Por ANGELO PRIORI
Doutor em História, é presidente da Associação dos Docentes da UEM (Aduem)

 

Os Presidenciáveis

 

A violação do painel eletrônico, a mando dos senadores Antônio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda, esfriou o debate sobre a sucessão presidencial. Esfriou, pelo menos por esse momento, pois os acontecimentos e os desdobramentos acerca do assunto, como o envolvimento do Planalto no caso, a renúncia do senador do PSDB e a provável renúncia de ACM, terão efeitos direto na próxima eleição presidencial.

Mas quem ganha e quem perde com tudo isso? É difícil responder nesse momento, já que as pedras do tabuleiro presidencial ainda estão sendo colocadas, embora o jogo já tenha começado. Com certeza ACM perde, já que não terá mais o mesmo peso político de antes para negociar cargos e maracutaias numa coalização de direita. Mas a Bahia, como ele diz, deverá devolver-lhe o cargo de governador. Isso se a oposição e a mobilização popular, cada vez mais visível, não lhe derem um duro e último golpe. Tomara que sim!

No jogo presidencial é Fernando Henrique Cardoso quem mais perde. O seu governo sai chamuscado do episódio, já que o seu líder no Senado esteve envolvido diretamente. Ele próprio, FHC, teve que fazer das tripas coração (com compras de votos de deputados e liberação de muita verba, como tornou usual em seu governo) para não deixar que uma CPI para investigar a corrupção no governo central viesse à tona. Isso não só fragilizou o Planalto, como os seus dois mais importantes candidatos: o governador do Ceará, Tasso Jereissati, e o ministro da Saúde, José Serra.

Mas isso talvez não tenha importância nenhuma, já que Fernando Henrique e a grande maioria da classe dominante desse país, quer ver mesmo como candidato Pedro Malan, atual Ministro da Fazenda do Brasil e menino dos sonhos das empresas multinacionais e do Fundo Monetário Internacional. Malan tem dois pontos positivos e um negativo para a sua campanha. Os pontos positivos são: muito dinheiro (o que lhe vale ter acesso privilegiado à mídia e aos votos – a compra de voto nesse país é fato corriqueiro) e um país que apresenta uma inflação aparentemente estável, resultado da política econômica implementada nos últimos anos. Como ponto negativo, a sua indiferença com as questões sociais. Não basta apenas fazer campanha pregando reparação social. O candidato deve ter uma trajetória nesse sentido, o que definitivamente não é o caso de Malan.

Quem tem passado ao largo dos escândalos dos últimos dias é Ciro Gomes. Tem aparecido pouco, pronunciado poucas palavras à respeito do assunto, mas trabalhado muito nos bastidores para fortalecer a sua candidatura. Ciro Gomes é o tipo de candidato que as classes dominantes apóiam, mas com certa desconfiança. O seu estilo bateu-levou e a retórica moralizante lhe aproximam do pesadelo Collor de Melo e ninguém quer correr o risco de uma outra desventura como aquela. O recente acordo com o PTB de José Carlos Martinez (collorido de carteirinha, que só não chegou ao governo do Paraná devido a uma personagem chamada “Ferreirinha”) afasta ainda mais a classe média, que lhe poderia garantir o apoio e até a vitória. O grande desafio de Ciro Gomes é ganhar confiabilidade, pois a sua figura é contraditória e ambígua, para não dizer obscura.

Hoje na oposição, candidatos como Itamar Franco, Anthony Garotinho ou Pedro Simon não devem apresentar grandes riscos, e estão sempre de olho numa composição que lhes possam dar maior visibilidade política.

Quem tem mais a ganhar com o momento político é o PT. Tem estrutura partidária, militância, discurso e um programa social de governo bem elaborado. E tem o candidato com melhor performance nas pesquisas eleitorais. No entanto com um problema sério. Existe um preconceito muito grande contra o Lula. A sociedade brasileira, conservadora politicamente, acha um absurdo votar em um operário e em um homem que não tem curso superior. Por outro lado, Lula tem várias vantagens: é o candidato mais conhecido, tem um discurso em prol das questões sociais legitimado pela sua trajetória política, tem experiência em negociar conflitos e nenhum cidadão de bem e de boa consciência pode dizer que ele esteve ou está envolvido com algum caso de corrupção.

 

 

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