As organizações
trotskistas brasileiras estão historicamente vinculadas
à trajetória do movimento comunista internacional, à organização
fundada por Trotsky: a IV Internacional, fundada numa conferência
realizada em Paris, em 03 de setembro de 1938. Os fundadores
adotaram um documento base redigido por Trotsky, que ficou
conhecido como “Programa de Transição”. Para Trotsky e seus
seguidores era necessário manter o fio da revolução proletária
mundial rompido pela contra-revolução stalinista. Com o
passar dos anos, a IV Internacional se dividiu em diversas
tendências e frações. No emaranhado de siglas que reivindicam
a continuidade da IV Internacional fundada, destacam-se
Ernest Mandel, Nahuel Moreno e Pierre Lambert.
Mandel morreu em 20 de julho de 1995. Dirigente da IV Internacional
(Secretariado Unificado - SU) desde 1946, Mandel iniciou
a militância durante a 2ª guerra mundial, na resistência
ao nazismo: tinha apenas 16 anos. Sobrevivente do campo
de concentração, continuou a militância na Internacional
e no Partido Socialista Belga. Expulso desse partido em
1964, por sua adesão ao trotskismo, ele fundou o Partido
Socialista Operário da Bélgica. Internacionalista, chegou
a ser proibido, no início dos anos 70, de entrar na França,
EUA, Suíça, Austrália e Alemanha Ocidental. Sua produção
intelectual é extensa. No Brasil, suas idéias permanecem
vivas na ação dos militantes da Democracia Socialista, Tendência
petista vinculada ao SU .
O argentino Nahuel Moreno liderou a formação da Liga Internacional
dos Trabalhadores (LIT), uma dissidência da IV Internacional
(Secretariado Unificado). Fundada em 1981, em Bogotá
(Colômbia), a LIT
é identificada ao morenismo. Após a morte do seu
líder, em 26 de janeiro de 1987, a LIT viveu sua crise no
final dos anos 80 e início da década de 1990. O ápice deste
processo foi a divisão da sua maior e mais importante seção:
o Movimento ao Socialismo (MAS). [1] No Brasil era
representada pela CS – maioria no PSTU.
Em 1994, a Tendência Bolchevique Internacionalista (TBI), rompeu
com a LIT e fundou o Centro
Internacional do Trotskismo Ortodoxo (QI). [2]
Este
organismo é apoiado em nosso país por um grupo de trotskistas
que rompeu com a Convergência Socialista por divergir do
processo de construção do PSTU. Essa dissidência chama-se
Liga Operária Internacionalista (LOI) [3]
A QI-CIR (Quarta Internacional – Centro Internacional de Reconstrução)
representa a VS lambertista do trotskismo. Assim
ficou conhecida devido à liderança de Pierre Lambert, dirigente
histórico da Organização Comunista Internacionalista
(OCI), seção francesa da QI-CIR. O lambertismo também
se dividiu nos anos 80 e, em 1993, reproclamou a IV Internacional.
Sua seção brasileira é a Corrente O Trabalho.
Ressalta-se ainda a liderança de Jorge Altamira e Guillermo Lora, dirigentes
que são referências internacionais para vários militantes
do trotskismo na América Latina. O primeiro destaca-se na
liderança do Partido Obrero (PO) da Argentina. No
Brasil, suas posições são compartilhadas pelo Partido da
Causa Operária (PCO).[4] Lora é a expressão máxima do Partido
Operário Revolucionário (POR) boliviano. Em nossos
trópicos, é reverenciado pela Tendência pelo Partido Operário
Revolucionário (T-POR). PO e POR eram as principais seções
da Tendência Quarta Internacional (TQI), formada
no final dos anos 70 após a expulsão do Partido Obrero do
seio da QI-CIR. A TQI, por sua vez, fragmentou-se no final
dos anos 80, com a evolução das divergências entre suas
principais lideranças e seções nacionais. [5]
Por fim, devemos registar a IV Internacional Posadista, criada por J.
Posadas – também argentino – ainda nos anos 60. [6]
Não é nosso objetivo discutir os motivos da sua fragmentação em diversos
organismos internacionais. Contudo, é inquestionável que
esta realidade também influi diretamente sobre a atuação
prática e as formulações teóricas dos trotskistas brasileiros.
Sem desconsiderar este fator, interessa-nos sobretudo analisar
como cada organização em particular evoluiu em relação ao PT e à conjuntura
nacional e internacional. Nesta parte, analisaremos as principais
correntes trotskistas. Começaremos pela corrente O Trabalho.
[7]