“A
palavra progresso não terá qualquer sentido enquanto houver
crianças infelizes”
Albert Einstein
Sabemos todos que o Maus-tratos Infantil, é crime. Dentre
as várias formas de maus-tratos infantil está o “maus-tratos
emocional”:
"É interessante destacar que é uma das formas de maus-tratos
infantil mais difícil de diagnosticar. Geralmente, detecta-se
quando associado a outros quadros severos de maus-tratos e
ainda que confirmada a suspeita, a intervenção dos profissionais
e/ou do sistema legal ocorre de forma mais cautelosa",
afirma Intebi.
"É a conseqüência da hostilidade verbal crônica em forma
de burla, desprezo, crítica ou ameaça de abandono e constante
bloqueio das iniciativas de interação infantil. Quem maltrata
psiquicamente pode adotar atitudes tais como de humilhar a
criança frente aos outros, privá-la de saídas e de sua integração
social, utilizando para isto desde apenas evitar a socialização
como até encerrar a criança em casa.
Pode-se ilustrar este tipo de maus-tratos dizendo que os
filhos podem ser atingidos com atitudes, gestos e palavras,
ou simplesmente rechaçando a individualidade da criança ou
do adolescente de maneira tal, que impeça o seu desenvolvimento
psicológico normal.( Copyright © 2000 eHealth Latin
América)"
Lendo este texto, com tais informações, fiquei ainda mais
preocupada com as crianças disléxicas que, descobri, sofrem
sim maus-tratos, quando estão perfeitamente enquadradas dentro
das situações citadas acima. Não precisamos bater numa criança
para que ela sinta-se maltratada, basta uma palavra pesada
em sua essência...um olhar de desprezo...Nós, pais e educadores,
maltratamos uma criança quando não compreendemos suas dificuldades
escolares e pior que isso, quando as humilhamos com nossos
preconceitos acerca do seu insucesso escolar, quando ao avaliá-las
,damo-lhes notas morais e sociais através das suas notas escolares
sem ao menos imaginar que nisso existe sofrimento ; quando
as comparamos com as crianças não disléxicas . Uma criança
com dificuldades escolares está marcada cruelmente, carregando
a pesada cruz de não saber o que fazer com suas dificuldades.
Elas têm uma bomba nas mãos. Estas crianças são atingidas
em cheio na sua auto-estima quando, com nossas atitudes, mostramo-lhes
como elas são preguiçosas, lentas, burras, desqualificadas...
quando as desprezamos...as abandonamos...quando as deixamos
num cantinho da sala de aula...esquecidas.
Até quando estaremos cometendo este crime? Até quando apontaremos
o dedo para estas crianças e as julgaremos e as condenaremos
pelos seus insucessos escolares, quando na verdade, nós não
nos sensibilizamos com suas dificuldades e não ouvimos seus
gritos ocultos de socorro desde tão cedo? Até quando nos colocaremos
apenas na posição de observadores e juizes , distantes e donos
absolutos das verdades educacionais e das teorias pedagógicas?
Até quando nos colocaremos à margem das dificuldades das crianças,
como se fossemos apenas meros espectadores de suas aprendizagens?
Até quando iremos empurrar estas crianças de uma escola para
outra, como se esse fosse o processo perfeito para assisti-las
em suas dificuldades? Até quando a nossa sociedade literata
induzirá crianças e adolescentes inteligentes e sadios, com
dificuldades especificamente escolares, à caminhos perigosos
que certamente irão desestruturar a vida delas e de seus familiares
? Esse é um caminho perigoso...sem volta.... sem futuro.
Precisamos antes de mais nada, proporcionar a estas crianças
e a seus educadores (pais e professores) a informação de que
suas dificuldades tem uma nome, um porquê e uma solução. Agimos
de forma arbitrária quando jogamos as dificuldades escolares
nas mãos das próprias crianças, quando não lhes damos condições
para suas realizações, quando imaginamos que a aprendizagem
escolar é inata do ser humano, quando não nos apercebemos
de que ler e escrever são habilidades adquiridas, precisam
de embasamento anterior para que possa acontecer. Afinal não
nos colocamos como senhores absolutos da sapiência e da experiência?
Somos incoerentes quando, apesar de conhecedores (teóricos)
de todos os fundamentos vanguardistas de educação, continuamos
presos ao passado, a uma estrutura educacional ultrapassada,
e com vínculos dos estereotipados "alunos perfeitos"
e "professores onipotentes".
Enfim, fica uma pergunta no ar: São crianças com dificuldades
de aprendizagem ou é o sistema escolar com dificuldades de
ensino?
Precisamos todos ousar.
Precisamos todos entender.
Precisamos todos nos comprometer.
Com todas as crianças, as disléxicas e as não-disléxicas.