O
casamento das áreas de telecomunicações e computadores
tem contribuído para o crescimento da quantidade de
informações/dados trocados entre pessoas, empresas e
as mais diversas entidades. Juntamente com este fato,
observa-se que viver num mundo em rede, onde tem-se
computadores, equipamentos de áudio, vídeo e o mais
diversos aparelhos todos conectados em rede proporciona
mais conforto e facilidade. Neste caso, podemos nos
imaginar vivendo na casa do futuro onde você pode programar
sua cafeteira elétrica de modo que o café comece a ser
preparados 5 ou 8 minutos antes de você chegar a mesa,
permitindo a você economia de tempo e o prazer de um
café recém preparado. Que maravilha! E olha que este
é apenas um único exemplo da casa do futuro. Não diria
futuro enfaticamente, pois alguns poucos já dispõe desse
tipo de facilidade.
Entretanto,
muitos desconhecem o consumo do standby. Será que dispomos
de suficiente oferta de energia para usufruirmos dessas
maravilhas? O standby é aquele que parece mas não é.
Grande parte dos equipamentos que dispomos hoje em dia
podem causar maior impacto no consumo de energia não
quando eles estão em uso, mas sim quando estão supostamente
desligados. Quanto de energia elétrica é consumido quando
os mais diversos aparelhos encontram-se supostamente
desligados, leia-se em standby?
Estar
supostamente desligado ou em standby não significa estar
desligado. Formalmente, tal problema é chamado de desperdício
de energia do standby. Perceba que ele é crescente.
Hoje em dia, qualquer dispositivo com mostrador digital,
teclado por toque ou controle remoto precisa consumir
alguma quantidade de energia quando estão em standby.
Essa lista inclui desde equipamentos de áudio e vídeo
até máquina de lavar pratos e portão eletrônico. Agora,
quanto de energia o standby requer?
Alguns
aparelhos de televisão, por exemplo, consomem em média
90W (Watts) quando se encontram ligados. Neste caso,
se ele permanecer ligado por 1 hora por dia, isto implicará
num custo mensal de R$ 0.55. Todavia, considerando este
mesmo aparelho no modo standby, seu consumo em média
é de 20W. Se considerarmos este aparelho supostamente
desligado, ou seja no modo standby, isto resultará num
custo mensal de R$ 0.12. Note que há aparelhos de TV
com menor consumo no modo standby, algo próximo de 1W.
Outro caso interessante é o microondas que durante quase
um terço do ano consome mais energia no modo standby
(mantendo seu relógio e teclado por toque ativo) do
que cozinhando ou esquentando alimentos. As caixas da
TV a cabo é outro grande vilão. Podem ser vistas como
verdadeiro sorvedouro de energia, podendo consumir de
5 a 25W.
Muito dessa energia é consumida pelas fontes de potência
que convertem energia na forma de corrente alternada
(AC) para corrente contínua (DC). Os projetista de sistemas
têm especificado, tipicamente, fontes de potência padrão
do tipo linear, cuja tecnologia datam de quase 30 anos.
Entretanto, as fontes de potência mais novas, decorrente
do mercado de telefonia móvel, fazem o uso eficiente
de energia. Estas novas fontes de potência consomem
muito menos energia e passam a ser consideradas para
o uso no modo standby.
Atualmente, aproximadamente de 5 a 10% do uso de energia
elétrica nas residências nos Estados Unidos (EUA) –
algo próximo a 65W por residência – é para o modo standby.
Esta quantidade de consumo de energia está crescendo,
muito devido ao uso de aparelhos com algum tipo de conexão
com a Internet, os quais utilizam o modo standby. Outros
países desenvolvidos estão em situação similar. Por
exemplo, no Japão, aproximadamente 10% do consumo residencial
de energia vai para aparelhos que operam no modo standby.
Assim, a menos que se faça uma gestão e uso adequado
da energia seja feito, o resultado será residências
(quase) completamente conectadas com elevado consumo
de energia no modo standby. Estimativas indicam que
caixas de TV a cabo mal projetadas, decodificadores
de TV para recepção via satélite bem como uma variedade
de aparelhos operando no modo standby poderiam dobrar
o consumo atual das residências para mais de 120W por
residência, segundo Dr. Alan Meier, cientista do Lawrence
Berkeley National Laboratory dos EUA. O quadro abaixo
ilustra o consumo (em Watts) de alguns aparelhos, supostamente
desligados (em standby).
|
Aparelhos
|
consumo mín
|
consumo médio
|
consumo máx
|
|
equip. áudio
|
2
|
4
|
15
|
|
DVD
|
2
|
4
|
12
|
|
rádio/relógio
|
1
|
2
|
3
|
|
portão eletrônico
|
2
|
3
|
4
|
|
sist. de segurança
|
4
|
14
|
22
|
|
microondas
|
1
|
3
|
6
|
|
computador
|
1
|
2
|
4
|
|
impressora
|
4
|
5
|
6
|
|
caixa TV a cabo
|
5
|
12
|
25
|
|
decod. TV satélite
|
8
|
12
|
18
|
|
vídeo game
|
1
|
2
|
3
|
|
secretária eletrôn.
|
2
|
3
|
5
|
|
telefone s/ fio
|
2
|
3
|
5
|
|
televisão
|
1
|
5
|
22
|
|
vídeo cassete
|
1
|
3
|
4
|
Cientistas
trabalham acreditando que a maioria dos problemas aqui
apontados poderiam ser resolvidos se for alcançada meta
de consumo no modo de operação standby abaixo de 1W.
Se esta meta for alcançada, poderemos desfrutar do conforto
e facilidades da casa do futuro com toda parafernália
eletrônica conectada em rede. Do contrário, os consumidores
irão repensar o custo standby.