Todo mundo sabe que há enorme distância entre a teoria e
a prática. No campo da educação de filhos, essa distância
parece ser ainda maior, visto que o que se ensina pela
fala muitas vezes caminha na contramão do que é praticado.
Recente pesquisa americana não traz nenhuma novidade, mas
vem confirmar com números que os pais de lá, como os
Brasil, não estão sendo tão bons práticos como teóricos.
Ou seja, a suposta nova geração de pais é boa no discurso,
mas tem-se revelado péssima na prática educativa dos
seus filhos. Vejamos os valores dos pais norte-americanos,
a distância entre a intenção e a prática do que fazem
como educadores dos filhos:
Dedução rápida: de todos os valores positivos que os pais
têm em mente, só conseguem cumprir a metade.
Teóricos da educação sempre alertaram que o exemplo dos pais,
os costumes da família e a experiência de cada um pesam
muito mais na educação que os discursos sérios e sermões
cheios de moral. Mesmo sem a intenção direta de educar,
o clima familiar ou o bem estar da relação pais e filhos
são os que melhor educam.
Não se nega que é bom conhecer teorias pedagógicas e psicológicas,
mas é melhor saber aplicá-las. Um filósofo disse; "a
prática é o critério de verdade". E também, acrescento,
de melhor exemplo nos atos de educar crianças. Isto
é, pais com sabedoria são melhores pais que aqueles bem informados e conhecedores de teorias.
Os pais de hoje conhecem mais teorias e estão mais informados
sobre educação do que os seus pais e avós. No entanto,
sentem-se mais perdidos, não sabem como devem proceder
com os filhos. Impressiona saber que, na prática, os
pais ainda não sabem conversar com seus filhos os temas
da vida e do mundo atual, segundo o que aponta essa
pesquisa. Estão informados sobre o crescente risco deles
usarem drogas, de ter sua filha adolescente engravidar,
da possibilidade de
contaminação do vírus HIV e de tantos problemas. Mesmo
assim, no Brasil, de cada 100, só 34 pais conversam
com os filhos.
Pesquisa do Instituto DataFolha realizada em dez capitais
brasileiras, com 5.076 pessoas ouvidas e divulgadas
em 27/06/93, aponta que somente 32% dos pais conversam
sobre sexo com seus filhos; 50% nunca chegaram a ter
essa conversa.
De seu lado, os filhos desaprovam
pais que deixam escapar incoerência, contradição,
mentira ou ignorância.
Quando o Código Nacional de Trânsito tornou obrigatório
o cinto de segurança, as crianças foram as que mais
cobraram (educaram)
os pais para essa responsabilidade. Não basta o pai
e mãe aconselharem o filho a não beber. Como adultos
responsáveis, precisam dar o exemplo de moderação em
casa ou nas festas. Presenciei, na rodoviária de Curitiba,
uma cena muito triste. Uma menina de uns 10 anos tentava
controlar a quantidade de latinhas de cerveja que seu
pai desbragadamente bebia.
Respeitar as leis, ser justo, solidário com o próximo, não
pisar nos outros para subir na vida, estar disponível
para o diálogo começando por aprender a escutar, controlar
o uso do palavrão, corrigir os vícios, etc. são atitudes
formadas a partir de uma educação acontecida no dia-a-dia
dos pais e avós numa família.
O que foi dito aqui sobre os pais como educadores também
se aplica a professores e políticos, entre outros profissionais.
(Maiores detalhes das pesquisas, consultar: Lutheran Brotherhood
and Search Institute [www.search-institute.org/norms/];
CPM: Centro de Pesquisa Motivacional, divulgado pela
Folha de S. Paulo, 18/02/2001.