A Era da Informação

 

Por ANTONIO MENDES DA SILVA FILHO
Doutor pela Universidade Federal de Pernambuco - UFPE, Mestre pela University of Waterloo - Canada; Professor do Departamento de Informática da UEM


Cada um dos três séculos passados têm sido dominados por uma única tecnologia. O século XVIII foi a era dos grandes sistemas mecânicos acompanhado da Revolução Industrial. O século XIX foi a era da máquina a vapor. O século XX tem sido denominado como a era da informação. Associado a isto, temos testemunhado vários avanços tecnológicos em diversas áreas. Dentre elas, duas que têm causado significativo impacto sobre o modus vivendi das pessoas neste século são Computação e Telecomunicações. Neste cenário de avanços tecnológicos, deparamo-nos com uma carga de informações cada vez maior. Como podemos tirar proveito dessas tecnologias que colocam a nossa disposição um volume cada vez maior de informações?

O ser humano, assim como as máquinas (e.g., o computador) possui limitações. Uma das limitações do ser humano é a memória que é discutida a seguir na seção. Além disso, o tempo disponível que as pessoas possuem é notavelmente cada vez mais escasso. Isto conduz a necessidade de buscar formas mais eficiente de coletar e processar apenas as informações necessárias no nosso cotidiano. É humanamente impossível digerir a imensa quantidade de informações colocadas a disposição das pessoas. Assim, a seção 2 trata do processo de customização, isto é poder a transformar um volume de informações numa forma mais adequada para o interesse particular de uma pessoa.

1. A Memória Humana

O ser humano no seu processo de aprendizado passa por vários estágios de aprendizagem.  Para cada estágio, tem-se associado uma maior propensão para o desenvolvimento de habilidades específicas. Comcomitante com este fato, tem-se que a memória humana possui suas limitações, isto é, o indivíduo é apenas capaz de memorizar um número limitado de informações. A organização da memória humana é geralmente aceita como sendo composta de três áreas distintas e conectadas.

A memória de curta duração é responsável pelo recebimento e processamento inicial de informações. Adicionalmente, ela possui um acesso mais rápido e limitada capacidade de armazenamento. A memória de trabalho tem uma capacidade de armazenamento maior do que a de curta duração. Todavia, o seu tempo de acesso a informações (já armazenadas) é maior, comparado com a primeira. Quanto a memória de longa duração, que é aquela que retém todo o conhecimento de um indivíduo, possui um tempo de acesso (para recuperação de informações) muito maior comparado às demais. Ela também é conhecida como memória permanente. Contudo, desde que os seres humanos esquecem algumas coisas, tem-se que seus mecanismos de recuperação não são totalmente confiáveis. A fim de apresentar um dado quantitativo do que foi exposto nesta seção, tem-se (por exemplo) que o tempo de decaimento para a memória de trabalho varia entre 73 e 226 segundos para um único item de informação. Se considerado a recuperação de 3 itens de informação, então ter-se-á um tempo de decaimento variando entre 5 e 34 segundos[Car83] . Em outras palavras precisamos alimentar nossos sentidos, como por exemplo visão e audição a fim de fixarmos as informações recebidas. O ato de repetição da leitura (por exemplo) nos ajuda a fixar a informação lida, isto é, a informação é passada da memória de curta duração para memória de trabalho e, posteriormente, para a memória de longa duração (onde está armazenado o conhecimento do ser humano). Todavia, face a carga de informações cada vez maior a disposição das pessoas, estas agora estão precisando de um recurso que a auxilie na identificação do que é necessário no momento de necessidade. Então, entra em cena o processo de customização discutido abaixo.

2. Customização

A era do acesso interativo on-line a repositórios (multimídia) de informações em todo mundo já chegou. Hoje o usuário, conectado a Internet, tem a possibilidade de navegar no ciberespaço e acessar os mais diferentes tipos de informações.

Dentro deste contexto, o processo de customização tem a finalidade de proporcionar ao indivíduo a facilidade de obter uma informação necessária quando necessário. Em outras palavras, customização significa transformar a informação entrante numa informação que seja adequada às necessidades de um indivíduo num determinado instante. Assim, a customização da informação ocorre imediatamente antes do uso dela.

Como salientado anteriormente, a medida que mergulhamos cada vez mais na era da informação, está se tornando mais e mais aparente que a sociedade como um todo terá que se confrontar com um problema genérico da sobrecarga de informações. Isto vai nos compelir a buscar e usar técnicas que maximizem o tratamento da informações recebidas.

A necessidade de armazenar e recuperar informações digitais coletadas de acordo com as necessidades do usuário, por exemplo através da Internet, é apenas uma questão a ser considerada dentro deste contexto. Outro aspecto é a necessidade de ter a informação apresentada numa forma apropriada a necessidade do indivíduo no tempo necessário ao seu consumo.

Um artefato de informação contém uma mistura de informações com maior ou menor valor (para um indivíduo), dependendo do ponto de vista do consumidor da informação. Tentar localizar a informação manualmente pode ser tedioso ou mesmo susceptível a erro.

Um exemplo de esforço para se fazer customização com baixo nível de interatividade é o de consultas a repositórios sobre e localização de informações como, por exemplo, Glimpse desenvolvido por uma equipe da Universidade do Arizona nos EUA disponível na Internet no endereço http://webglimpse.net.

Considerando o exemplo acima para realização de consulta on-line a bibliografia, o processo de customização ocorre através do uso de palavras-chave bem como operadores lógicos (E e OU). Os operadores lógicos têm função similar aos operadores matemáticos de soma, subtração e divisão, por exemplo. Eles podem ser usados como conectivos quando se considera uma condição1 E uma condição2. Além disso, pode-se considerar uma condição1 OU uma condição2. Embora esse recurso auxilie os usuários (neste caso estudantes, professores e pesquisadores), um nível de interatividade maior é desejado a cada dia. A interação diz respeito a tudo o que ocorre entre um ser humano e um computador utilizado para realizar algumas tarefas. Trata-se da comunicação entre estas duas entidades.

Apesar dos esforços e resultados já alcançados em termos de acesso e auxílio na consulta a informações, mais trabalho ainda necessita ser feito objetivando aproximar cada vez mais o computador do usuário a fim de prover o usuário com mais recursos a fim de que possa extrair a informação desejado no momento desejado.

ANTONIO MENDES DA SILVA FILHO

     


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