dessas mulheres
pós modernas ou avançadas aplacam suas carências afetivas
participando, ora de um leilão de homens para passarem
uma noite ou aproveitam as tendências sexuais adormecidas
e inventam-se homossexuais (falsas homossexuais) como
protesto aos homens que as rejeitaram, ou ainda,
simplesmente vão ao banco de esperma comprar um embrião
para ter um filho extraído de afogadilho, enfim, uma
promessa de preenchimento do vazio existencial.
Como se viram?
Conforme
a cultura e a demanda, algumas buscam reprojetar suas
vidas em espaços psicanalíticos e psicoterapeuticos.
Lá, timidamente, revelam o quanto é doloroso viver
nessa condição de "passadas" e perguntam:
"por quê tinha que ser eu?" Dizem
sofrer muito com a sensação de que o tempo está escoando
e nada... Datas como o Natal, Páscoa, ou ocasiões
em que são mostrados fotos de famílias, ou ter que
participar de encontros com filhos e netos
dos outros, uma frustração inevitável que as fazem
pensar: "Não
tenho a minha própria família, não tenho filhos e
nem sequer um marido ou namorado".
Também,
começa a perceber que com o passar do tempo, não há
mais aquele grupo de amigos solteiros com quem costumeiramente
se encontrava.
"Eles foram se casando e, hoje, vivem com suas
famílias. Também, a gente não mais deseja encontrar-se
com várias pessoas, mas com uma em especial - o príncipe
encantado". E torna-se cada vez mais difícil
encontrar a pessoa certa quando se passou dos 30.
E, ainda há os problemas que essa mulher tem que enfrentar:
"quando
estou passeando sinto como que estivesse
escrito na testa: 'Quero alguém, rápido'".
A partir de uma certa idade (30 anos),
muitas mulheres tem a sensação que sua condição de
"solteirona", em vez de atrair, termina
pondo em fuga os homens. (Obs.: essas falas foram
colhidas na reportagem "30 e poucos", da
tv inglesa Channel 4) .
O solteirismo, um problema mundial
Casamento
e solteirismo podem ser assuntos pessoais, mas estão
dando margem para pesquisas e reportagens especiais
na mídia do mundo todo. As estatísticas não são nada
animadoras. Em Cingapura, o centro financeiro da Asia,
de cada 100 mulheres de nível universitário, 40 nunca
se casarão. É uma projeção não somente atribuída ao
destino cruel, mas sobretudo porque as mulheres asiáticas
que estudaram o 3o grau, graças a política
do governo e hoje possuem uma promissora carreira
profissional, não querem continuar a tradição de
se casarem para ser submissas ao
marido tal como suas antepassadas mães e avós.
Essas mulheres independentes se dizem mais felizes
com suas carreiras profissionais do que se tivessem
vivendo um casamento problemático.
Recentemente,
o primeiro ministro de Cingapura, Lee Kuan Yen, pediu
em cadeia de televisão para que as mulheres voltassem
a ter interesse em casar e ter filhos por patriotismo,
pois a nação corre sério risco de não ter a necessária
substituição populacional, daqui a 30 anos. O governo
até chegou a criar um serviço de promoção de encontros e um "barco do amor", onde especialistas
organizam palestras, viagens e cruzeiros de aventura
para lugar nenhum, apenas com intuito de aproximarem
casais. Parece que está conseguindo poucos resultados.
Outros
países criam leis protetoras das mulheres que não
se casaram, onerando os solteirões com pesados impostos
que reverterão a favor das moças que ainda investem
na esperança de arrumar um marido. Em algumas regiões
da África, moças em fase de risco de ficar sem casar,
ainda são levadas à leilão por baixos preços.
Nos
EUA, há cinco mulheres solteiras para cada homem disponível.
Disse uma revista novaiorquina que, "as chances
de ser atingido por um ato terrorista nessa cidade
são praticamente idênticas que uma mulher encontrar
um marido" (isso antes do ataque de 11 de setembro,
aos edifícios, em Nova York). Há uma crença em países
de primeiro mundo, que as mulheres bem sucedidas na
profissão tendem a não serem felizes nos seus relacionamentos
afetivos e sexuais.
Segundo
os especialistas que "treinam" mulheres
para aprenderem a seduzir, laçar, casar e manter o
casamento, as mulheres bem sucedidas provaram serem
fortes nos negócios, chegaram ao topo de suas carreiras
com carro e casa próprios, enfim, todo o conforto,
mas há um problema que precisa ser corrigido: devem
resgatar sua feminidade, investir na sensualidade,
melhorar sua auto-estima e, principalmente, serem
passivas em relação ao homem.
Uma expert no assunto, não esconde o posicionamento conservador, quando
declara que: o
estilo "duro" das mulheres bem sucedidas
funciona na sociedade competitiva, no trabalho, na
universidade, no comércio, etc, mas no âmbito do relacionamento
amoroso é um tremendo fracasso. Essas mulheres acostumadas
ao estilo viril, quando voltam para casa não sabem
como serem meigas com seus parceiros e filhos.
A revolução sexual,
o movimento feminista fez as mulheres irem à luta
e conseguiram vencer
na sociedade, mas ainda pagam um alto preço
quanto a felicidade conjugal e maternal. Por seu lado,
o desejo secreto do homem de qualquer cultura, do
1o ao 3o mundo, é de estar em
1o plano e ter uma mulher atrás dele, isto
é, uma esposa passiva, bela, jovem, compreensiva,
alegre e que ainda seja boa mãe. [sic!].
Ao
que parece, os homens tendem a fugir de mulheres que
são agressivas no primeiro encontro, como que quisessem
devorá-los; também as que se revelam
muito inteligentes ou interpretativas dos segredos
do homem, não revelando-se quem verdadeiramente são
e o que querem do homem, terminam pondo os homens
para correr. Os homens são herdeiros de um
mito muito antigo, um complexo cujo fundo inconsciente
consiste no temor de perder algo seu muito importante
para essa mulher predadora, guerreira, fatal, competitiva,
em relação ao homem. Muitos casados ao descobrirem
o alto preço que estão pagando em viver com esse estilo
de ser mulher
- supermulher- terminam perdendo o tesão por ela,
talvez uma reação de defesa made in inconsciente para evitar perder seu precioso objeto
fálico para a voracidade sem limites da fêmea fatal,
siliconada ou bem sucedida nos negócios.
Segundo
o Padre Antonio Vieira (não o autor dos Sermões, mas
o que escreveu "O verbo amar e suas complicações" (Ed. Record) "a
humanidade está dividida entre os que se julgam infelizes
porque não se casaram, e outros que maldizem a sorte
porque se casaram".
De
qualquer forma, tanto a Bíblia como as pesquisas
científicas sobre as causas da depressão, do suicídio
ou dos efeitos da solidão, tem uma só recomendação: "Apaixonar, amar, namorar e casar, ainda é preciso. Viver, também".
Hipóteses e dúvidas sobre o por quê as mulheres
não casam:
1º
. Hipótese sociológica: o meio cultural não
vem desenvolvendo situações sociais que promovam encontros,
que aproximem pessoas, que facilite o "clima"
pró paixões amorosas e desejos de viver juntos. Até
os anos 70, nas cidades do interior do Brasil, haviam
os footings onde
as pessoas -a maioria, 70 %, vindas da roça- flertavam
umas com as outras, apesar de ser uma época em que
imperava o sentimento de vergonha e desconhecimento
do homem em relação a psicologia da mulher e vice-versa.
Hoje, sem o footing,
restam os points,
as lanchonetes, os clubes, na maioria dirigidos para
jovens, infelizmente, não para pessoas acima dos 30.
Para pessoas bem avançadas, ainda há opção das agências
de casamentos e a Internet.
2º
Hipótese psicológica: essas pessoas possivelmente
desenvolveram uma fantasia extremamente glamourosa
ou muito romântica de amar e de ser amada por alguém,
mas impossível de encontrar essa correspondência na
realidade. Assim, qualquer um que se aproxime dela,
por mais interessante que seja, estará sempre aquém
de sua exigente fantasia.
3º.
Hipótese psicológica: essas mulheres, por um
lado, teriam inventado tantas exigências quanto aos
atributos dos possíveis pretendentes, e por outro,
refém de sua estrutura psíquica narcísica onipotencial,
jamais seriam autorizadas a apaixonarem por
alguém. Como disse Caetano Veloso, "Narciso acha
feio o que não está no espelho". São mulheres
que sentem-se muito melhores do que qualquer homem
que apareça para elas. No entanto, há dúvidas que
lhes assaltam em algum momento, como aquela: "Porque
sou tão maravilhosa é que me faz continuar solteira?"
4º.
Hipótese Psicanalítica: Atribuir a culpa ao
destino que a escolheu para não casar, é falso. Mas,
se por vários pontos de sua história pessoal que inconscientemente
determina que encontre uma
solução de compromisso de algum conflito, fazendo-se
solitária, ou seja, de concluir um "auto-engano"
ser melhor ficar
só que mal acompanhada?
5º
Uma hipótese sócio-psicopatológica quanto aos
homens: Estaria aumentando na sociedade o números
de homens que sofrem de fobia de casamento: que tem
medo, angústia ou pavor de casar porque teria que
assumir metade dos riscos; teria que tomar a decisão
que poderia ser a errada. O homem de nosso tempo estaria
ficando fóbico quanto ao casamento, porque não foi
educado para enfrentar o cotidiano dessa "nova"
situação e de seus problemas.